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Israel avança mais fundo no Líbano e bombardeia Beirute

Israel avança mais fundo no Líbano e bombardeia Beirute: a escalada contra o Hezbollah não para. E dá ultimato de 24 horas para militares do Irã saírem do Líbano.

As tropas israelenses resolveram não ficar paradas. Nesta terça-feira (3), as Forças de Defesa de Israel (IDF) enviaram soldados para posições ainda mais avançadas no sul do Líbano, além das áreas que já controlavam. O objetivo é criar uma “zona de segurança” maior e proteger de vez as comunidades do norte de Israel dos ataques do Hezbollah.

O ministro da Defesa, Israel Katz, foi direto: “Autorizamos o avanço para impedir fogo direto contra nossas cidades. O Hezbollah está pagando — e vai continuar pagando — um preço muito alto por cada disparo.”

Enquanto isso, a Força Aérea israelense não deu trégua. Na noite de segunda e na manhã de terça, aviões e mísseis israelenses atingiram forte em Beirute, destruindo depósitos de armas, centros de comando e até estações de comunicação do Hezbollah. Os estúdios da TV Al-Manar e da rádio Al-Nour — as vozes oficiais do grupo — também foram atingidos e as emissoras foram tiradas do ar. Instalação de comunicação via satélite do Hezbollah foi destruída.

O golpe mais simbólico veio de um ataque naval: morreu Reza Khazaei, um dos principais comandantes da Guarda Revolucionária do Irã que atuava como ponte entre Teerã e o Hezbollah. Para Israel, ele era peça-chave no esforço de rearmar o grupo depois da guerra de 2023-2024.

Do lado do Hezbollah, a resposta veio rápida: mais de uma dúzia de foguetes e vários drones foram lançados contra o norte de Israel. Um deles acertou uma casa no Panhandle da Galileia e feriu levemente um homem de 64 anos. Outras pessoas tiveram crises de ansiedade com a explosão. Algumas defesas aéreas interceptaram os projéteis; outros caíram em áreas vazias. Os mísseis que são detectados com trajetórias para áreas vazias não são interceptados, de acordo com o protocolo de defesa.

Em Beirute, o governo libanês tenta mostrar que ainda manda no pedaço. O presidente Joseph Aoun reforçou que a decisão de proibir todas as atividades militares do Hezbollah é “definitiva e sem volta”. Segundo ele, só o Estado pode decidir sobre guerra e paz. Na prática, porém, ainda não está claro se o Exército libanês vai mesmo confrontar o grupo. É muito difícil acreditar que a vontade do general Auon será de fato implementada. O estado é o único a pode ter o monopólio da força em um país.

A tensão só aumenta. Israel continua avisando moradores de dezenas de vilarejos no sul do Líbano para evacuarem, enquanto o Hezbollah promete continuar os ataques. Por enquanto, a fronteira segue em fogo cruzado — e ninguém parece disposto a piscar primeiro.

Os mísseis que o Hezbollah tem disparado são os Grad de projeto soviético, com pequena  carga explosiva e sem qualquer tipo de possibilidade de atingir um alvo pretendido. Por sua vez, o Hezbollah utiliza a Jihad Verbal e afirma “ter atacado” apenas bases militares israelenses, mesmo que nenhuma tenha sido alvejada de fato.

Imagem: três tanques Merkava IV, dois deles com proteção simples anti drone sobre a torre, junto ao muro de separação entre Israel e Líbano, foto oficial FDI.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.