Não existe Genocídio Armênio. É Genocídio dos Cristãos Armênios!
Israel acabou de reconhecer o Genocídio Armênio adotando uma posição de força contra a Turquia e se somando a 23 países que já efetuaram o reconhecimento, entre eles, o Brasil. Leia até o fim porque os turcos não assassinaram APENAS os cristãos armênios. Centenas de milhares de outros cristãos também foram imolados.
Como é possível explicar o genocídio dos armênios sem dizer que eles são cristãos e os otomanos são muçulmanos sunitas?
Imagem: não tem como falar sobre genocídio com imagens leves. A foto deste post é de restos mortais de civis na vila armênia de Sheyxalan em 1915, do arquivo do Armenian Genocide Museum-Institute.
por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Não foi com surpresa, mas com o mesmo asco de sempre, observar a enorme explicação da Globo, do “Entenda o genocídio armênio”, onde as mulas estagiárias, as mulas encasteladas e as mulas editoras decidem que há explicação na geopolítica, quando o entendimento TEM QUE SER pela supremacia religiosa.
Na notícia do reconhecimento por parte de Biden (em abril de 2021), e nas quatro grandes perguntas respondidas, PARA FAZER O LEITOR COMPREENDER, não existe qualquer citação de que o Império Turco Otomano, era um império muçulmano sunita que dominava o “Levante”, praticamente todo o Oriente Médio desde o ano de 1500 e que os armênios eram e são cristãos ortodoxos de uma vertente denominada Igreja Ortodoxa da Armênia, e estavam sob jugo muçulmano turco há pouco mais de 500 anos.
Eu já conheci muita gente boa que jamais havia imaginado que otomanos eram muçulmanos, e muito menos que armênios eram cristãos.
Para quem não sabe, os mongóis dominaram Jerusalém no ano 1300 e a deram de presente ao rei francês seu aliado, estabelecendo sua capital mongol local onde hoje é a cidade de Khan Younes, no norte da Faixa de Gaza.
Na verdade o nome é Younes Khan, o general mongol governador da região. Gengis Khan, se ligou? O nome Gaza, também nada tem a ver com os árabes e vem de Mahmud Ghazan, o sétimo líder mongol que comandou as tropas desde a Batalha de Alepo até a região hoje conhecida como Gaza e parte da Jordânia entre 1299 e 1303, quando foi morto em combate. Para distorcer bem a história da presença Mongol na região durante o período das cruzadas, no nome da capital foi invertido e o Ghazan passou a ser escrito no ocidente como Casanus, parecendo até um nome romano.
NÃO EXISTE GENOCÍDIO ARMÊNIO !!!
EXISTE GENOCÍDIO DOS ARMÊNIOS !!!
A forma gramatical empregada, coloca os armênios como o ‘sujeito ativo’, como os perpetradores do genocídio e não como vítimas e isso sempre foi uma eficientíssima forma de propaganda turca. Como se disséssemos “genocídio judeu”, ao nos referirmos sobre o Holocausto.
Uma das grandes questões é o motivo da Turquia, não aceitar reconhecer o genocídio dos armênios cometido ao longo de décadas, em fases diferentes (e não apenas de um ou dois anos) pelo Império Turco-Otomano. A Turquia atual não é a continuação do Império, apesar de qualquer um imaginar que é. Por acaso dizemos que a República do Brasil é uma continuação do Império do Brasil? Não dizemos isso, porque houve uma revolução com a deposição de D. Pedro II e a extinção da corte.
A Turquia atual veio através de uma guerra civil após a Primeira Guerra Mundial, que derrotou o governo golpista anterior do grupo denominado Comitê União e Progresso (os “Jovens Turcos”), grupo este que havia dado um golpe, por sua vez, removendo a monarquia islâmica. O genocídio foi perpetrado pelo governo dos Jovens Turcos, que depois foi apeado do poder à bala.
Na Turquia foi pior. Pelos acordos que possuía com o Império Austro-Húngaro e Alemanha, entrou na guerra compondo das Potências Centrais, em 1914, derrotadas em definitivo em 1918. Todavia, a guerra no Império Turco-Otomano, no território que hoje entendemos por Turquia, se estendeu muito, até o ano 1923. Partes do território, na costa do Mediterrâneo foram ocupadas por tropas inglesas, francesas e italianas. E os combates prosseguiram com menos intensidade que no período 1914-18. Todas as áreas do Oriente Médio, caíram sob domínio Inglês-Australiano, ao longo de 1917-18, através de combate direto, inclusive com a participação de tropas austríacas e alemãs, que contavam com aviação de combate. Guerra mesmo para a primeira libertação de Jerusalém do domínio islâmico desde a última derrota nas Cruzadas no século 13.
O território do Império Turco Otomano foi dilacerado entre as potências aliadas no tratado de Lousane de 1923, quando o país Turquia, foi criado pela primeira vez na esteira de um ano de guerra civil e revolução, liderada pelo general nacionalista Mustafa Kemal Paxá. Ou seja, quem cometeu o genocídio contra os armênios nos anos 1880 e entre 1914 e 1917, foi o Império Turco Otomano, depois os Jovens Turcos derrubados pelos militares nacionalistas em 1922-23.
O Império somente ocupou a maior parte do país denominado Armênia, incorporando assim uma minoria populacional cristã, necessariamente dhimmi (cidadãos de segunda categoria com cidadania incompleta). Ao longo dos séculos de ocupação, estes armênios não conseguiam cruzar a fronteira norte para voltar ao território independente de seu próprio país, então, centenas de milhares foram em direção ao sul, dentro do Império, onde tinham liberdade para se mover, fixando-se na região onde hoje é a Síria. Entre 1914 e 1917 todos os cristãos armênios da Síria foram assassinados por tropas turco otomanas.
O governo atual é responsável pelo que ocorreu entre 1896 e 1923?
Dizer que a Turquia é juridicamente responsável pelos atos do Império, é tão borderline quando afirmar que o governo democrático brasileiro, pós-republicano é responsável pela escravização levada a cabo pelo Império Português e depois pelo Império Brasileiro. Há necessidade de compensação? Acredito que todas as pessoas de bem tem a certeza de que sim, há necessidade, mesmo que não tenhamos a responsabilidade legal, até por que usufruímos, mesmo nos dias de hoje, de cidades, estradas, pontes, igrejas etc, em parte construídas por mão de obra escravizada. Assim, a questão turca é money: será que os armênios vão exigir indenizações, ou só pretendem o reconhecimento?
Antes que alguém diga, ‘ah, mas os judeus recebem indenizações da Alemanha’. Bê: a indenização aos judeus estava nos termos de rendição da Alemanha e não é uma invenção posterior como afirmam os revisionistas do Holocausto. E não são “os judeus” que foram ou continuam sendo indenizados, mas os sobreviventes judeus do Holocausto (mas nem todos).
Os cristãos armênios tem origem em Bizâncio que adotaram oficialmente a religião cristã do Deus Único no ano 301. À ÉPOCA DA WW1 mais de 97% dos armênios eram cristãos. O curioso é que isso não é dito nem no site oficial do genocídio dos armênios. Há uma tendência de querer imaginar o genocídio como ato político (e aí não se encontra explicação. Seriam os turcos apenas maus?), mas foi ato racista mesmo. Tudo estava nas notícias da época, na cobertura da Guerra Mundial, como nesta caricatura de 1916 da revista italiana L’Asino (fundada em 1882), e publicada nos mais diversos jornais ocidentais, inclusive no Brasil.

Em 1916, O MUNDO SABIA O QUE ESTAVA ACONTECENDO E QUEM ERAM O ARMÊNIOS: “Vou me vingando dos christãos que tenho em casa! Alusão aos morticínios da Armenia”. Na imagem temos um muçulmano descalço, selvagem, com aspecto animalesco, brandindo uma cimitarra ensanguentada. Sobre o fez (seu chapéu tradicional, uma meia lua crescente (símbolo adotado nas cúpulas das mesquitas, para deixar claro que é um muçulmano).
A saber: o formato da “lua” sobre as cúpulas das mesquitas é a fase da lua na data da inauguração. As que tem apenas o “pino” foram inauguradas na lua-nova.
As pessoas precisam ter a perspectiva de que ao entrar na WW1 como aliada da Alemanha e Potências Centrais, a Turquia, como o gigantesco e centenário Império Muçulmano moderno, abriu a guarda para que as potências aliadas católicas e anglicanas desmantelassem o domínio islâmico sobre todo o Oriente Médio. O Império Russo era inimigo e fazia fronteira, tendo atacado pela Armênia. Este fato, permitiu que o governo turco definisse que os seus cidadãos armênios eram traidores, aliados a inimiga Rússia e portanto deveriam ser eliminados. 1,5 milhões de eliminados!
Quais foram os outros grupos étnicos cristão eliminados pela Turquia?
Na guerra civil que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, no território da Turquia, combateram os, exércitos da Inglaterra, França, Grécia, Armênia e Geórgia, exército do Califado, e as forças do Império Turco Otomano, contra as tropas nacionalistas turcas apoiadas pela União Soviética e Itália.
As tropas nacionalistas perderam 13.000 soldados e 15.000 civis turcos. Já do lado imperial as perdas foram muito maiores: 24.240 soldados gregos mortos, 7.000 franceses e 1.100 armênios.
Mas o genocídio não foi só de cristãos armênios. A intenção do governo dos Jovens Turcos, que era especificamente secular, visava eliminar todos os cristãos. Aproveitaram a guerra civil e continuaram com as atrocidades, que já tinham dado certo, contra os civis de origem católica grega em seu território e os assírios cristãos na Síria. É preciso entender que cristãos Armênios, cristãos Assírios e católicos gregos somados, aumentam as vítimas da matança para cerca de 1.900.000 civis E este país que acusa Israel de ser genocida!

Se a Turquia atual pode ser acusada de algo foi da morte de 264.000 civis gregos e outros 60.000 civis armênios (apenas entre 1919 e 1923).
Existe uma disparidade de números históricos com menos e mais vítimas armênias. A resposta é simples. O número maior é o total, envolvendo o Império teocrático que matou 300.000 cristãos armênios entre 1894 e 1896 somado aos que foram mortos pelo governo dos Jovens Turcos. O número menor, se “esquece” dos que foram mortos no final dos século 19.
Curiosamente nenhum dos três regimes de governo citados estabeleceu leis contra os judeus ou os perseguiu. A matança foi apenas de cristãos, continuando os judeus normalmente na sociedade.
O sugiro o site deles http://www.armenian-genocide.org/ e não a Wiki.

