25 anos de 11/set, e sobre o avião que atingiu o Pentágono?
A data promoveu um movimento gigante de ressurgimento de teorias de conspiração, sobre o 11/set que nem originais são. A mais utilizada no X e outras mídias sociais, é que “os judeus” são os que fizeram o ataque. Não existem fatos, fotos, relatórios, vídeos de comemoração de Osama bin Ladden e dos palestinos, orgulhosos pelo ataque que façam um antissemita deixar de dizer que “foram os judeus”.
E dizem isso nestes dias do ano 2026, com a mesma sanha da culpa coletiva dos judeus criada pelo imperador Constantino, o primeiro Papa da Igreja Católica. Por outro lado existe um setor islamocomunista que olha para o que os muçulmanos fazem e culpam os judeus. Alguém esqueceu que Ahmadinejad tinha declarado que o ISIS, o Estado Islâmico era composto por judeus, “porque só judeus são capazes de tamanhas atrocidades”? Mas eram muçulmanos sunitas mesmo.
O que nos leva é uma mulher americana que foi a região da cerimônia pelos 25 anos do massacre em Nova Iorque, hostilizar os que relembravam. Ela teve uma discussão horrorosa com um rapaz decendente de vítima que sentava o cacete no islã e na Al Qaeda. A americana, de uns 45 anos de idade, simplesmente disse que o rapaz era mentiroso “porque os muçulmanos nunca cometeram qualquer ato de terrorismo.” É assim que quem grita Palestina Livre do Rio ao Mar, enxerga o mundo. É assim que o islamocomunismo está se apossando dos idiotas marxistas nos EUA.

Mas e sobre o avião que atingiu o Pentágono?
Quase não se escuta falar. Na maioria dos textos que você for encontrar pelo Google vai encontrar teorias de conspiração, afirmando que foi um missil de cruzeiro (um Tomahawk) dos EUA, ou que havia uma bomba lá dentro. Em comum estas teorias têm o desprezo total por artigos jornalísticos dos dias 11 e 12 de setembro de 2001 e o relatório oficial da investigação.
Não há dúvida processual séria ou evidência confiável de que tenha sido um míssil de cruzeiro. O consenso oficial, forense, de engenharia e de testemunhas oculares é que foi o American Airlines Flight 77 (Boeing 757-200, registro N644AA).
A tese do “míssil” (popularizada principalmente por Thierry Meyssan e grupos de conspiração) foi repetidamente desmentida por evidências concretas:
Imagens e vídeos de segurança: Câmeras do próprio Pentágono captaram o impacto (o avião aparece como um borrão branco fino antes da bola de fogo). O material foi liberado após pedido via FOIA (Judicial Watch) em 2006. E este é um problema. Enquanto das Torres Gêmeas havia imagem de tudo, sobre o Pentagono havia apenas alguns frames de uma câmera de segurança velha e de baixa resolução. Ainda assim o Pentagono não queria liberar estas imagens por 5 anos. Área de segurança, diferente de Nova Iorque.
Destroços do avião: Fotos e relatos documentam partes identificáveis (trem de pouso, pedaços de fuselagem com marcações da companhia, janela de cockpit, fragmentos do motor, etc.). Engenheiros estruturais que chegaram ao local (como Allyn Kilsheimer) relataram ter manuseado peças com marcações da American Airlines e encontrado as caixas-pretas.

Caixas-pretas (FDR e CVR): Recuperadas no local. O gravador de dados de voo (FDR) forneceu a trajetória, velocidade (~530 mph / 853 km/h / 237 metros por segundo no impacto) e manobra final. O CVR estava danificado demais para recuperar áudio útil. Estudos da NTSB usam esses dados.
Danos estruturais: Relatório da American Society of Civil Engineers (ASCE) / Pentagon Building Performance Report descreve um buraco de 23 metros na fachada externa (Ring E), destruição de dezenas de colunas no 1º andar e penetração profunda (incluindo um “punch-out” de 3,6 m no Ring C atribuído ao trem de pouso). Um Boeing 757 de alumínio leve a alta velocidade se desintegra e “flui” como líquido sob impacto contra concreto armado reforçado; as asas não deixam um contorno perfeito. A seção atingida tinha sido recentemente reforçada (aço, Kevlar, janelas à prova de explosão), o que limitou o colapso e salvou vidas.
Testemunhas oculares e DNA: Dezenas de pessoas viram o avião (incluindo o C-130 que o acompanhou por ordem do controle de tráfego). Restos humanos de passageiros e tripulação foram recuperados e identificados por DNA (quase todos os 64 a bordo + 125 no prédio). Relatos incluem corpos ainda presos em assentos. Pouca gente sabe mas havia um avião de transporte militar C-130, desarmado, acompanhando o voo 77 nos minutos finais. Se existe alguma imagem tomada a partir desde avião isso nunca surgiu.
Radar, ATC e trajetória: Dados de radar (FAA, Força Aérea) e do FDR mostram o voo decolando de Dulles, sendo sequestrado, fazendo a curva final e impactando o lado oeste do Pentágono por volta das 9:37–9:38.

Informações sobre o voo
Não é verdade que “praticamente não exista informação”. Há dados detalhados e públicos o que não importa para os teóricos da conspiração:
Companhia e aeronave: American Airlines Flight 77 (AA77 / AAL77), Boeing 757-200, N644AA.
Origem e destino: Decolou do Aeroporto Internacional de Dulles (Washington, D.C./Virgínia) por volta das 8:20 (atraso de ~10 min; horário programado 8:10) com destino a Los Angeles (LAX).
Tripulação (6): Capitão Charles F. Burlingame (51, ex-piloto da Marinha), primeiro-oficial David Charlebois (39), comissários Renee May, Michele Heidenberger, Jennifer Lewis e Kenneth Lewis.
Passageiros: 58 no total (incluindo 5 sequestradores). Lista pública parcial/completa circulou desde 2001 (Guardian, Washington Post, etc.) e inclui nomes como Barbara Olson (esposa do então Solicitor General Ted Olson), a família Falkenberg (pais + duas filhas pequenas), professores e alunos em viagem, etc. Total a bordo: 64. Todos mortos.
Fontes oficiais e técnicas incluem o relatório da Comissão 9/11, estudos NTSB de trajetória, relatório ASCE do Pentágono, fotos do FBI/DoD, e o memorial do Pentágono. Teorias alternativas se baseiam em interpretações seletivas de fotos (destruição parcial e colapso ~30 min depois ocultaram muito), vídeos de baixa resolução ou ausência de “contorno perfeito de avião”, mas não resistem ao conjunto de evidências físicas, forenses e de múltiplas fontes independentes.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

