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Ameaça iraniana contra a Internet mundial é só mais uma mentira

A ameaça iraniana contra a Internet mundial é só mais uma mentira, resposta boba à reunião Bibi Hegseth em Israel é só Jihad Verbal.

Em 19 de outubro de 2026, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Brigadeiro-General Hossein Mohebbi, declarou que existem sete cabos submarinos importantes sob o Estreito de Ormuz e que “todo o tráfego de internet e dados comerciais do mundo depende deles”. A declaração foi apresentada como um lembrete aos adversários do Irã, no contexto de tensões.

O que dizem os dados técnicos. Organizações especializadas em cabos submarinos contradizem a afirmação de dependência global:

O International Cable Protection Committee (ICPC), com base em análises da TeleGeography, informou que cinco segmentos ativos de sistemas de cabos submarinos cruzam o estreito.

Esses cabos transportam menos de 1% da largura de banda internacional global.

O impacto de uma interrupção seria principalmente regional (países do Golfo Pérsico, inclusive no Irã), e não global. O tráfego poderia ser redirecionado por outras rotas submarinas e terrestres.

Existem cabos importantes na região (como AAE-1, FALCON, Gulf Bridge International e outros), que conectam países do Golfo (Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã, Arábia Saudita etc.) a rotas para a Ásia, África e Europa. Eles são relevantes para a conectividade do Golfo e para parte do tráfego regional, mas não formam a espinha dorsal da internet mundial.

Contexto real da internet global

Mais de 99% do tráfego internacional de internet viaja por cabos submarinos de fibra óptica em todo o mundo (centenas de sistemas).

Os principais “gargalos” globais de dados estão em outras regiões, como o Mar Vermelho (que carrega uma parcela bem maior do tráfego Ásia–Europa, estimada em torno de 15–20% em algumas análises), o Mediterrâneo, o Atlântico e o Pacífico.

Cortar os cabos de Ormuz causaria problemas sérios de conectividade nos países do Golfo e poderia gerar lentidão ou interrupções em algumas rotas regionais, mas não paralisaria a internet nem o comércio digital global.

A afirmação iraniana serve como mensagem de dissuasão midiática e pressiona a importância estratégica da região, mas a ideia de que “todo o tráfego e comércio global depende desses 7 cabos” não corresponde à realidade técnica. O risco é real para o Golfo Pérsico, mas limitado em escala mundial. Não é fator de dissuasão nem para os EUA nem para Israel. É só mais da Jihad Verbal.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem: ilustrativa, com mapa esquemático dos cabos e não a rota real deles ou quantidade deles, como o mapa do metrô, acrescida dos personagens Pynk e Brain xiitas criados por IA

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.