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Nova onda de ameaças de bomba contra instituições judaicas e aviões

Já por 16 dias vem acontecendo ameaças de bomba contra instituições judaicas nos EUA e contra aviões comercias em voo. Todas falsas (hoaxes).

Mas nos dias 1, 2 e 3/Nov houve um aumento enorme. No dia 2/nov, 251 escolas na Itália receberam o mesmo e-mail com ameaça. Uma companhia área também, para um de seus aviões em voo.

No dia 3/nov, até o momento foram cinco ameaças a aviões conhecidas. Uma delas num voo de Israel para a Bulgária.  O aeroporto de Lisboa foi fechado por outra ameaça de bomba. E a inusitada contra o navio de passageiros com destino a Israel. 940 passageiros e 597 membros da tripulação foram evacuados para terra, na ilha grega de Syros. Nada foi encontrado.

Quem produziu esta ameaça falsa, facilitou, pois disse que a bomba estava presa no casco pelo lado de fora. Imagine uma varredura antibomba em todos os compartimentos e bagagens dentro de um navio…

Caças de vários países europeus tem decolado e acompanhado os aviões ameaçados, como determina o protocolo. Mesmo parecendo que á uma situação completamente falsa (entenda abaixo), as autoridades militares e policiais precisam agir como se de fato existisse uma bomba. A tendência é que amanhã, dia 4 o número de ameaças aumente.

Já vimos exatamente issso

Essa onda é semelhante a deflagrada em milhares (mesmo) de ameaças feitas por Michael Ron David Kadar, 28, rapaz judeu israelense a partir de um computador em seu quarto em Ashkelon, Israel.

A identidade dele foi mantida em sigilo pelo juiz, por 8 anos, só sendo liberada quando ele foi solto.

Usava VPN, software de discagem telefônica pela Internet e alteração de voz para dar telefonemas ameaçadores em inglês. Também usava serviços de spam para ameaças padrão por email. Tinha certeza de que jamais seria encontrado e foram meses de investigações pela cyber segurança de Israel e do FBI.

Todavia, Michael Ron David Kadar está preso (em custódia federal), aguardando julgamento na Flórida. Esta é a informação oficial.

Ele, cidadão dual americano-israelense (conhecido como o “hacker de Ashkelon”), foi extraditado da Noruega e chegou aos EUA em 18 de junho de 2026. Foi apresentado formalmente em 22 de junho de 2026 no tribunal federal do Middle District of Florida (Orlando) por crimes de ódio (hate crimes) e obstrução do livre exercício da religião, relacionados a ameaças de bomba e “active shooter” contra instituições judaicas (incluindo escolas e centros comunitários) na Flórida em 2017. Há também acusações relacionadas em Geórgia e no Distrito de Columbia.

Ele já havia cumprido cerca de 7 anos de uma pena de 10 anos em Israel (condenado em 2018) pelos mesmos tipos de ameaças (milhares de hoaxes). Após a soltura em Israel, foi para a Noruega, onde foi detido a pedido dos EUA e, após disputa judicial (incluindo questões de saúde mental), a extradição foi autorizada.

Não há notícias públicas de soltura sob fiança, liberação pré-julgamento ou liberdade provisória. Em casos federais graves como este (ameaças, crimes de ódio, extradição e histórico), a detenção pré-julgamento é a regra padrão, especialmente com risco de fuga ou questões de segurança pública. Fontes e registros disponíveis até outubro de 2026 confirmam que ele permanece sob custódia americana pendente de julgamento. O caso ainda está em andamento (sem notícia de julgamento, acordo ou sentença).

Em princípio parece ser obra de um imitador, a não ser que Kadar tenha acesso à Internet na prisão o que seria uma estupidez, dado os crimes dele. Sabe-se que tem QI elevadíssimo e está dentro do espectro autista num grau que não é público.

Inicialmente foi dito, no julgamento que ele “não pensava direito, não sabia definir o certo e o errado, e para ele, ameaças seriam como um jogo.” Gostava de ver as notícias do caos que gerava com evacuações e aviões de combate escoltando aviões comerciais”. A condenação foi definida após a investigação provar que ele obteve 225 mil dólares em Bitcoins extorquindo cias aéreas.

Existem muitas outras acusações e processos contra ele que parece que não se tornaram julgamentos. As companhias aéreas, as forças aéreas europeias e da Austrália, e polícias, nos EUA, Canadá, Austrália e de quase todos os países da Europa ocidental, queriam ressarcimento dos custos de combustível de aviões de combate, aviões comerciais, horas extras de policiais, etc, num valor de algumas dezenas de milhões de dólares que, evidentemente, Kadar não poderia pagar.

por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.