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A eliminação de Ali Larijani: o fim de um dos homens mais poderosos do Irã

Teerã, 17 de março de 2026 – Israel anunciou nesta terça-feira que eliminou Ali Larijani (em grafia portuguesa aproximada, Ari Larinjani), secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN) do Irã e figura considerada o “líder de fato” do regime após a morte do aiatolá Ali Khamenei. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, confirmou a morte em ataque aéreo noturno na capital iraniana, ocorrido na madrugada de 16 para 17 de março. O Irã também confirmou a eliminação pela mídia estatal.

Larijani, de 67 anos, foi alvo de bombardeio israelense de precisão que atingiu instalações ligadas ao Conselho Supremo de Segurança Nacional em Teerã. Fontes iranianas relatam que seu filho Morteza e o chefe de gabinete Alireza Bayat também morreram no ataque. A operação ocorre no contexto da guerra Irã-Israel-EUA iniciada em 2025, com intensos bombardeios recíprocos e ataques a instalações nucleares e militares.

Quem era Ali Larijani?

Nascido em 3 de junho de 1958 em Najaf (Iraque), em uma família religiosa xiita de origem iraniana, Larijani era filósofo (doutor em Filosofia Ocidental pela Universidade de Teerã, com tese sobre Kant), político conservador moderado e militar de carreira. Ele pertencia a uma das famílias mais influentes do Irã pós-revolução de 1979 – os “Kennedy do Irã”, segundo analistas –, com irmãos como Sadeq Larijani (ex-presidente do Judiciário) e Mohammad-Javad Larijani. Casado com Farideh Motahhari, filha de um dos principais ideólogos da República Islâmica, Larijani transitou entre poder militar, mídia e política por quase cinco décadas.

Sempre dissemos que o Irã tem semelhanças estruturais com a Alemanha Nazista que possuía Exército, SS, Gestapo e Polícia, com a SS sendo melhor equipada e hierarquicamente superior a todos os ramos policiais e das forças armadas enquanto no Irã, temos o Exército, a Guarda Revolucionária, a Basij e a Polícia, sendo a Guarda Revolucionária, melhor equipada e hierarquicamente superior a todos os ramos policiais e das forças armadas. Isso não se trata de coincidência, mas de projeto de governo.

Quando se sabe que o líder não religioso mais brutal e violento é filósofo formado e não um criador de galinhas, isso também é muito semelhante com a elite acadêmica alemã e austríaca, que atuava nas melhores universidades de Europa e foi capaz de desenvolver uma barbárie indescritível. Mengele, tinha dois doutorados, medicina e antropologia, portanto uma capacidade intelectual enorme que o permitiu torturar judeus como ratos de laboratório sob a mais “alta moral nazista”. O número de professores doutores germânicos em que a intelectualidade os levou para transcendência do mal, e não para a banalidade do mal é gigante. Todo o projeto T4 de testar formas químicas de assassinar rápido e barato, realizado contra deficientes físicos e mentais alemães (não judeus) foi operado por acadêmicos da mais alta especificação.

Larinjani é titica do mesmo saco. Um filósofo que ordena trucidar seus próprios cidadãos. Um muçulmano xiita responsável direto pelas ordens de executar dezenas de milhares de muçulmanos xiitas. Mas isso é hoje, porque ontem…

Atividades militares atribuídas no passado

A carreira militar de Larijani começou logo após a Revolução Islâmica. Ele ingressou no Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, ou Pasdaran) em 1981 e serviu até 1993, alcançando o posto de brigadeiro-general (Sardar). Foi veterano da Guerra Irã-Iraque (1980-1988), na qual atuou como comandante e, segundo algumas fontes, chegou a chefiar o estado-maior do IRGC. Sua experiência no conflito contra Saddam Hussein moldou sua visão de segurança nacional e sua proximidade com os comandos militares revolucionários.

Uma guerra já esquecida quanto Saddan Hussein do Iraque invade o Irã de Khomeini. Ao longo de pouco mais de 8 anos, um milhão de mortos. Não se assuste! Não é genocídio, mesmo quando aldeias civis foram trucidadas, inclusive com gás sarin por ambos os lados. Não se assuste ao saber que Larijani e outros comandantes de IRGC recrutaram crianças de seu país, para limparem campos minados iraquianos, correndo por eles e se explodindo para poupar a vida de soldados. Crianças martirizadas para poupar adultos. Só que ninguém, absolutamente ninguém se importa com isso, muito menos a esquerda marxista que apoia isso. O que é para um comandante que fez isso com suas crianças, ou melhor, com os filhos dos outros, de assassinar mais algumas de dezenas de milhares dos outros? Nada. E isso não tem nada do filosofo Kant também. Talvez a tese de Larijani tenha sido anti-Kant.

Essa trajetória militar nunca foi apenas simbólica. Como secretário do CSSN (2005-2007 e novamente a partir de agosto de 2025), Larijani coordenou diretamente as políticas de defesa e segurança do Irã. Nos últimos meses, ele foi apontado como o “mentor e comandante” da repressão brutal aos protestos antigovernamentais de janeiro de 2026, mobilizando forças do IRGC e serviços de inteligência para esmagar manifestações que exigiam o fim da teocracia. Sanções americanas foram impostas contra ele justamente por esse papel. Além disso, Larijani supervisionou a preparação iraniana para confrontos militares com Estados Unidos e Israel, incluindo respostas a ataques a sites nucleares como Natanz e Fordow.

Seu perfil pragmático – capaz de dialogar tanto com comandantes duros do IRGC quanto com setores mais moderados – o tornou uma ponte essencial entre o poder militar revolucionário e o aparato político do regime.

Ascensão política e papel nuclear

Após deixar o IRGC, Larijani ocupou cargos estratégicos: ministro da Cultura e Orientação Islâmica (1992-1994), diretor da emissora estatal IRIB (1994-2004), conselheiro de segurança do Líder Supremo Khamenei e presidente do Parlamento (2008-2020). Foi negociador-chefe nuclear do Irã entre 2005 e 2007, defendendo linha pragmática nas conversas com a Europa. Reassumiu o cargo de secretário do CSSN em 2025, nomeado pelo presidente Masoud Pezeshkian.

Após o assassinato de Khamenei (início de 2026), Larijani emergiu como o homem mais poderoso do Irã, atuando como líder de facto e coordenando a resposta à guerra em curso. Críticos o viam como pragmático capaz de negociar com o Ocidente; linha-dura o acusavam de moderação excessiva. Em março de 2025, ele chegou a afirmar que o Irã desenvolveria armas nucleares caso fosse atacado.]

 O que a eliminação significa?

A morte de Larijani representa um golpe devastador para o regime iraniano – a mais alta autoridade eliminada desde Khamenei. Israel celebra a operação como sucesso contra o “coração do aparato de segurança” iraniano. Analistas preveem que o vácuo pode fortalecer ainda mais o IRGC puro-sangue ou acelerar negociações forçadas. O Irã, por sua vez, prometeu retaliação.

Ali Larijani deixa um legado controverso: o filósofo-general que ajudou a construir o poder militar e nuclear do Irã moderno e que, no fim, morreu exatamente da forma que tripudiava, desafiava e irrelevava– em um ataque aéreo israelense no coração de Teerã.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem exclusiva do momento da chegada de Ali Larijani ao inferno, percebendo que as crianças que ele mandou a morte limpando campos minados, cresceram e o aguardavam ansiosos e delicados: só lembrando, o Corão é claro – se um muçulmano assassinar outro muçulmano irá para o Inferno e o martírio não redime isso. A quantos infernos Larijani foi condenado? Claro, imagem produzida por IA.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.