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Chefe do Estado-Maior de Israel anuncia demissões e censuras no alto comando

Ecos de 7 de Outubro – Em um movimento decisivo para restaurar a confiança nas Forças de Defesa de Israel (FDI), o Tenente-General Eyal Zamir oficializou a saída de chefes da inteligência e do comando sul, citando a necessidade de “responsabilidade de comando”.

Pouco mais de dois anos após os ataques de 7 de outubro de 2023, as consequências continuam a reverberar nos corredores mais altos do poder militar israelense. Neste domingo (23), o Chefe do Estado-Maior, Tenente-General Eyal Zamir, anunciou uma série de demissões e censuras formais contra oficiais de alta patente, responsabilizando-os pelas falhas de segurança daquele dia fatídico.

A decisão vem após investigações conduzidas por um painel externo de especialistas e marca um momento de “acerto de contas” institucional. Zamir convocou os oficiais para reuniões presenciais antes de tornar as medidas públicas, afirmando que, embora dolorosas, as ações eram necessárias para manter a confiança da população nas forças armadas.

Quem sai e quem fica (por enquanto)

A maioria das demissões tem um caráter simbólico forte, já que muitos dos oficiais citados já haviam renunciado aos seus cargos na ativa e agora serão dispensados também do serviço de reserva, encerrando efetivamente suas carreiras militares nas FDI.

Entre os demitidos do serviço de reserva estão:

  • Maj. Gen. (res.) Aharon Haliva: Ex-chefe da Direção de Inteligência Militar. O general assumiu a responsabilidade pelos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Chefe da Direção de Inteligência.

  • Maj. Gen. Oded Basiuk: O general assumiu a responsabilidade pelo comando dos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Chefe da Diretoria de Operações. Seu comando e ações profissionais a partir daquele dia, e as conquistas que ele levou as FDI a alcançar durante a guerra, foram realizadas com excelência, particularmente na liderança da sincronização, planejamento e execução da Operação “Leão Ascendente.” O Chefe do Estado-Maior decidiu que o general será dispensado do serviço de reserva e não servirá mais nas IDF. responsabilidade pelos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Chefe da Direção de Inteligência.

  • Maj. Gen. Yaron Finkelman: O general, que acabara de assumir seu cargo, tinha responsabilidade de comando pelos eventos de 7 de outubro em virtude de sua posição como Comandante do Comando Sul. Seu comando e ações profissionais a partir daquele dia, a recuperação e a transição para a atividade operacional durante a guerra foram realizadas com coragem e determinação, enquanto ele liderava a operação na Faixa de Gaza e, posteriormente, o processo de entrega das investigações às comunidades. O Chefe do Estado-Maior decidiu que o general será dispensado do serviço de reserva e não servirá mais nas IDF.

  • Brig. Gen. (res.) Yossi Sariel: Ex-comandante da Unidade 8200 (inteligência de eletrônica).

  • Brig. Gen. (res.) Avi Rosenfeld: Ex-comandante da Divisão de Gaza. Durante o primeiro ano da guerra, ele continuou comandando a divisão e trabalhou para estabilizar a defesa em seu setor.

  • Coronel (Res.) Ariel Lubovski – assumiu a responsabilidade de comando nos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Oficial de Inteligência do Comando Sul.
  • Coronel (Res.) Chaim Cohen – assumiu a responsabilidade de comando nos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Comandante da Brigada Norte da Divisão de Gaza.
  • Coronel (Res.) Shariel Berkovich – assumiu a responsabilidade de comando nos eventos de 7 de outubro em virtude de sua posição na Direção de Inteligência.
  • Tenente-Coronel A. – assumiu a responsabilidade de comando nos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Oficial de Inteligência da Divisão de Gaza.

Além destes, outros oficiais de patentes menores, incluindo coronéis e tenentes-coronéis ligados à inteligência e operações em Gaza, também foram afastados.

Censuras formais:

Alguns oficiais que permanecem na ativa receberam censuras formais. Eles continuarão em seus postos até o fim de seus mandatos atuais, mas a mancha na folha de serviço é clara:

  • Maj. Gen. Shlomi Binder: Atual chefe da Direção de Inteligência (que chefiava a Divisão de Operações em 7 de outubro). Ele deixará o exército ao fim de seu mandato em 2028 a seu pedido. O general assumiu a responsabilidade de comando nos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Chefe da Divisão de Operações. O general foi nomeado Chefe da Direção de Inteligência pelo ex-Chefe do Estado-Maior, e desde então ele tem liderado a sucessos operacionais em todas as arenas, juntamente com processos significativos de recuperação e mudança estrutural durante a guerra. O Chefe do Estado-Maior vê o MG Binder como o comandante mais adequado neste momento para liderar a Direção de Inteligência, dadas as dificuldades operacionais.

  • Maj. Gen. Tomer Bar: Chefe da Força Aérea, censurado pela falha na defesa contra drones e parapentes do Hamas. O general assumiu a responsabilidade pelo fracasso da Força Aérea em defender o espaço aéreo do país contra ameaças de baixa altitude no dia 7 de outubro. A falha refletiu amplas lacunas sistêmicas em toda a IDF, atualmente sendo abordadas por meio de processos de lições aprendidas na guerra. O Maj. Gen. Bar liderou a Força Aérea Israelense nos últimos anos a conquistas sem precedentes em múltiplas frentes, especialmente ao comandar a Operação “Rising Lion.”

  • Vice-Almirante David Sa’ar Salama: Chefe da Marinha, censurado pela resposta ao ataque marítimo. O general assumiu a responsabilidade pelos eventos de 7 de outubro em virtude de seu papel como Comandante da Marinha, incluindo o fato de que uma infiltração marítima em direção à Praia de Zikim não foi impedida. O VAdm. Salama liderou a Marinha de Israel nos últimos dois anos a conquistas operacionais em todos os cenários de guerra como parte da campanha marítima.

“Não é uma responsabilidade que escolhemos”

Em um vídeo divulgado para a tropa e para o público, o Gen. Zamir adotou um tom sóbrio. Ele reconheceu o valor e a dedicação de décadas desses oficiais, mas enfatizou que a responsabilidade pelo fracasso de 7 de outubro não poderia ser ignorada.

“Não é fácil tomar decisões que impactam pessoas que valorizo… Mas diante dos meus olhos está a obrigação de traçar uma linha clara de responsabilidade de comando. Esta não é uma responsabilidade que escolhemos assumir, mas uma que carregamos por sermos comandantes nas FDI,” disse Zamir.

Ele alertou que sem essa clareza, a confiança no sistema — descrita por ele como a base da capacidade de lutar e vencer de Israel — seria corroída.

O Contexto Maior

As decisões de Zamir chegam em um momento em que o governo e os militares ainda debatem a melhor forma de investigar o ocorrido. Enquanto o governo votou recentemente por uma investigação própria (criticada por opositores como uma tentativa de “limpar a barra” dos políticos), Zamir defendeu a criação de uma comissão de inquérito externa para tirar conclusões completas, embora tenha evitado pedir explicitamente uma “comissão estadual”, o que o colocaria em rota de colisão direta com a liderança política atual.

Para Israel, este domingo marca mais um passo na longa e dolorosa tentativa de fechar as feridas abertas em 2023, redefinindo a liderança que guiará o país nos próximos desafios de segurança.

Observação Menorah

Sabem quantos comandantes do Hamas foram censurados ou demitidos? Nenhum. Sabem quantos comandantes do Hezbollah foram censurados ou demitidos? Nenhum. Sabem quantos comandantes do Irã foram censurados ou demitidos? Nenhum.

Sabem quais são os questionamentos internos-públicos sobre as falhas das forças armadas russas em conseguir implementar a invasão e controle da Ucrânia, levando a uma guerra que já dura 3 anos e meio, que matou mais de 1.140.000 soldados russos, que destruiu cerca de 80% dos veículos militares russos e 70% de sua aviação de combate, além de perdas duras de navios da marinha? Nenhum!

Só para constar, na Segunda Guerra Mundial a URRS foi de Stalingrado a Berlim em 2 anos. Na Ucrânia mal conseguiu avançar 5 km nos últimos dois anos. Sabem quantos comandantes foram considerados culpados? Nenhum.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.