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Coalizão de governo apresenta lei desnecessária sobre religião judaica

No domingo, dia 19/out, a Coalizão de governo em Israel encaminhou para o porta-voz do Knesset (Parlamento) um projeto de lei que imediatamente provocou reações contrárias.

A futura lei obrigaria todas as instituições públicas a colocarem mezuzot em suas portas e criminaliza a interferência com qualquer expressão do culto religioso judaico nas ruas.

A primeira impressão é de espanto! Então as instituições públicas em Israel não têm mezuzot nas portas? O projeto simplesmente não discorre sobre isso, nem sobre a necessidade dele existir. É óbvio que tudo quanto é lugar judaico em Israel tem mezuzá na porta e isto além de ser uma determinação da Torá, uma mitzvá (obrigação), é um costume judaico. Vai ver que algum setor ortodoxo da Coalizão pretende que absolutamente todas as portas tenham mezuzot.

Obviamente existe muita gente dentro do Knesset que não vai votar para que uma determinação religiosa se torne lei civil. Está parecendo com a tentativa frustrada, anos atrás, e não só proibir a entrada e uso de produtos com fermento nos hospitais em Israel durante Pessach, exigindo que houvesse revista de bolsas e bagagens nas entradas, mas também que os pacientes internados fossem obrigados a comer matzá “porque matzá cura”. Uma lei não pode ser baseada em misticismo, é claro, e não foi aprovada.

O segundo item da lei é mais relevante e não se poderia imaginar acontecer em Israel. Ele foi motivado pela prefeitura de Tel Aviv e cidadãos de Tel Aviv não terem permitido que cerimônias religiosas ortodoxas nas ruas, em Yom Kippur, mais especificamente, fossem separadas por gênero: mulheres separadas de homens.

Na época, publicamos sobre a atitude de intolerância religiosa do prefeito de Tel Aviv. Francamente, se um prefeito em qualquer cidade impedisse mulheres e homens separados fisicamente em uma cerimônia religiosa ortodoxa judaica, seria acusado de antissemitismo, muito corretamente. Mas, estas acusações não foram feitas contra o prefeito.

Existem em Israel, ativistas liberais que não aceitam de forma alguma a separação de gênero “DOS OUTROS”, como se eles tivessem alguma coisa a ver com o que outras pessoas fazem entre elas. Não têm!

Se a lei for aprovada e a prefeitura tentar interferir, será crime tipificado.

Para nós, no Brasil, chega a ser incompreensível tanto a atitude do prefeito quanto a tentativa de criminalização. Quanto tempo demora para uma pessoa não ortodoxa militante, ver ortodoxos em sua separação TRADICIONAL, desejar shana tová, que se inscrito no livro da vida, e ir cuidar de sua própria vida? Quantas pessoas há em Israel que veem uma cerimônia destas e dizem “no meu bairro, na minha cidade? Não!” É uma vergonha.

Mas existe um ponto institucional de conflito nesta questão. A Suprema Corte tem uma decisão que proíbe a separação de gênero no espaço público. Aí, quando é marcada um cerimônia religiosa em espaço público, o direito dos ortodoxos entra em choque com a decisão do tribunal. A decisão da Corte é para o dia a dia normal e decidiram aplicar nas cerimônias religiosas específicas.

Se você quiser participar de uma cerimônia ortodoxa, comporte-se pelas normas da casa. Se for participar de uma cerimônia liberal, reformista ou conservadora, idem. Se não for participar, não encha o saco dos outros!

Na explicação da criminalização de interferência contra o culto judaico nas ruas de Israel, está dito que há momentos de interferência contra religiosos colocando tefilin em outras pessoas nas ruas, coisa que eu nunca vi (a interferência) e nunca soube de alguém que tenha visto.

Vai se fazer uma enorme tempestade contra essa proposta de lei, para ela ser recusada em alguns dias ou semanas.

A lei foi encaminhada pela membro do Likud, Galit Distel-Atbaryan, que preside o “Subcomitê de Pensamento Judaico no Sistema Educacional.”

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.