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Como o “palestinismo” se tornou a nova doença do mundo ocidental?

Publicado por “Por Israel” http://www.porisrael.org
Autor – Gabriel Mondlak, fundador do Kibutz Attesi (um kibutz criado no México)

O mundo já foi paralisado por um vírus que parecia imparável. Mas o COVID, com todo o seu alcance, ficou aquém da doença que hoje nos invade. O “palestinismo” é mais sutil e perigoso. Não ataca os pulmões, mas sim a consciência. Espalha-se por narrativas manipuladas e por uma desconexão espiritual profunda. É um vírus moral que infecta aqueles que buscam causas justas sem a coragem de encarar a verdade. E, como todo vírus, se aproveita de sociedades enfraquecidas, sem raízes nem identidade, e de gerações inteiras de jovens sem bússola, marchando como cordeiros atrás de uma mentira que não compreendem.

Hoje em dia, as pessoas falam sem dar importância ao poder da palavra. Cospem opiniões como se fossem verdades absolutas, sem ter consciência do peso que uma frase pode ter — não apenas no nível político ou social, mas também no nível físico e espiritual. Falam de Israel como se fossem juízes com uma autoridade moral intocável, como se em suas próprias casas reinasse a harmonia, como se seus filhos e parceiros estivessem bem cuidados, como se suas próprias vidas não estivessem cheias de incoerências. Gritam de varandas enferrujadas, acreditando ser referências éticas, enquanto ignoram a dor nas suas próprias ruas, enquanto ignoram guerras e misérias em seus próprios países.

Por que todos opinam sobre Israel como se fosse o único conflito do mundo? Hoje existem mais de 50 guerras ativas no planeta. Algumas piores. Algumas com números que congelam o sangue. Mas nenhuma gera a obsessão internacional que Israel gera. Nenhuma desperta as marchas, os hashtags, os cartazes de papelão com slogans reciclados. Por quê? O que se ativa no coração do mundo quando se fala dos judeus?

Estamos diante de uma doença. Uma ideologia que se disfarça de causa justa, mas que na realidade se alimenta do ressentimento, da ignorância e da necessidade desesperada do mundo moderno de projetar seu próprio caos em outro. O “palestinismo” não é uma defesa do povo palestino; é uma desculpa para não olhar para dentro. Uma forma de adiar a pergunta mais incômoda: em que me tornei?

O mais perturbador é que essa ideologia intoxicou especialmente o mundo ocidental. Aqueles países que se sentem moralmente superiores, que se orgulham dos direitos humanos, da inclusão e da liberdade, e que agora se entregam voluntariamente a movimentos que desprezam tudo isso. Jovens feministas que marcham pelo Hamas, sem entender que sob esse regime seriam assassinadas. Intelectuais que repetem narrativas pré-fabricadas sem jamais terem pisado no Oriente Médio. Influenciadores que vivem da superficialidade de suas redes sociais, exibindo seus corpos vazios de alma, falando sobre um conflito que não compreendem, apenas porque isso lhes dá alcance e likes. Atores, jogadores de futebol, políticos corruptos e ditadores genocidas: todos com algo a dizer sobre Israel. Todos com o dedo acusador bem afiado. O cúmulo da hipocrisia.

E o pior: ninguém fala árabe. E não me refiro apenas ao idioma. Refiro-me à cultura, aos códigos, às intenções que não se verbalizam. O que significa quando um árabe sorri? O que significa quando ele aperta sua mão? O que o mundo ocidental entende sobre a visão de poder, de guerra, de martírio, de inimigo? Nada. E, no entanto, exigem que Israel lute esta guerra com as regras de sua ingênua democracia. Como se estivesse enfrentando um adversário que compartilhasse seus valores. Como se isso fosse um debate em Oxford.

O palestinismo é uma farsa. Uma que sequestrou a mente de milhões. E o pior é que já começou a cobrar suas vítimas: universidades tomadas, crianças com kufiyas, cidades transformadas em campos de propaganda, líderes vendidos ao melhor postor. Venderam-se barato. E seus filhos pagarão caro.

Se realmente quisessem ajudar o povo palestino, o empoderariam com base em sua responsabilidade, não com base em sua vitimização. Mas não. Usam-nos como espelho. Porque o grito de “Free Palestine” não é apenas um grito político. É o grito de uma alma vazia pedindo socorro. Que precisa acreditar que está fazendo algo pelo mundo, porque não consegue lidar com seu próprio vazio.

Israel não é perfeito. Nenhum país é. Mas esta guerra, que nos foi imposta em 7 de outubro com o massacre mais brutal desde o Holocausto, é uma linha que não pode ser cruzada. E foi cruzada. O que vier agora, goste ou não o mundo, será consequência de uma escolha feita pelo Hamas. Cada imagem devastadora de Gaza é também uma pergunta: por que seus líderes escolheram esta guerra? Por que construíram túneis e não abrigos? Por que armazenaram armas sob hospitais e não comida para seu povo? Porque iniciaram uma guerra para aniquilar os judeus e, agora que estão perdendo, usam as imagens de sua própria destruição para comover o mundo, usam seus filhos para pressionar o cessar-fogo. Esse é o resultado de tantos anos semear ódio nos corações de suas crianças e agora estão colhendo o resultado, mas não querem assumir a responsabilidade. É mais fácil culpar. E os ignorantes, os analfabetos, acreditam.

O mundo ocidental está cavando sua própria cova. Porque não quis impor limites. Porque confundiu liberdade com relativismo. Porque entregou sua cultura, sua história, seu futuro, em troca de aprovação. Mas em breve, quando a ideologia que hoje abraçam se instalar em suas casas, quando seus filhos forem doutrinados e suas ruas forem governadas pelos valores do Corão mais radical, terão que pedir ajuda a Israel. Então, talvez entendam. Talvez se lembrem de por que estamos aqui.

Porque sem Israel, sem esse pequeno ponto no mapa, o mundo perderia muito mais do que uma democracia. Perderia um farol. Israel não é perfeito, mas é o último bastião de uma história milenar que não se rende. Um povo que retorna à sua terra depois de milênios e a faz florescer novamente. Que contribui com a ciência, a medicina, a agricultura, a tecnologia e a espiritualidade. Que, mesmo com tudo contra, continua escolhendo a vida.

Israel não é arrogância, é propósito. É disciplina no meio do caos. É esperança com raízes. É a prova viva de que é possível construir sem destruir, florescer sem esmagar, defender-se sem perder a alma. Às vezes, o mundo precisa de um exemplo, e esse exemplo incomoda. Porque quando alguém vive sem direção, quem tem rumo parece uma ameaça. Mas não viemos para ser ameaça. Viemos para servir. Para curar. Para lembrar que a alma do mundo ainda respira.

O povo judeu não é melhor do que ninguém. Mas tem carregado, ao longo da história, um chamado: viver com propósito, sustentar a chama do sagrado em um mundo que muitas vezes esquece o essencial. Esse compromisso — com a vida, com a justiça, com a memória — tem sido sua bússola. Embora hoje essa bússola seja desprezada por muitos, chegará o dia em que voltará a ser procurada. Porque, quando tudo se apagar, e o ruído e a confusão não trouxerem mais consolo, continuará brilhando uma pequena luz naquela terra ancestral. E essa luz, se for permitida, pode voltar a inspirar o mundo inteiro.

Imagem: divulgação oficial do PSL (Partido pelo Socialismo e Liberdade) norte-americano. A frase principal em seu site é: “Para o planeta viver, o capitalismo tem que terminar”, bem direto. É o maior organizador dos protestos contra Israel e a favor do grupo terrorista Hamas nos Estados Unidos. Parece que a relação capitalista do Hamas de roubar ajuda humanitária e revender por preços aviltantes para sua própria população não é de interesse do PSL discutir.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.