MundoÚltimas notícias

Como será o ataque ao Irã?

A primeira consideração é por que não aconteceu na semana passada. E como será o ataque ao Irã é uma pergunta geral.

O Irã insiste que as manifestações de seu próprio povo não são de seu próprio povo, mas de “agentes” do Mossad e da CIA. Cada iraniano descontente não é um cidadão, mas um demônio espião terrorista estrangeiro. Se as manifestações tivessem sido de fato montadas pelos EUA, elas teriam acontecido quando o aparato militar estivesse em posição Se houvesse qualquer coordenação, os EUA teriam dito: “não agora!”

E os manifestantes deveriam ter dado uma olhada na internet para saber onde estavam os porta-aviões dos EUA. Um estava no sul do Mar da China e é este que se desloca e deve chegar na área de lançamento dos F-18 para atacar o Irã, na quarta a noite ou quinta, que seria a uns 500 ou 400 km da costa, dependendo de reabastecimento aéreo. Os outros dois ativos estão na costa da Venezuela. E os outros, em cais nos EUA. Um está se deslocando e deve passar pelo estreito de Gibraltar apenas no domingo, ainda totalmente fora do alcance para lançar aviões contra o Iraque.

Assim, entre querer apoiar os manifestantes e poder apoiar os manifestantes há dois oceanos de distância. O motivo pelo qual nem EUA nem Israel eliminaram os sistemas russos de interferência com o Starlink, que são veículos militares ou antenas fixas frágeis, é incompreensível A eliminação poderia ser feita com drones lançados de dentro do Irã. Será que não há mais os ativos do Mossad e CIA que fizeram este tipo de ataque na Guerra dos 12 Dias?

Os EUA, tecnicamente, não precisam dos porta-aviões, mas, em termos de doutrina de proteção dos bombardeiros B-52 e B-2, precisam. Vamos tentar entender.

F-35 que são aviões stealth, invisíveis ao radar, eliminam radares de fabricação chinesa e tornam os mísseis antiaéreos no Irã inúteis. Israel tem 3 modelos de F-35 para fazer isso. Dois são stealth, um deles é de longo alcance e pode ir e voltar do Irã sem reabastecimento. Outro modelo não é mais stealth, mas também é de longo alcance.

Se a aviação do Irã de segunda e terceira geração levantar voo, será abatida por alguns caças F-22 stealth americanos. Cada um pode atingir 4 aeronaves inimigas. Os F-35 também podem transportar mísseis ar-ar de última geração com alcance de 150 km.

A partir deste momento, quaisquer aviões podem bombardear Irã. Os EUA estavam com 25 F-15 na Jordânia. Agora tem 40. Cada um pode levar 5 bombas guiadas de 900 kg. Os F-22 podem levar cada um duas bombas de 900 kg e dois mísseis ar-ar nesta configuração.

Então por que ainda não houve o ataque?

Certamente são necessários os bombardeiros B-2 com as bombas enormes perfurantes de bunker. São bombas de 1,5 a 3 toneladas que só estas aeronaves podem transportar. Alguns do F-15 de Israel podem levar uma bomab de 1,5 tonelada de fabricação local.

Eles vão voar num ambiente já sem radares e já sem qualquer avião iraniano. Portanto, num cenário onde o ataque teria domínio total do espaço aéreo e escoltas não seriam necessárias.

Na guerra dos 12 dias os aviões iranianos nem tentaram decolar. Assim, os EUA decidiram escoltar os B-2 com caças F-18 dos porta aviões. Não podem se arriscar ter um B-2 abatido, mesmo que a probabilidade seja muito baixa. Então, vão usar a mesma tática, que está no manual deles, e esperar o primeiro porta-aviões estar em alcance de lançamento dos aviões F-18 de escolta, que também podem realizar ataques ao solo.

Junto com cada porta-aviões vêm 4 destroyers lança-mísseis da classe Arleigh Burke, com mísseis Tomahawk, além de submarinos com mísseis Tomahawk que têm localização sigilosa e estão por aí.

Mas no modelo atual de ataque aéreo, o Tomahawk, com ogiva de 450 kg que era uma “bomba grande”, agora é uma “bomba média”. Um B-52, por exemplo, pode lançar 18 bombas de 900 kg, guiadas a laser, ao mesmo tempo, cada uma para seu alvo preciso.

Rapid Dragon

Dois dias atrás, quatro aeronaves de transporte pesado C-17A Globemaster III da Força Aérea dos Estados Unidos foram enviadas para a base de Diego Garcia, que é uma ilha-base aérea pertencente à Inglaterra ao sul do Golfo Pérsico mais próxima à Antártida. Eles podem estar transportando bombas para outras aeronaves ou podem ser parte do sistema Rapid Dragon.

É uma arma que os EUA nunca utilizaram e se trata de “pacotes” de mísseis cruzadores ou mísseis guiados, transportados por aeronaves de carga e que são lançados de paraquedas. No ar, os mísseis são disparados e vão buscar os alvos deles.

Um B-52, que é um bombardeiro, e, apesar de ser uma plataforma muito antiga, os atuais são todos digitais e tecnologicamente atualizados e com motores modernos, pode transportar 20 mísseis de cruzeiro com alcance de 930 km. Já um C-17 pode transportar 45, mais até que os submarinos. Quatro C-17 poderiam lançar 180 mísseis de cruzeiro contra o Irã, ainda desde fora do espaço aéreo iraniano. Um B-1 que é o maior bombardeiro americano, pode lançar 24 mísseis.

Um simples Hércules C-130 pode lançar 12 mísseis cruzadores com o sistema Rapid Dragon. Este sistema transforma todos os aviões grandes de transporte em aviões de ataque. E só funciona quando existe controle total do espaço aéreo. O Hercules leva três pacotes de 4 mísseis, e o C-17 leva cinco pacotes de 9 mísseis.

É muito provável que os EUA estreiem isso em combate no próximo ataque e talvez isso explique o motivo de tanta movimentação de aviões de transporte rumo ao Oriente Médio. Alguns que foram para lá e não voltaram para a Europa.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Na foto oficial da USAF, um pacote Rapid Dragon e carregado no C-130.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.