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Egito e UE aceleram planos para nova força policial em Gaza

Com o apoio de uma resolução da ONU e planos de paz dos EUA, diplomatas correm contra o tempo para treinar milhares de oficiais palestinos. O objetivo? Substituir o Hamas na segurança do dia a dia.

O cenário pós-guerra em Gaza começa a ganhar contornos mais definidos nos bastidores da diplomacia internacional. Segundo informações recentes, o Egito e a União Europeia (UE) estão intensificando os preparativos para implantar uma nova força policial palestina na Faixa de Gaza.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para estabilizar a região e preencher o vácuo de poder, alinhando-se ao plano de paz de 20 pontos proposto pelos Estados Unidos. Mas, como tudo no Oriente Médio, a execução é complexa e cheia de desafios.

O Plano em Movimento

Fontes diplomáticas confirmaram que o Cairo e Bruxelas estão focados no treinamento de policiais. A ideia não é enviar soldados europeus ou egípcios para patrulhar as ruas, mas sim capacitar palestinos — preferencialmente locais de Gaza que conheçam o terreno e a população — para assumir essa responsabilidade.

  • O papel do Egito: O país vizinho já começou a treinar policiais. Estima-se que cerca de 5.500 nomes já foram indicados pela Autoridade Palestina (AP) para passar por academias egípcias, com uma meta final de preparar até 10.000 oficiais.

  • O papel da UE: A Europa busca replicar o sucesso de suas missões de apoio na Cisjordânia. A UE planeja treinar cerca de 3.000 oficiais e pode vir a liderar a coordenação desse esforço, com financiamento de seu orçamento de política externa.

O Grande Dilema: Quem serão esses policiais?

Aqui reside a maior polêmica. Oficialmente, diplomatas insistem que a nova força será livre de membros do Hamas. A verificação de antecedentes (o vetting) seria feita por Israel e pelos EUA para garantir que os recrutas não tenham laços com o grupo terrorista.

No entanto, relatos contraditórios sugerem que, nos bastidores, pode haver pressão ou acordos tácitos para incluir ex-membros da polícia administrativa do Hamas ou facções locais, algo que Israel vê com extrema desconfiança.

Além disso, há um desafio logístico: após quase duas décadas de controle do Hamas, encontrar oficiais da antiga Autoridade Palestina (expulsa em 2007) que ainda tenham idade e preparo físico para atuar é difícil.

Milícias e o Vácuo de Poder

Com o Hamas enfraquecido, mas ainda tentando manter a ordem em certas áreas, surgiram milícias locais e grupos armados, alguns dos quais colaboraram com Israel durante o conflito ou operam como “gangues” locais.

Existe um debate sobre integrar ou não esses grupos na nova polícia. Enquanto alguns veem neles uma alternativa pragmática ao Hamas, especialistas alertam que legitimar milícias com históricos criminosos pode ser um erro fatal para a estabilidade futura de Gaza.

O Que Vem Pela Frente?

Ainda não há uma data oficial para o envio dessa força, mas diplomatas esperam que a Força Internacional de Estabilização (que atuaria em paralelo à polícia) comece a surgir nas próximas semanas, com a polícia assumindo suas funções possivelmente no início de 2026.

A proposta é que a força internacional cuide da “segurança pesada” (fronteiras, desmilitarização), enquanto a polícia palestina lidaria diretamente com a população civil.

Para Israel, a prioridade é garantir que o Hamas não retorne ao poder. Para os palestinos, a esperança é que uma força local possa trazer ordem sem a presença militar israelense direta nas ruas. Resta saber se o plano sairá do papel conforme o desenhado nos gabinetes diplomáticos.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.