Estreito de Ormuz Fechado ou Aberto?
Irã declarou que, para receber petróleo vindo pelo Estreito de Ormuz, basta expulsar de seu país os embaixadores dos EUA e Israel.
A marinha do Irã hoje é inexistente após 51 de seus 57 navios terem destruídos). Uma fragata foi acolhida em asilo num porto na Índia. Constam nos arquivos militares internacionais 109 embarcações, mas a diferença fica por conta de lanchas rápidas de patrulha com 3 a 6 tripulantes, que não podem ser definidas como um navio de guerra capaz de oferecer qualquer risco.
Restou-lhe a Jihad verbal e hoje estes disparos foram muito intensos.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) declarou: “Qualquer país árabe ou europeu que expulse de seu território os embaixadores de Israel e dos EUA terá, a partir de amanhã, plena autoridade e liberdade para passar pelo Estreito de Hormuz”. “Nossa mão está aberta para expandir o escopo da guerra, e nós determinaremos o seu fim.”
Um oficial militar iraniano disse à agência Fars: “Não permitiremos que sequer uma gota de petróleo seja exportada da região para o inimigo e seus aliados até novo aviso”.
Enquanto isso, há informações de OSINT, desde ontem à noite, de que os petroleiros estão entrando e saindo através do estreito de Ormuz com seus transponders desligados, portanto invisíveis nas plataformas públicas de monitoramento, não havendo mais nenhum sistema de radar naval iraniano em operação para indicar alvos a mísseis antinavio.
Curiosamente, nenhum dos 7 petroleiros já atacados desde o dia 28 de fevereiro foi atingido por míssil, mas apenas por drones. Nenhum deles estava carregado de petróleo (há fotos e vídeos onde é possível ver a linha d’água do navio muito exposta, indicando que não há carga) e estavam entrando no Golfo e não saindo do Golfo. Sabe-se que as cargas de petróleo para a China estão passando normalmente desde o dia 28 de fevereiro, sem qualquer interferência americana posterior.
Ontem, um dos comandantes atuais da Guarda Revolucionária, aos gritos na TV, disse que o Irã está pronto para encarar 10 anos de guerra contra os EUA e Trump disse que a guerra está se encaminhando para o final.
O Irã ameaça o mundo a sobreviver com petróleo a 200 dólares o barril, mas uma simples declaração ontem de Trump fez o preço retroceder a 90 dólares, após ter atingido 113 dólares. Hoje, terça-feira, dia 10 de março, chegou a ser comercializado a 80 dólares e, no momento da redação deste artigo, estava em 88. Antes do início da guerra, o valor era de 67 dólares.
Ainda existe uma ferramenta de estabilização que Trump não utilizou. Remover todas as sanções ao petróleo russo, devido à Guerra da Ucrânia. O Brasil, por exemplo, compra gasolina e diesel da Rússia, mesmo com as sanções. Trump liberou petroleiros russos oficiais e da frota fantasma que estão no mar, a vender seu petróleo ou combustível na Índia, aliviando o mercado lá.
A Rússia é o maior produtor de petróleo e gás do mundo e torce para a situação no Golfo piorar para as sanções lhe serem removidas.
Os EUA possuem toda a capacidade militar para eliminar todos os lançadores de mísseis antinavio no litoral de Ormuz e já devem ter destruído a maioria. Todavia, são consideravelmente menores e mais fáceis de mover e camuflar que os mísseis balísticos de longo alcance.
Na visão islâmica em geral, e não apenas na xiita, não existe a palavra “rendição” no dicionário árabe. Ao se render o país, ou uma tropa, ou um exército muçulmano se declara, teologicamente, como um “falso muçulmano”: “Os verdadeiros muçulmanos vencerão todas as suas batalhas.” Por isso, os países árabes venceram a Guerra da Independência, em 1948, a Guerra do Sinai, em 1956, a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Guerra do Iom Kippur, em 1973, que o Egito chama de Guerra do Ramadã, o Hamas derrotou Israel na guerra atual e o Irã impôs uma derrota humilhante a Israel e EUA na Guerra dos 12 Dias. A verdade militar e no terreno, não importa. Apenas a narrativa.
Se o regime xiita não for completamente removido, ele vai declarar que venceu a guerra. Isto é um fato.
NO FECHAMENTO DESTE ARTIGO ÀS 17H50
A CNN publicou que o Irã tinha iniciado a colocação de minas navais no Estreito de Ormuz.
O CENTECOM informou que estavam utilizando aquelas pequenas lanchas, que citamos acima, com capacidade de 2 a 3 minas apenas por viagem.
Trump publicou no Truth Social que desde que a CNN divulgou até agora, pouco mais de uma hora, 10 destas lanchas já tinham sido afundadas. Devem existir entre 30 e 40 somente. A lógica está sendo a mesma do lançadores de mísseis balísticos. Uma missão, e é destruído, antes ou em seguida a ela.
Antes da guerra os EUA tinham posicionado 7 a 8 navios varredores de minas no Golfo Pérsico, aguardando esta ação iraniana. Acredito que não existe uma operação real de desminagem em alto mar desde a Segunda Guerra Mundial. Finalmente vão poder usar o treinamento e equipamentos.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem ilustrativa sobre a possibilidade real do Irã manter fechado o Estreito de Ormuz, criada por IA.

