EUA Querem 70 Países para Força de Estabilização em Gaza
O Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou pedidos formais a mais de 70 países solicitando tropas ou financiamento para uma força internacional de estabilização em Gaza, conhecida como International Stabilization Force (ISF). Essa iniciativa, que enfrenta dificuldades para se concretizar, visa manter a ordem no território palestino após o conflito, substituindo gradualmente o controle do Hamas e das forças israelenses.
De acordo com reportagem do Wall Street Journal citada pelo The Times of Israel, os pedidos foram enviados na última segunda-feira e alcançaram nações de diversos portes, incluindo potências europeias como França e Itália, além de países menores como El Salvador e Malta. Países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, já estão colaborando com os EUA na busca por financiamento.
Respostas Iniciais e Condições
Um oficial americano informou que 19 dos 70 países contactados demonstraram disposição para ajudar, seja com tropas, apoio logístico ou equipamentos. No entanto, há uma condição importante: essas nações só aceitam operar em áreas controladas por Israel — atrás da chamada “Linha Amarela”, que delimita os cerca de 53% de Gaza ainda sob controle das Forças de Defesa de Israel (FDI). Os EUA pressionam para que a força atue também na “zona vermelha”, controlada pelo Hamas, mas enfrentam resistência.
Comentário: do que adianta enviar tropas internacionais para as áreas onde estão as tropas de Israel? Isso é muito sem sentido.
Essa força de estabilização é peça-central da próxima fase do plano de paz para Gaza proposto pelo presidente Donald Trump. A primeira fase incluiu um cessar-fogo frágil iniciado em 10 de outubro de 2025, com troca de reféns e prisioneiros. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 17 de novembro, autorizou a criação da ISF e um “Board of Peace” para supervisionar a transição. A devolução de reféns ainda não terminou. Falta um corpo.
Trump mencionou recentemente que anunciará os líderes do Board of Peace no início do próximo ano. No entanto, persistem desafios significativos, especialmente em relação ao desarmamento do Hamas. O grupo terrorista afirma publicamente que não discutiu desarmamento com mediadores (EUA, Egito e Qatar) e só aceitará isso após a criação de um Estado palestino. Fontes indicam, porém, que o Hamas sinalizou ao Egito disposição para descomissionar armas pesadas sob supervisão cairoita.
Conferência em Doha e Perspectivas de Implantação
Autoridades americanas revelaram à Reuters que tropas internacionais poderiam ir para o terreno já no próximo mês, sem combater diretamente o Hamas. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) realiza nesta terça-feira (16 de dezembro) uma conferência em Doha, com representantes de mais de 25 países, para discutir estrutura de comando, composição, treinamento e regras de engajamento da ISF. Um general americano de duas estrelas é cotado para liderá-la.
Apesar do otimismo oficial, a implantação parece distante. Países como Indonésia (que se ofereceu para enviar até 20 mil tropas para tarefas humanitárias e de reconstrução) e Azerbaijão ainda estão em fases de planejamento e pedem mais detalhes sobre o mandato da força. O plano prevê que a ISF comece em áreas israelenses e avance conforme a estabilização, permitindo a retirada gradual das FDI com base em marcos de desmilitarização.
Desafios Persistentes
A iniciativa enfrenta obstáculos como a relutância de países em operar em zonas de risco com o Hamas, a ausência de anúncios formais de contribuições de tropas e questões não resolvidas sobre o desarmamento. Além disso, Israel veta a participação de certos países, como a Turquia, devido a seus laços com o Hamas.
Esse esforço reflete a ambição da administração Trump de avançar para uma Gaza estável e desmilitarizada, mas o caminho ainda é cheio de incertezas. A conferência em Doha pode ser um passo decisivo, mas o sucesso dependerá de compromissos concretos e da manutenção do cessar-fogo.
