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Israel precisa parar de tocar sirenes de alerta

Essa opinião é ruim e você não vai gostar.

Israel precisa parar com os alertas de mísseis disparados pelo Iémen “obrigando” a população de vastas áreas a interromper suas atividades e correr para abrigos. Um dos objetivos do terrorismo é impossibilitar a vida normal na sociedade. Correr todos os dias para abrigos, sem que haja perigo real, apenas possível, pois a força aérea israelense vem derrubando os mísseis, não pode ser encarado como “a nova vida normal”.

O governo israelense precisaria COMPROVAR E MOSTRAR para a sociedade, não para nós aqui, que sim, existem destroços de todas estas interceptações caindo no tecido urbano. Mas não existe sequer um vídeo em mídias sociais, mostrando qualquer destroço nas grandes e médias cidades israelenses. Vimos apenas dois ou três na Samaria e outros dois alegados na Jordânia, sem imagens.

Pedaços de mísseis destroçados no ar não podem ser considerados como de segurança nacional e suas fotos não darão qualquer informação ao inimigo. Ou existe o perigo verdadeiro e o governo israelense mostra qual é, ou é mais correto parar com os alertas e arriscar um improvável ferimento em alguém.

Sabe-se por amigos que vivem em Israel que, a cada dia, menos pessoas se abrigam quando as sirenes tocam. Recentemente, na final do campeonato israelense de futebol, o Iémen atacou intencionalmente durante o jogo. O locutor do estádio ordenou às pessoas que não saíssem de seus lugares, pois seria o caos e elas não conseguiriam chegar a tempo a um abrigo, de qualquer forma.

Vários vídeos mostram também pessoas na praia de Tel Aviv, desnecessariamente andando rumo a calçada durante as sirenes, também sem qualquer possibilidade de chegar a tempo a um abrigo. Melhor ficar onde estão. Alguém ouviu falar de destroços de mísseis na praia de Tel Aviv? Claro que não.

Nos alertas durante a madrugada, sabe-se que um número enorme de pessoas não sai de suas camas, enquanto outras procuram os quartos resistentes “mamad” de seus apartamentos e casas.

Esse toca-sirene-corre-pro-abrigo, diário, sem aparente necessidade, com o canal do IDF informando “As sirenes foram acionadas de acordo com o protocolo”, e ninguém na sociedade civil sabe qual é o protocolo, vai se tornar “É o Lobo! É o Lobo!”

Ou será que ninguém mais leia ou conheça a história infantil? É provável que não, pois num mundo chato, com sociedades woke, esta história é muito agressiva: pessoas armadas, caçadores, crianças com medo de animais selvagens maus. Nada a ver com “bobagização” das histórias infantis contemporâneas.

Para quem não sabe, na história, uma criança gosta de infernizar os aldões (bullying) gritando “é o lobo”, mobilizando a defesa da aldeia sem necessidade e sem ter lobo algum exigindo se proteger. O garoto gosta da confusão que cria (qualquer semelhança com aquele rapaz que fazia ameaças de bomba contra avões e instituições judaicas porque gostava de ver as notícias e a confusão que criava, é meramente a mesma coisa).

Assim, por muito tempo o garoto dá o alarme de lobo, sem que haja lobo criando perigo, os caçadores pegam em armas e se preparam, a aldeia se mobiliza. Belo dia, vem o lobo, o garoto grita e a aldeia, que está com o saco cheio, acha que é um alarme falso, mais uma vez, e não se prepara. Ótimo para o lobo. O tal “protocolo” do IDF é o garoto.

É muito desagradável ver nos pronunciamentos do Iémen e nas mídias do Hamas e Hezbollah que os judeus são covardes e correm como ratos quando o Iémen dispara mísseis.

Isso também lembra muito a propaganda maciça e o ensino nas escolas norte-americanas, durante a Guerra Fria do “Duck and Cover”: Quando você vir o clarão da explosão nuclear, se abaixe e se proteja. Ou seja, morra abaixado e protegido. Quando vemos fotos e mais fotos de israelenses deitados nas ruas “se protegendo” de destroços que se imagina cairão do céu sobre eles, percebe-se que as pessoas não raciocinam. Qual é o melhor alvo para você ser atingido lá de cima? Em pé ou completamente exposto, deitado no chão?

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.