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Parlamentar argentina é indiciada por publicações nas redes sociais anti-Israel

 

A ex-deputada argentina Vanina Biasi, do partido de esquerda “Partido Operário”, foi indiciada criminalmente após comparar Israel ao regime nazista e classificá-lo como um “Estado genocida” em redes sociais.

Trata-se da primeira vez na Argentina que um parlamentar em exercício enfrenta indiciamento por antissemitismo, com base em postagens que demonizam Israel como Estado.

A acusação se baseia em oito publicações no X, feitas entre 27 de novembro de 2023 e 29 de janeiro de 2024, nas quais Biasi escreveu declarações como:

  • “Os nazistas sionistas precisam destruir a ajuda humanitária da UNRWA para que o extermínio acelere. Usam fome, como nos campos de concentração nazistas, como método de extermínio.”
  • “O Estado sionista é nazista por suas práticas e ideologia.”

Os promotores argumentaram que essas postagens extrapolam o direito à liberdade de expressão, configurando discurso de ódio conforme a Lei Antidiscriminação da Argentina. Em abril, um juiz federal concordou e ordenou o congelamento de bens no valor de cerca de US$ 7.500.

O indiciamento foi confirmado por unanimidade pela Câmara Federal, que reafirmou que a liberdade de expressão não é absoluta e pode ser limitada para proteger direitos alheios, segurança pública ou ordem moral.

Vanina Biasi é figura destacada do Partido Operário, ex-deputada nacional e, atualmente, vereadora eleita em Buenos Aires. Se condenada, ela poderá cumprir pena de um mês a três anos de prisão.

O caso gerou divisões na Argentina: alguns defendem que, embora ofensivas, as postagens deveriam permanecer sob o abrigo da livre expressão; outros aplaudem a firme postura do governo no combate ao antissemitismo. O país também adota desde 2020 a definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto), que inclui, entre outras, a comparação de Israel com os nazistas como exemplo de discurso antijudaico.

Vanina Natalia Biasi, 51,  assumiu seu cargo em junho de 2024, substituindo Myriam Bregman, e renunciou em julho de 2025, como parte de um acordo de rodízio implementado pela Frente de Esquerda dos Trabalhadores.

O “Partido Obrero”, que é traduzido tanto como Partido Operário, como Partido dos Trabalhadores, é um partido abertamente comunista trotskista, com mais características que o tornam similar ao PCO, no Brasil, que ao PT, apesar do nome. Possui uma cadeira em 257 da câmara dos deputados argentina.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.