Pezeshkian desesperado pela falta de água e eletricidade no Irã
Dias atrás, o prefeito de Teerã voltou a utilizar o libelo antissemita criado por Mahmoud Ahmadinejad, quando presidente do Irã. Naquela ocasião, Ahmadinejad disse que os judeus usavam magia negra da Cabalá para desviar as nuvens de chuva e provocar a seca no Irã.
Desta vez, o prefeito acusou os judeus e os norte-americanos de possuírem equipes secretas de controle climático, em Israel, na Turquia e no Azerbaijão, que impedem que as nuvens de chuva cheguem ao território iraniano.
Nos últimos dois dias, as notícias do Irã dão conta de uma falta de água e de energia elétrica gravíssima, ameaçando mesmo a sociedade iraniana.
Mas pera lá! Água e eletricidade não têm nada a ver uma com a outra no Irã, ou tem? A matriz geradora de eletricidade no Irã é 92% por queima de gás natural e óleo bruto (petróleo) e 8% pelo reator nuclear de Busher. O Irã é um dos maiores produtores de petróleo e gás do mundo.
Usam a queima, para gerar vapor de água e, com isso, girar turbinas que geram eletricidade. No reator nuclear, também é isso que acontece. Se a situação é tão grave que não há água para gerar vapor para gerar eletricidade, então o país acabou! E isso não parece ter absolutamente nada a ver com os ataques de Israel durante os 12 dias de guerra, caso contrário, o Estado Judeu estaria sendo acusado diretamente.
Nesta segunda-feira, dia 11/ago, o atual presidente iraniano, Pezeshkian, num pronunciamento oficial estranhíssimo, transmitido pela TV de lá, disse: “Não temos água sob nossos pés ou nos aquíferos”. O Irã possui 11 sistemas de lagos e represas. No ano de 2016, na gestão de Ahmadinejad, já era público que apenas um dos aquíferos estava aumentando em volume e os outros 10 vinham numa curva de diminuição, por aumento de captação de água, já nos 10 anos anteriores. “Não temos água na represa”, acrescentou Pezeshkian.
“As chuvas este ano diminuíram em 40%. Me digam o que fazer. Estou perguntando a qualquer um que saiba, acadêmicos, gente das universidades, me digam o que fazer”. Talvez o discurso mais desesperado que um líder mundial já proferiu: eu não sei o que fazer para resolver a situação de meu país, se alguém souber, diga para mim!
Para Pezeshkian, com amor
Vou tomar a liberdade de dizer ao presidente do Irã o que fazer, mas ele não vai gostar. Primeiro, parece que esperar que Allah resolva não está dando certo. Isso deveria ser visto como um sinal de que o Irã não está no caminho que Allah deseja para ele.
Se, ao invés de culpar a bruxaria judaica e ter implementado um bilionário programa militar de mísseis para varrer Israel do mapa, o governo do Irã tivesse investido em dessalinização de água do mar, teria água potável à vontade. Israel fez isso e, desde 2023, toda a água consumida em Israel é água do mar. O lago Kineret (Mar da Galileia), o reservatório natural de água potável, não é mais explorado há anos.
A UAE, o Kwait, Dubai, Oman, Catar e Arábia Saudita, todos têm amplo fornecimento inesgotável de água potável através de dessalinização. Agora não dá mais tempo, Pezeshkian. Se não odiasse Israel e os judeus, poderia ter comprado a tecnologia. Se não estivesse numa guerra santa contra os sunitas, podia ter comprado a tecnologia deles (que não é a israelense).
A outra solução é mais complicada e custaria ainda mais: importar água da Turquia através de navios ou com a construção de um aqueduto. Bem, você deve estar engasgado, não é, Pezeshkian. A Turquia também é um inimigo.
Talvez, presidente, você tenha entendido que seu país está a semanas, ou talvez dias, de ser invisibilizado como sociedade moderna e todos os que têm soluções possíveis para amenizar a curto prazo e resolver a questão a médio prazo, são seus inimigos! Inimigos que vocês criaram!
Eu ia dizer para você tomar um copo d’água para desengasgar, mas talvez não tenha mais. A solução, presidente Pezeshkian, é fazer um acordo de paz com Israel em que o Irã vai trocar a paz por usinas de dessalinização, com desconto, é claro.
Libelos climáticos
Ao longo de toda a Idade Média, os judeus na Europa eram sempre acusados, e por vezes assassinados, quando havia secas ou enchentes. A culpa era sempre atribuída, pelos líderes católicos medievais, à magia negra praticada pelos judeus.
Essa bobagem, este absurdo, retornou no século 21 no Irã, que não possui criatividade para criar os próprios libelos e requenta os libelos católicos contra os judeus.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

