Judeus de Nova York são o principal alvo de crimes de ódio
Judeus de Nova York seguem como principal alvo de crimes de ódio em 2025, apontam dados do NYPD
Judeus continuam sendo, de longe, o grupo mais atingido por crimes de ódio na cidade de Nova York. Dados divulgados pelo Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) mostram que, em 2025, mais da metade de todos os incidentes motivados por preconceito tiveram judeus como alvo.
Ao todo, a polícia registrou 330 ocorrências antissemitas, de um total de 576 crimes de ódio suspeitos no ano. Isso significa que 57% de todos os casos reportados envolveram hostilidade contra judeus — o equivalente a um incidente a cada 26 horas, apesar de os judeus representarem cerca de 10% da população da cidade.
Nenhum outro grupo chegou perto desses números. Houve 52 incidentes relacionados à orientação sexual, a segunda categoria mais atingida. Também foram registrados 45 casos contra pessoas negras, 30 islamofóbicos, 25 contra asiáticos, 8 contra hispânicos, 11 contra pessoas brancas, além de ocorrências baseadas em gênero, etnias não especificadas e outros grupos religiosos.
Os dados se referem a incidentes suspeitos, não a condenações. Casos desse tipo podem ser reclassificados ao longo das investigações caso não seja possível comprovar motivação discriminatória — algo que, segundo especialistas, explica por que condenações por crimes de ódio são relativamente raras, já que a lei exige a prova clara do viés. Quando confirmados, esses crimes costumam resultar em penas mais severas, por serem entendidos como ataques não apenas a indivíduos, mas a comunidades inteiras.
Apesar de alarmantes, os números de 2025 representam uma queda de 3% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 339 incidentes antissemitas. No geral, os crimes de ódio na cidade diminuíram 12% em comparação com 2024.
Ainda assim, organizações de segurança judaicas alertam que muitos casos provavelmente não são denunciados, o que pode significar que o problema é maior do que indicam as estatísticas oficiais.
O aumento do antissemitismo se intensificou após o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, mas autoridades destacam que, mesmo antes disso, judeus já eram o grupo mais frequentemente visado por crimes de ódio em Nova York. Os incidentes incluem desde agressões físicas até vandalismo e assédio verbal.
“Esses números continuam extremamente altos, e o antissemitismo segue sendo a forma de ódio mais persistente que enfrentamos”, afirmou a comissária do NYPD, Jessica Tisch, durante coletiva de imprensa ao lado do prefeito Zohran Mamdani e da governadora do estado, Kathy Hochul.
Hochul anunciou que apresentará, em seu discurso anual State of the State, uma proposta para criar zonas de segurança ao redor de casas de culto, garantindo que fiéis possam frequentar esses espaços sem medo de violência ou intimidação. A medida ganhou urgência após protestos agressivos registrados diante de sinagogas, incluindo um episódio em Manhattan no fim de 2024.
Embora os crimes violentos em geral tenham diminuído na cidade, parte da comunidade judaica permanece apreensiva com a atual administração municipal, especialmente devido às posições críticas do prefeito Mamdani em relação a Israel. Ele, por sua vez, tem reiterado o compromisso de combater o antissemitismo e proteger os judeus nova-iorquinos, mas ainda não se viu nada na prática, muito pelo contrário.
Uma de suas primeiras decisões como prefeito — a revogação do uso da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) — gerou críticas de importantes organizações judaicas e do Museu do Holocausto dos Estados Unidos. Embora Mamdani tenha mantido o Escritório de Combate ao Antissemitismo criado pela gestão anterior, ainda há incertezas sobre sua liderança e diretrizes.
Para muitos judeus da cidade, os dados do NYPD reforçam uma realidade preocupante: mesmo em queda, o antissemitismo continua sendo uma ameaça constante no cotidiano nova-iorquino.

