Os partidos ultraortodoxos emperram lei sobre isenção do serviço militar
Os partidos ultraortodoxos (haredim) disseram não à versão mais recente do projeto de lei que trata da isenção do serviço militar para jovens do setor. Com isso, o caminho está praticamente aberto para eleições antecipadas em setembro.
De acordo com o Canal 12, os dois principais partidos haredim — United Torah Judaism (UTJ) e Shas — rejeitaram o texto atualizado da proposta. Isso coloca em risco a aprovação da lei, que já vem gerando muita polêmica.
A lei, que supostamente aumentaria o recrutamento de haredim para o Exército, na prática mantém brechas que permitem que estudantes em tempo integral das yeshivas continuem isentos. Muita gente acha que o texto é cheio de furos e tem validade jurídica duvidosa.
O que está acontecendo?
- O líder espiritual da facção Degel HaTorah (dentro do UTJ), o rabino Dov Lando, orientou os deputados a não avançarem o projeto neste momento. Ele acredita que Netanyahu não pretende realmente aprovar a lei e estaria usando o tema como manobra política para ganhar tempo.
- O rabino já havia dito antes: “Não caiam em joguinhos políticos”.
Netanyahu tentou de tudo para salvar o acordo: pressionou deputados da coalizão que eram contra a lei e voltou a colocar o projeto na pauta depois que os haredim ameaçaram derrubar o governo. Mesmo assim, não conseguiu apoio suficiente.
Não existe outra coalizão para os partidos hareidim, exceto com o Likud.
Eleições à vista
Com a rejeição, os partidos haredim seguem pressionando para dissolver o Knesset e antecipar as eleições. Eles querem que a votação aconteça por volta do dia 15 de setembro (no meio das festas de Rosh Hashaná e Yom Kippur). A Comissão Eleitoral já reiterou, algumas vezes, que não tem como antecipar as eleições devido a todos os preparativos para realizar o pleito.
Na semana passada, o Knesset já aprovou em primeira leitura, por unanimidade, um projeto para dissolver a casa. As eleições devem acontecer no máximo até 27 de outubro.
Contexto do problema
Desde que a Suprema Corte decidiu em 2024 que os haredim também precisam servir, mais de 79 mil ordens de alistamento foram emitidas. Porém, apenas 2.100 realmente se alistaram. A polícia tem sido bem leniente: entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, apenas 17 foram presos preventivamente por evasão.
Atualmente, o Exército calcula que há cerca de 32 mil haredim considerados evasores, número que pode chegar a 80-90 mil em breve. Com mais de dois anos de guerra, as Forças de Defesa de Israel enfrentam uma grave falta de pessoal.
Existem pessoas em Israel, principalmente do espectro mais à esquerda, que imaginam ser possível prender e manter na cadeia mais de 70.000 hareidim que não se apresentaram para o alistamento militar. Mas isso é praticamente impossível.
Smotrich, que vem do sionismo religioso, vertente que se alista voluntariamente nas FDI, já cansou de declarar que os hareidim que não estudam Torah tem que se alistar. Mas as lideranças hareidim e o público em geral, mantém uma imagem de que todos os hareidim estudam Torah o dia inteiro, o que não é verdade.
Por trás do problema
A maior parte do segmento hareidi que não se apresenta para o alistamento, mesmo sendo lei em Israel e ordenado pela Suprema Corte pertence a linhas de pensamento ortodoxas que levam cartazes em manifestações dizendo que não aceitam as leis de Israel, apenas aceitam as leis religiosas. Então, por que iriam cumprir esta? Outros dizem que a Suprema Corte é antissemita por os obrigar ao serviço militar e por não impor as leis religiosas em todo o país. Então, por que iriam cumprir esta? Outros sempre afirmaram que as Forças de Defesa de Israel são nazistas. Então por que iriam se alistar nelas?
Não se trata de covardia ou de medo ou de receio. É uma questão puramente de pensamento religioso.
Talvez o principal problema impedidor visto pelos rabinos-chefes hareidim (cada ramo tem um), é a não aceitação total de ter homens hareidim em contato com mulheres, muito menos, recebendo ordens de mulheres o que é o ápice da proibição na forma como eles veem o mundo, e o medo, aí sim, de que os hareidim em contato com o mundo real, deixem de ser hareidim.
Dentro da crença de todos os setores ditos hareidim, quem sempre defendeu Israel foram eles, estudando a Torá. O estudo é a grande arma e Deus atua nas guerras, não os soldados.
Resumo: a briga pela lei de isenção do serviço militar dos haredim continua emperrada, os partidos ultraortodoxos não estão satisfeitos e o governo de Netanyahu caminha cada vez mais para eleições antecipadas em setembro.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem real de judeus hareidim em Israel se manifestando contra o alistamento militar: “Israel é um país antissemita”, “Nós vamos para a cadeia, mas não para o exército”. Quem diz isso são eles. Se você não quiser acreditar, então não acredite.

