Sinwar queria que Israel lançasse bomba atômica em Gaza
Documento atribuído a Sinwar revela que Hamas previa até resposta nuclear de Israel ao ataque planejado.
Um documento manuscrito atribuído ao ex-líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, indica que a organização terrorista considerava a possibilidade de Israel recorrer a medidas militares extremas – incluindo um eventual ataque nuclear – caso fosse executada uma ofensiva em larga escala contra o território israelense.
O memorando, datado de 24 de agosto de 2022 e divulgado a partir de documentos apreendidos pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) durante a guerra em Gaza, detalha a visão estratégica de Sinwar para uma invasão de grande porte. Segundo o material, o objetivo seria romper as defesas da fronteira, ocupar temporariamente localidades israelenses, expulsar moradores, capturar reféns e provocar um impacto psicológico e político sem precedentes em Israel. A ocupação temporária seria “um objetivo simbólico”.
De acordo com o documento, Sinwar avaliava que Israel poderia responder com força máxima diante de um ataque dessa magnitude. Entre os cenários considerados pelo líder do Hamas estava até mesmo a hipótese de emprego de armamento nuclear, demonstrando que ele acreditava que uma escalada extrema era um risco real. Ainda assim, o manuscrito sugere que essa possibilidade não era vista como suficiente para impedir a execução do plano.
Tente entender: Sinwar avaliou que Israel iria lançar uma bomba atômica em Gaza após o 7 de outubro que isso SERIA BOM, SERIA POSITIVO. Não era algo que deveria impedir os árabes da Faixa de Gaza de invadir Israel e massacrar judeus. Devemos imaginar sonhando com uma explosão nuclear que tornasse, em fração de segundos, dezenas ou centenas de milhares do “povo dele” em mártires no Paraíso. Como combate algo demoníaco assim?
As anotações fazem parte de uma série de documentos capturados por tropas israelenses em Gaza após o início da guerra desencadeada pelo massacre de 7 de outubro de 2023. Autoridades israelenses afirmam que esse material oferece um panorama inédito do processo de planejamento da ofensiva conduzida pelo Hamas e da forma como sua liderança avaliava as possíveis reações militares e diplomáticas de Israel.
Segundo as informações divulgadas, Sinwar defendia que uma operação de grande escala alteraria o equilíbrio estratégico da região, mesmo diante de uma resposta militar devastadora. O documento também reforça a percepção de que o Hamas planejou durante anos uma operação complexa, envolvendo ataques coordenados contra comunidades israelenses próximas à Faixa de Gaza, bases militares e a captura de civis e soldados como reféns.
Especialistas em segurança consideram que a divulgação desses manuscritos ajuda a compreender o grau de planejamento que antecedeu os ataques de outubro de 2023. As informações também alimentam o debate sobre as avaliações estratégicas da liderança do Hamas e sobre a forma como o grupo calculava os riscos de uma escalada regional antes de colocar sua operação em prática.
Até o momento, não há qualquer evidência de que Israel tenha cogitado utilizar armamento nuclear durante a guerra. O documento apenas registra a avaliação feita por Sinwar sobre quais poderiam ser as respostas israelenses diante de uma ofensiva de grandes proporções.
A descrição de como Sinwar queria o ataque
Sinwar traçou planos operacionais detalhados, especificando a quantidade de combatentes a serem enviados para pontos específicos e prevendo 25 violações simultâneas da cerca entre Israel e Gaza, com o objetivo de assumir o controle de 25 cruzamentos viários distintos. Ele concebeu “esquadrões bem treinados” executando cada uma dessas infiltrações, sendo que cada esquadrão era composto por 100 combatentes.
Sinwar também planejou para que mais de 2.210 combatentes atacassem 221 pequenas comunidades no sul, e mais de 1.600 atacassem oito comunidades maiores. Ele afirmou que 1.200 combatentes seriam enviados para atacar cidades israelenses e 2.000 para atacar bases militares. Ele imaginou que a força de combate total seria composta por cerca de 10.000 terroristas, nenhum dos quais estaria ciente da extensão completa do plano.
Os números são consideravelmente maiores do que a quantidade de palestinos que realmente invadiram Gaza em 7 de outubro. As Forças de Defesa de Israel estimam esse número em aproximadamente 5.600, sendo cerca de 3.500 combatentes do Hamas, acompanhados por cerca de 580 combatentes do grupo Jihad Islâmica Palestina e cerca de 1.400 outros árabes de Gaza.
Neste documento de Sinwar está claramente planejada a captura de “imagens terríveis” para serem usadas como propaganda contra Israel e contra os judeus.
Lendo o que publicamos acima, fica claro que Sinwar não conseguiu executar o plano dele em termos de comunidades a serem atacadas. Mas as rupturas da cerca/muro, que ele pretendia fossem 25, chegaram a 119.
O resumo disto é simples: para uma “ocupação simbólica” de comunidades e pequenas cidades de Israel, Sinwar estava disposto a imolar seus próprios civis. Isso, é claro, não vai fazer quem acusa Israel de genocídio, perder um minuto de atenção em demonizar os judeus, quando o demônio é o árabe. O lema da “Inundação de Al Aqsa”, Vitória ou Martírio, desde o início do planejamento, previa o martírio como objetivo principal, com o agravante de “culpar” os judeus pela obtenção do objetivo.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem ilustrativa em homenagem aos planos de Sinwar gerada por IA.

