O Chanceler Que Deve a Vida da Avó a Israel, Mente de Forma Covarde e Acusa o País de “Limpeza Étnica”
Nesta terça-feira, o chanceler britânico Ed Miliband subiu à tribuna da Câmara dos Comuns. Antes de anunciar as sanções mais duras que Londres já impôs a Israel, fez uma confissão pessoal. Disse-se um orgulhoso judeu britânico. Disse-se grato ao Estado de Israel por ter dado um lar à sua avó, depois que ela perdeu o marido e mais sessenta parentes às mãos dos nazistas. Minutos depois, o mesmo homem anunciou outra coisa. O governo de Sua Majestade concorda, disse ele: há “limpeza étnica” de palestinos na Judeia e Samaria, cometida por “terroristas colonos”.
Absolutamente desprezível, mentiroso.
Considerando a historia entre o povo judeu e os ingleses, fica a pergunta.
Quem são os ingleses para dar lição de moral ao povo judeu?
O país que salvou a avó de Miliband da fúria de um regime genocida é hoje descrito pelo próprio neto dela com o vocabulário daquele regime.
As medidas não são gesto simbólico. O Reino Unido vai proibir a importação de produtos dos ditos assentamentos. Vai impedir empresas britânicas de financiar, construir ou prestar qualquer serviço a eles. Vai apertar o embargo de armas para barrar exportações que “contribuam materialmente” para a ocupação. Miliband foi além: pela primeira vez, Londres trata como ilegal não apenas os assentamentos, mas toda a presença israelense na Judeia e Samaria. O estopim oficial foi o projeto E1, que ligaria Jerusalém a Ma’ale Adumim, uma obra planejada há mais de trinta anos, congelada e descongelada a cada rodada de pressão internacional. Nenhum tribunal com jurisdição sobre o Reino Unido jamais teve competência para vetá-la.
Novamente e desculpem a repetição, quem são os ingleses para dizer que a presença de judeus na Judeia é ilegal?
Judeus vem da Judeia. Simples, verdadeiro e ponto final.
Paris e Ottawa prometeram seguir o exemplo. Meia Europa nórdica foi atrás. Israel respondeu como quem já esperava o golpe: o chanceler Gideon Sa’ar chamou a acusação de “mentiras ultrajantes” e anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém. Até o chanceler-sombra conservador, Tom Tugendhat, avisou que transformar Israel em pária pode sair caro, inclusive em mais violência antissemita nas ruas britânicas. Quando os próprios adversários de Miliband enxergam o risco, talvez o problema não esteja em Jerusalém.
Vale lembrar o pano de fundo. Andy Burnham assumiu o número 10 de Downing Street há menos de dois meses. É o sétimo premiê britânico em uma década de estagnação econômica e crise do custo de vida, com o Partido Trabalhista despencando nas pesquisas. Nenhum governo europeu em apuros resiste à tentação de descobrir, de repente, uma urgência moral no Oriente Médio.
É sempre mais fácil apontar o dedo para Jerusalém do que explicar ao eleitor por que a conta de luz não para de subir.
Há um cálculo que Downing Street parece não ter feito. Israel vai às urnas em outubro. Benjamin Netanyahu enfrenta a eleição mais difícil da carreira. Se a esperança britânica era fortalecer alguma ala moderada israelense, sancionar o país inteiro em plena campanha é a forma mais segura de obter o efeito contrário. Pressão externa raramente derruba um governo de linha dura. Quase sempre o reelege. Assim esperamos.
Fica, então, a cena para a posteridade, registrada em Hansard: um homem descrevendo a dívida que sua família tem com o Estado judeu e, no parágrafo seguinte, tratando esse mesmo Estado como um pária. A história tem memória mais longa que qualquer nota do Foreign Office. Ela lembra sempre quem abriu a porta quando a avó de alguém precisava dela. E lembra quem, uma geração depois, resolveu bater essa porta na cara de todo o resto.
por Ipad Asher – analista político

