O partido AfD obteve 44% dos votos na Saxônia e lideranças judias alemãs estão preocupadas
Desde a eleição geral alemã de 2025 com o crescimento avassalador do partido AfD (Alternativa para a Alemanha), as lideranças judaicas alemãs estão preocupadas. Algumas se mostram apavoradas com o crescimento do “fascismo e nazismo”. Precisamos tentar entender o quanto isso é o mesmo discurso de esquerda que define Trump com fascista e nazista, como define os “Bolsonaros” e seus eleitores (culpa coletiva) como fascistas e nazistas, e como define o governo do Likud em Israel como fascista e nazista.
Se nenhum dos três últimos é fascista e nazista, o primeiro é? Uma condição que torna os três primeiros em absolutamente nazistas é que DEFENDEM ISRAEL!!! Ponto! Defender Israel caracteriza alguém como nazista! O outro, é o próprio Israel nazista… Considere que a Rússia continua afirmando que a Ucrânia é nazista. Portanto, declarar que algum país ou governante é nazista e/ou genocida, está na cartilha da esquerda política, e da Rússia atual que é duguinista, inclusive da esquerda judaica.
Sim! Vamos encontrar pessoas racistas e com discurso nazista ou semelhante ao nazista em todos os partidos de direita política no mundo, sem que os partidos tenham estas posições. Ao passo que vemos todos os partidos de esquerda no mundo usando o ideário nazista contra os judeus, e não apenas algumas pessoas dentro dos partidos. Então, o acuse-os pelo que você é, das cartilhas marxistas é a norma.
E parece que as lideranças judaicas alemãs estão afinadas com a narrativa do “judeu bom antissionista que protege os muçulmanos” enquanto os muçulmanos querem nos matar, abertamente. Portanto, um partido que defende Israel e quer expulsar os muçulmanos da Alemanha, só pode ser racista e nazista. Nunca judeus foram tão cegos quando hoje.
A fala das lideranças judaicas europeias mais a esquerda, neste caso, é muito semelhante a fala que a esquerda judaica tem sobre o partido nazista, quando confrontada com o nome completo: Partido Nacional SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMÃES. Dizem que escolheram o “socialista” para enganar os eleitores. Hoje, dizem que o AfD apoia Israel para “enganar a todos”. A mesma narrativa, idem ao contrário.
Análise sobre o que é de fato o AfD
A AfD (Alternative für Deutschland) apresenta posições complexas, heterogêneas e frequentemente instrumentais em relação a Israel, judeus e palestinos. Há uma tensão clara entre declarações oficiais de solidariedade a Israel (especialmente após o 7 de outubro de 2023) e tendências internas de revisionismo histórico, antissemitismo e críticas crescentes a Israel, além de uma postura consistentemente dura contra organizações e grupos palestinos.
Posição oficial e pública em relação a Israel
A AfD se apresenta, especialmente desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, como solidária a Israel e como defensora do direito de existência e autodefesa do Estado judeu. Declarações da bancada no Bundestag e de figuras como Alexander Gauland enfatizaram solidariedade plena a Israel e ao povo judeu, enquadrando Israel como um posto avançado ocidental em uma região hostil.
A partido já apoiou medidas como a proibição de atividades do BDS (Boycott, Divestment and Sanctions) na Alemanha e se posicionou contra resoluções críticas a Israel em alguns contextos. Em posicionamentos sobre o conflito Israel-Irã (2025), a bancada da AfD afirmou apoio decidido ao direito de existência e segurança de Israel, embora condicionasse ações militares israelenses a evidências claras de ameaça nuclear iraniana e priorizasse a estabilidade regional para evitar fluxos migratórios para a Europa.
No entanto, há divisão interna significativa:
– Figuras como Alice Weidel tendem a expressar apoio mais claro (incluindo a segurança de Israel como interesse nacional alemão, embora com ressalvas sobre armas).
– Tino Chrupalla e partes da ala mais radical (especialmente do leste alemão, ligada a figuras como Björn Höcke) criticam “solidariedade exclusiva” ou “unilateral”, opõem-se a entregas de armas a Israel, falam em crimes ou excessos em Gaza e enfatizam uma política de “Alemanha em primeiro lugar”. (OBS: a Alemanha não vende armas para Israel, é ao contrário.)
Análises (incluindo da Fundação Konrad Adenauer, que é ligada a União Democrata-Cristã da Alemanha, partido de centro direita na Alemanha, portanto opositor a AfD) descrevem a “solidariedade com Israel” da AfD como majoritariamente instrumental: serve para legitimar a hostilidade ao Islã/muçulmanos, atacar oponentes políticos e desviar a atenção de elementos extremistas e antissemitas dentro do partido. Organizações judaicas alemãs e líderes judeus europeus (como o presidente do Congresso Judaico Europeu) rejeitam a AfD como parceira, citando raízes e tendências antissemitas e neonazistas.
Relação com judeus e antissemitismo
A AfD afirma combater o antissemitismo e proteger a vida judaica na Alemanha, atribuindo a ameaça quase exclusivamente ao “antissemitismo importado” de muçulmanos e migrantes de países de maioria muçulmana. O programa eleitoral de 2025 menciona que a vida judaica é ameaçada “predominantemente por muçulmanos e anti-israelenses” e pede o combate rigoroso a ataques e o banimento de eventos como o Dia de Al-Quds.
Críticas e evidências apontam problemas graves:
– Casos recorrentes de declarações antissemitas, revisionismo histórico (ex.: minimização do Holocausto ou da cultura de memória alemã) e presença de figuras com histórico problemático, membros e não posição do partido.
– Pesquisas mostram que eleitores da AfD apresentam níveis acima da média de atitudes antissemitas (incluindo a ideia de que judeus se beneficiam da culpa alemã pelo Holocausto). (eleitores e não o partido).
– Organizações judaicas e especialistas classificam a AfD como ameaça ou “partido para antissemitas”, apesar da retórica pró-judaica. Há um pequeno grupo “Juden in der AfD” – “Judeus na AfD (criado em 2018)”, mas a aceitação entre a comunidade judaica é mínima. (Você consegue entender o que seria antissemita pró-judeu? Nós não.)
– Medidas propostas (como restrições ao shechita/abate ritual kosher de gado sem atordoamento prévio) afetariam práticas judaicas religiosas, só que na Alemanha, afetariam muito mais os muçulmanos, cujo abate ritual é o mesmo. Em outros países é proibido. Na Suíça é proibido desde 1894 (leu certo, 1894 mesmo) e a carne kosher e hallal é importada sem nenhum impedimento.
A solidariedade declarada é vista por muitos analistas como estratégia para se distanciar do nazismo e atrair votos, enquanto o antissemitismo (muitas vezes codificado via teorias conspiratórias sobre “globalistas”, “Soros” ou influência judaica) persiste em partes do partido.
Posição em relação a palestinos
A postura é consistentemente crítica e hostil a organizações e movimentos palestinos, especialmente os ligados ao Hamas ou acusados de antissemitismo:
– A AfD exige o fim do financiamento alemão à UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos), acusando-a de vínculos com o Hamas, de promover ódio e de perpetuar o status de refugiado. Também pede o corte de ajuda ao desenvolvimento e humanitária às áreas palestinas, argumentando que financia terrorismo, corrupção e educação antissemita.
– Após o 7 de outubro, a bancada pediu medidas contra protestos pró-palestinos e a expulsão de estrangeiros que importem o conflito.
– A narrativa dominante trata o antissemitismo e a hostilidade a Israel como problemas principalmente “importados” via migração muçulmana/árabe, e não como questão doméstica de extrema-direita.
– De acordo com seu manifesto eleitoral provisório, o AfD se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e é favorável às uniões civis. A vice-líder do AfD, Beatrix von Storch, manifestou-se publicamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em um esforço para revogar as leis que legalizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o AfD entrou com uma ação judicial sobre o assunto em 2017.
– O AfD é contrário ao aborto.
– O AfD é um partido economicamente liberal.
Em resumo, a AfD combina uma retórica oficial pró-Israel e de “proteção aos judeus” (focada no antissemitismo muçulmano) com críticas internas crescentes a Israel, oposição a armas e solidariedade “excessiva”, e uma linha dura anti-palestina/anti-UNRWA. Especialistas e a comunidade judaica consideram essa postura majoritariamente tática e incompatível com a presença de elementos antissemitas e revisionistas no partido. As posições não são totalmente uniformes e variam entre alas mais moderadas/conservadoras e a mais radical (especialmente no leste da Alemanha).

Quando se vê o mapa eleitoral alemão de 2025 ele é o mesmo mapa das duas Alemanhas. O que era a Alemanha Ocidental, vota no centro e esquerda. O que era Alemanha Oriental, a comunista auto determinada “democrática”, vota no AfD, porque quem viveu num regime comunista, quer a maior distância possível da esquerda. Berlim, cosmopolita, vota da esquerda.
O partido conservador, que mantém o domínio eleitoral do oeste da Alemanha é totalmente favorável a manter a porta aberta para os imigrantes muçulmanos, mas no governo do país, fez e faz acordos militares comprando sistemas de defesa antimíssil de Israel, apoia Israel, realizou diversas operações contra muçulmanos radicais, inclusive fechando mesquitas especificas e senta a borduna em manifestantes pró-palestinos mais exaltados nas ruas.
A diferença é simples: judeus não vão às duas conclamando a morte de infiéis, não incendeiam carros, não assaltam, espancam e estupram alemães, não interrompem o trânsito para orar no meio das ruas. Parece que dito assim, fica muito claro porque existe uma oposição legítima aos imigrantes muçulmanos na Europa.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem: líderes do AfD ao ser divulgado o resultado eleitoral do estado da Saxônia, foto oficial.

