Vários países decidiram boicotar produtos da Judeia e Samária. Mas eles importavam estes produtos?
Países europeus decidiram boicotar produtos da Judeia e Samária. Entenda se o boicote é real ou político, pois vários deles nada importam da Judeia e Samaria. Além disso, Ed Miliband fez uma declaração muito racista.
Hoje, 12 países (França, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal e Suécia) anunciaram ou confirmaram a intenção de restringir/embargar a importação de produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia (Judeia e Samária), em um movimento coordenado liderado pelo Reino Unido e França. Alguns já tinham medidas nacionais anteriores (Espanha desde final de 2025/setembro de 2025; Irlanda com lei aprovada em 2026); outros estão introduzindo agora. Não há banimento em nível de UE devido a oposições internas.
Dados de investigações recentes (principalmente o relatório Importing Occupation do Global Echo Litigation Center, baseado em milhares de documentos de exportação de 2017 a início de 2026, e análises complementares de CIDSE/Who Profits) mostram que produtos agrícolas de assentamentos (especialmente tâmaras/Medjool, cítricos, manga, abacate, tahini, ervas) entravam regularmente na Europa, frequentemente rotulados como “Produto de Israel” para obter tratamento tarifário preferencial indevido sob o acordo UE Israel (os produtos de assentamentos não têm direito a isso). Cerca de 17 19% dos envios agrícolas analisados para UE/Reino Unido/Noruega/Suíça continham origem em assentamentos.
França: Principal porta de entrada (junto com Países Baixos e Alemanha, cerca de 71% dos produtos rastreados de assentamentos para a UE). Portos como Marselha Fos. Envio contínuo documentado.
Reino Unido: Destino documentado nos dados do Global Echo (junto com UE, Noruega e Suíça). Havia falhas de verificação de origem pela HMRC; produtos entravam e se beneficiavam indevidamente de preferências. O banimento anunciado hoje é novo.
Espanha: Recebeu muitos envios (ex.: ~120 de 160 analisados continham produtos de assentamentos, principalmente tâmaras, valor mínimo ~4,8 milhões de euros; ~12% dos envios de assentamentos para UE via Espanha até set/2025). Empresas como Hadiklaim, Field Produce Marketing e Agrifood Marketing ainda anunciavam exportações para a Espanha em meados de 2026, apesar do banimento de 2025.
Portugal: Documentado em transbordos/trânsito de cargas de assentamentos, ou seja, Portugal era rota e importação e não destino de produtos importados.
Irlanda já tinha lei de proibição; Polônia e outros figuram em volumes menores de exportações israelenses gerais (ex.: tâmaras). Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, não importam da Judeia e Samária, mas importam de Israel, principalmente chocolates, bolos, balinhas e biscoitos kosher, para lojas do segmento judaico. Nos países nórdicos, conta se nos dedos e essa importação não está afetada.
Alemanha, Itália, Hungria, Repulica Tcheca e Austria, não assinaram o documento. Não há como não perceber, que o eixo nazista de 1938 a 1945 hoje não boicota Israel e os países que se afirmam liberais, boicotam parcialmente.
A Autoridade Palestina saudou, com muita alegria a decisão de hoje como “um grande passo para a Solução dos Dois Estados”, mesmo que nenhum grupo político árabe palestino, desde 1964, tenha dado sequer um passinho para a Solução dos Dois Estados, expondo em seus símbolos, apenas um Estado Palestino Único, livre de judeus. A falácia verbal continua.
Enquanto isso, as eleições na Autoridade Palestina previstas para novembro, após 20 anos, não irão acontecer. Imagine só que surpresa… Jibril Rajoub, o novo secretário do Comitê Central do Fatah, anunciou esta noite: “Não acredito que seja possível realizar as eleições em novembro próximo. Foi necessário tomar uma série de medidas antes de publicar o decreto para realizar as eleições. As eleições deveriam ter sido realizadas após um diálogo nacional abrangente.”
E tem a ironia que o Reino Unido se recusa a enxergar:
As comunidades de Judeia e Samaria empregam milhares de palestinos, com salários e direitos reais. O boicote britânico não atinge só judeus — atinge em cheio os palestinos que Londres diz defender. E tem a ironia que o Reino Unido se recusa a enxergar: As comunidades de Judeia e Samaria empregam milhares de palestinos, com salários e direitos reais. O boicote britânico não atinge só judeus — atinge em cheio os palestinos que Londres diz defender.
O ANTISSETMITISMO DE ESQUERDA NOS MAIS ALTOS CARGOS
Hoje (8 de setembro de 2026), durante o anúncio na Câmara dos Comuns (House of Commons) das medidas de boicote/restrições comerciais a produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia (Judeia e Samária), o secretário de Relações Exteriores britânico Ed Miliband declarou explicitamente que o governo britânico considera que há “limpeza étnica” (ethnic cleansing) de palestinos em áreas da Cisjordânia.
“O governo britânico concorda que há limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia – perpetrada por terroristas colonos. E com muita frequência o governo israelense fechou os olhos para isso e pior, membros dele fizeram declarações e tomaram ações para apoiar o deslocamento forçado de palestinos.”
Ele atribuiu a limpeza étnica especificamente a “settler terrorists” (colonos terroristas), acusando o governo israelense de tolerância ou apoio, e não afirmou que o Estado de Israel como um todo pratica limpeza étnica de forma genérica.
REAÇÕES
O Embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, aponta a hipocrisia britânica na imposição de sanções a Judá e Samaria: “Se a Grã Bretanha está realmente interessada em abordar questões que considera inaceitáveis, onde estão as sanções contra a Coreia do Norte, a China e a Rússia?”
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, está lutando contra o uso do termo “Cisjordânia ocupada” usado pela emissora de rádio BBC. Pelas definições da ONU são “territórios em disputa”, retomados em 1967 da Jordânia e não dos “palestinos”.
Smotrich pede a expulsão imediata do embaixador britânico em Israel.
O Ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar anuncia medidas de resposta israelenses contra a Grã Bretanha: “Fecharemos o consulado britânico em Jerusalém. Vamos proibir dez altos funcionários e cidadãos britânicos de entrar em Israel. A Grã Bretanha não poderá mais participar na missão de coordenação sobre Gaza, liderada pelos Estados Unidos, cuja sede está em Israel.”
Parlamentares britânicos proibidos de entrar em Israel:
Jeremy Corbyn, Your Party co founder
Zarah Sultana, Your Party co founder
Naz Shah, Labour Party
Diane Abbot, Labour Party
John McDonnell, Labour Party
Richard Burgon, Labour Party
Hannah Spencer, Green Party
Carla Denyer, Green Party
Sian Berry, Green Party
Ellie Chowns, Green Party
Adrian Ramsay, Green Party
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem ilustrativa, agricultura na Judeia e Samária

