A reunião secreta entre Pete Hegseth e Benjamin Netanyahu teve grande impacto
A reunião secreta entre Pete Hegseth e Benjamin Netanyahu em Ovda teve impacto político imediato e elevou o nível de preparação militar contra o Irã, sem decidir ainda por uma ofensiva.
O encontro ocorreu na segunda-feira (19/20 de outubro de 2026) na Base Aérea de Ovda, no sul de Israel — local onde estão estacionados aviões-tanque, caças americanos e aeronaves A-10 (como usadas oficialmente de fundo para fotos). Foi não anunciado, durou tempo significativo (relatos falam em reunião “excepcionalmente longa”) e contou com a presença do ministro da Defesa israelense Israel Katz e do conselheiro de Segurança Nacional Shmuel Ben-Ezra. O chefe do Estado-Maior das FDI, Eyal Zamir, não foi convidado.
Principais impactos
1. Sinal de alinhamento estreito EUA-Israel sob Trump
A visita de Hegseth (secretário de Defesa americano) um dia depois do endosso público de Donald Trump a Netanyahu reforçou a imagem de parceria total. Netanyahu usou o momento para destacar o apoio americano e a ameaça iraniana. Para o primeiro-ministro, às vésperas das eleições de 27 de outubro, o encontro funciona como cartão de visita de “continuidade e força” perante o eleitorado.
2. Pressão por ação rápida vs. cautela do establishment de segurança
Segundo a i24NEWS e fontes israelenses, Netanyahu e a liderança política defendem ação militar contra o Irã “o mais rápido possível”. O aparato de segurança prefere esperar, embora as Forças Armadas estejam prontas para agir imediatamente se receberem ordem. A exclusão de Zamir da reunião reforça a percepção de que a decisão está sendo conduzida mais no nível político do que no militar.
3. Preparação operacional concreta
O Pentágono já havia ordenado ao CENTCOM que completasse preparativos para possível retomada de operações de larga escala contra o Irã. A presença de Hegseth em Ovda (base chave de reabastecimento aéreo) e as conversas sobre “ameaças na região” e parceria ofensiva/defensiva aumentam a credibilidade de que os EUA estão dispostos a apoiar ou participar de novos ataques — provavelmente depois das midterms americanas de novembro.
4. Riscos eleitorais e de escalada
A inteligência israelense continua alertando que o Irã pode tentar interferir nas eleições com mísseis, atentados ou tentativas de assassinato de líderes. A reunião eleva a prontidão israelense e americana, o que pode deter Teerã ou, ao contrário, precipitar uma ação iraniana. Qualquer decisão de atacar depende, em parte, da urgência e da confiabilidade dessas informações de inteligência.
5. Efeitos regionais e econômicos
O encontro aumenta a tensão no Estreito de Ormuz e no Golfo. Uma retomada de ataques em grande escala poderia voltar a pressionar preços do petróleo e o comércio marítimo. Relatos divergem sobre possível presença de oficiais dos Emirados Árabes Unidos; se confirmada, indicaria tentativa de coordenação regional mais ampla.

6. Ataques necessários só podem ser feitos pelos EUA
Bombardeios profundos, seja na Montanha da Picareta (Picaxe) ou em outras instalações nucleares dependem exclusivamente dos EUA. Somente o bombardeiro B2 pode transportar as enormes bombas perfurantes de 13,5 toneladas. Dias atrás os 12 bombardeiros B1 que estavam estacionados na Inglaterra, voltaram aos EUA, mas eles não servem para estes tipo de ataque. Os alvos frágeis e de superfície como instalações petrolíferas e de energia elétrica podem ser atacados até mesmo com bombas pequenas de 250 kg, portanto, os F-15, F-16, F-18 e F-35 na região, com uma grande variedade de bombas guiadas de até 900 kg, são mais ágeis e muito mais velozes que enormes aeronaves como B1 e B52. As aeronaves B2, cumpriram missões de ataque ao Irã partindo dos Estados Unidos. Não precisam estar na Europa. Podem se enviadas ainda para o atol de Diego Garcia, milhares de quilômetros ao sul do Irã. Portanto, a retirada dos B1 da Europa, não significa nada, em relação ao tipo de arma que os EUA vão usar. Israel possui, bomba própria penetrante, de 1,5 toneladas, que é insuficiente para as montanhas de pedra no Irã.

Consequências
A reunião não desencadeou imediatamente uma ofensiva, mas:
– Fortaleceu politicamente Netanyahu às vésperas do voto.
– Deixou claro que Washington e Jerusalém estão alinhados na preparação para retomar a pressão militar sobre o Irã.
– Exacerbou a divisão interna israelense entre liderança política (pró-ação rápida) e establishment de segurança (mais cauteloso).
– Elevou o grau de prontidão militar e a percepção de risco de escalada nos próximos dias e semanas.
O próximo passo depende tanto do resultado das eleições israelenses quanto da avaliação americana sobre o timing (especialmente em relação às midterms dos EUA) e da qualidade da inteligência sobre possíveis ações iranianas.
Pelo lado iraniano, a reunião foi respondida com uma ameaça mentirosa de destruir a Internet Mundial atacando os cabos submarinos que passam pelo Golfo Pérsico e servem tão somente aos países do Golfo, incluindo o Irã. Leia avaliação completa nestes artigo:
por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Fotos oficiais de divulgação

