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Sistema antidrone da Skapion para abater 100 drones de uma só vez

Sistema antidrone “inédito no mundo” tem como alvo enxames com taxa de interceptação superior a 97%

A nova plataforma da Skapion combina comando e controle com IA e interceptores cinéticos para enfrentar ataques coordenados de drones. Se afasta do conceito não cinético (laser) que nem se sabe se foi mesmo adotado ou não.

A startup israelense de tecnologia de defesa Skapion apresentou um novo sistema de defesa aérea projetado para interceptar grandes quantidades de drones atacantes simultaneamente, abordando um desafio crescente para as forças armadas: interromper enxames coordenados de drones sem esgotar os estoques de interceptores ou os orçamentos de defesa.

A empresa descreveu sua plataforma como o primeiro sistema de defesa “Native Counter-Swarm” (antienxame nativo) do mundo, construído desde o início para engajar múltiplos alvos aéreos ao mesmo tempo, em vez de tratar cada drone como um engajamento separado. A Skapion anunciou o sistema em 14 de outubro, enquanto empresas de defesa se reuniam na Reunião e Exposição Anual da Association of the U.S. Army de 2026, em Washington, D.C.

Segundo a Skapion, o sistema móvel e cinético é projetado para engajar mais de 100 alvos simultaneamente, com uma taxa de interceptação superior a 97%. Esses são, no entanto,o objetivos de desempenho informados pela empresa, e o sistema ainda não demonstrou publicamente esses resultados em um teste de fogo real. A Skapion planeja realizar seu primeiro teste de fogo real nas próximas semanas.

Uma abordagem diferente para enxames de drones

Sistemas convencionais de defesa aérea podem enfrentar dificuldades quando grandes números de drones relativamente baratos chegam juntos. Mesmo quando os defensores conseguem detectar e interceptar ameaças individuais, um ataque coordenado pode sobrecarregar os interceptores disponíveis e criar mais engajamentos simultâneos do que o sistema foi projetado para lidar.

A abordagem da Skapion se centra no que a empresa chama de arquitetura many-to-many (muitos-para-muitos): múltiplos interceptores podem ser atribuídos a múltiplos alvos ao mesmo tempo. Um sistema de comando e controle baseado em IA é projetado para combinar informações dos sensores da própria empresa ou de sistemas de detecção de terceiros, priorizar ameaças em aproximação, alocar interceptores e gerenciar engajamentos em tempo real.

O sistema é destinado a operar de forma autônoma ou com um operador humano supervisionando os engajamentos, dependendo da política do cliente, de acordo com a empresa. Sua arquitetura aberta também é projetada para se integrar a sistemas de comando e controle existentes e a outros sistemas de combate a aeronaves não tripuladas.

A Skapion divulgou que seus interceptores usam uma abordagem totalmente cinética, ou seja, engajam fisicamente os alvos em vez de depender apenas de interferência eletrônica (jamming). Isso pode ser relevante contra drones que operam de forma autônoma ou que não dependem de links de comunicação que possam ser interrompidos.

A arquitetura de lançamento vertical é projetada para fornecer cobertura de engajamento de 360 graus. A empresa afirmou que pode implantar o sistema em plataformas terrestres e marítimas, embora vários relatórios indiquem que a Skapion não está buscando atualmente implantação aerotransportada.

Skapion reboque para diversos tipos de veículos militares. A unidade sem a parte rodante poderá ser instalada até mesmo em coberturas de edifícios de forma simples.

Nas duas renderizações de computador divulgadas, existe uma unidade móvel sobre oito rodas e um reboque estático. Ambas com uma torre de radar 360 graus (tecnologia israelense já existente) e quatro contêineres lançadores, cada um com 25 mísseis. A recarga se dará como no Iron Dome, trocando contêineres inteiros. Diferente do Iron Dome quando a troca, quando feita remove também os mísseis não disparados ainda, este sistema pode recarregar grupos de 25 de forma independente. Disparou 25 de 100, então recarrega apenas um contêiner. Bem mais interessante.

Interceptores projetados para custar menos

O custo é central na proposta do sistema. As forças armadas podem acabar usando armas de defesa aérea caras contra drones que custam muito menos para serem construídos, criando uma troca de recursos desfavorável durante ataques prolongados.

A Skapion pretende reduzir o custo de cada interceptor para aproximadamente US$ 10.000 em escala (cerca de 8% do custo de um míssil do Iron Dome). Os interceptores são projetados para engajar drones a distâncias de cerca de 1 a 7 quilômetros e podem usar buscadores eletro-ópticos ou de radiofrequência. Portanto, seriam mais eficazes que o laser, cuja especificação conhecida seria alcance de 4 km. Sempre lembrando que o laser não manobra e os mísseis podem fazer curvas e trajetórias complexas.

Cada unidade de lançamento pronta para o disparo, portanto, custa um milhão de dólares só em mísseis. Uma plataforma do Iron Dome pronta leva 20 mísseis com um custo estimado de 2.400.00 dólares, em mísseis. Nem precisa fazer conta: 2,4 milhões para 20 abates, 1 milhão para 100 abates.

A empresa prevê distribuir sistemas de lançamento em veículos móveis e outras plataformas, em vez de concentrar toda a capacidade defensiva em poucos locais fixos. Essa rede poderia potencialmente proteger forças militares, infraestrutura crítica e outras instalações contra ataques coordenados. Essas aplicações ainda são prospectivas, e não evidência de uma implantação operacional estabelecida.

O conceito de defesa de artilharia antiaérea é que ela só pode proteger o alvo onde está localizada. Portanto, a ideia da Skapion, que evidentemente é vender o produto e os mísseis de recarga é de colocar uma unidade em cada alvo a ser protegido. E isso é correto: plataformas de petróleo, refinarias, portos, plantas de geração de eletricidade, fábricas estratégias, centros de comando, hospitais, depósitos de munição e o alvo preferencial do momento: centros de dados de Internet e IA. Montado sobre um blindado, poderia dar cobertura a comboios ou tropas de infantaria em ataques.

Teste de fogo real é o próximo marco

A Skapion foi fundada por uma equipe com experiência em defesa e engenharia. Seu arquiteto fundador, o Brigadeiro-General aposentado Pini Yungman, liderou anteriormente a divisão de Sistemas de Defesa Aérea e de Mísseis da Rafael e contribuiu para os programas Iron Dome e David’s Sling de Israel. Esse histórico informa a abordagem da empresa, mas por si só não estabelece o desempenho do novo sistema.

A startup captou US$ 36 milhões em financiamento seed no início de 2026, com a UP Partners e a Khosla Ventures liderando a rodada. O financiamento destina-se a apoiar o desenvolvimento de engenharia, validação e expansão das capacidades da empresa.

O teste de fogo real planejado deve envolver até 50 interceptores mirando pequenos drones de Classe 2 e Classe 3, usando um mecanismo de neutralização baseado em proximidade. A empresa também mira uma avaliação de teste operacional em 2027, com esperança de capacidade operacional na segunda metade daquele ano.

Existem algumas corridas militares neste momento: drones mais velozes, interceptadores de drones mais velozes, mísseis ar-ar menores e mais baratos para uso contra drones, enxames de drones controlados por IA com capacidades de manobras evasivas, que só podem ser neutralizados por mísseis controlados por IA com alta capacidade de manobra. O projeto da Skapion, não é para o campo de batalha atual, mas para o próximo salto da IA de combate. Inverte a lógica da criação de uma arma seguida pela criação de uma defesa ou meios de destruir aquela arma. A defesa está sendo criada ANTES da arma de fato existir. E vai existir.

Por enquanto, a apresentação da Skapion apresenta uma proposta de resposta à economia e à complexidade dos ataques de enxames de drones, e não uma substituição comprovada para os sistemas de defesa aérea existentes. Os resultados dos testes de fogo real e as avaliações subsequentes serão importantes para determinar se sua abordagem pode entregar a escala, a confiabilidade e as vantagens de custo que promete.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.