Israel pressiona Líbano a impedir que o Hezbollah entre em eventual nova guerra com o Irã
Segundo a TV pública israelense Kan, Jerusalém avisou Beirute, por meio dos EUA, que os combates voltarão a se intensificar caso o grupo xiita Hezbollah ataque Israel
Israel pediu ao governo libanês que mobilize tropas para montar bloqueios em áreas habitadas por integrantes do Hezbollah. O objetivo é evitar que o grupo se una ao conflito caso a guerra com o Irã seja retomada. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (2/nov) pela televisão israelense, que citou uma fonte de segurança.
Na imagem: isso é o que as tropas das FDI encontram em “casas de civis” no sul do Líbano. A mesma estratégia do Hamas em Gaza de disseminar estoques militares por todos os cantos. Dentro de um cenário de combate, uma casa de civis com armas militares é um alvo militar legítimo, de acordo com as regras de guerra internacionais. 4 fuzis Ak-47, 30 carregadores, vários kg de munição, uma mira de visão noturna, duas espingardas calibre 12 (imaginavam usar isso para se proteger de drones), 3 passaportes, e um fuzil de borracha (verde) para treinamento. Foto oficial FDI.
De acordo com a emissora, o pedido foi transmitido por mediadores americanos. Jerusalém também teria deixado claro que a violência no Líbano será retomada se o Hezbollah atacar território israelense.
A reportagem não esclarece por que Israel recorreu a intermediários, já que os dois países mantêm negociações diretas, com apoio dos EUA, sobre a implementação de um acordo de diretrizes. O entendimento prevê o desarmamento do Hezbollah e a retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra entre Israel, EUA e Irã em 2 de março, em apoio ao aliado iraniano. A ofensiva provocou intensos bombardeios aéreos israelenses e, em seguida, uma invasão terrestre no sul libanês. Um acordo encerrou o confronto em junho, mas confrontos esporádicos continuam. O Hezbollah jamais cumpriu qualquer acordo que assinou e não assinou, nem participou do acordo atual.
As conversas enfrentam um impasse: o Hezbollah se recusa a cumprir o pacto, que condiciona a saída das tropas israelenses das áreas ocupadas ao avanço do Exército libanês, começando pelas chamadas zonas-piloto, e ao desarmamento do grupo.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou na semana passada que ainda há questões chave sem solução. Segundo ele, o Estado e o Exército do Líbano estão dispostos a tratar das preocupações de segurança por canais de coordenação oficiais, e não por meio de ação militar.
Autoridades libanesas sustentam que os ataques israelenses atrapalham os esforços de Beirute para desarmar o Hezbollah. Israel, por sua vez, argumenta que o Exército libanês não demonstrou capacidade de assumir o papel de segurança previsto no cessar-fogo mediado pelos EUA.
Israel afirma que seus ataques no Líbano visam integrantes do Hezbollah e de outros grupos que classifica como terroristas, ou respondem a disparos contra suas tropas. As Forças de Defesa de Israel mantêm uma zona-tampão no sul do país.
Uma das exigências do governo iraniano para “liberar” o Estreito de Ormuz, continua sendo cessar os combates no sul do Líbano, Gaza, Iêmen e Iraque. Mas vejamos. No Iémen, são os houhits xiitas que atacam as forças do governo legítimo apoiadas pela Arábia Saudita. No Iraque não existem mais tropas norte-americanas e quem ataca os curdos no Iraque é o Irã. Parece que eles simplesmente copiaram e colaram seus “sete pontos”, sem levar em consideração como o cenário mudou.
Israel não pode aceitar qualquer ingerência iraniana tanto na Faixa de Gaza quanto no sul do Líbano. Se Israel aceitar que precisa parar porque o Irã assim o deseja, o próximo nível de extorsão será: “Saiam de Jerusalém senão não abriremos o Estreito de Ormuz”, e em seguida, “Saiam da Palestina senão não abriremos o Estreito de Ormuz”!

