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A União Europeia depende do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz?

Este artigo, com dados atualizados do site da União Europeia e de outros importantes locais para o entendimento de fluxo do petróleo no mundo, tenta responder se A União Europeia depende do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz e também outras questões, como: por que a UE não está interessada em participar das operações militares de reabertura e segurança do Estreito de Ormuz; se é verdade que o petróleo na Europa “vai acabar” devido ao bloqueio em Ormuz; se é verdade que o bloqueio vai causar o caos na Europa.

Acompanhe este texto que a grande mídia não está disposta a publicar.

As Importações de Petróleo da União Europeia: Diversificação Após as Sanções à Rússia

A União Europeia (UE-27) continua altamente dependente de importações de petróleo para atender sua demanda energética, especialmente no transporte e na indústria. Em 2025, as importações de produtos energéticos totalizaram cerca de 723,3 milhões de toneladas, com os óleos de petróleo representando uma parcela significativa. No entanto, o volume e o valor dessas importações vêm diminuindo: em 2025, o valor das importações de óleos de petróleo caiu 17,8% em relação a 2024, enquanto a quantidade diminuiu 6,1%.

O grande marco foi a diversificação acelerada após a invasão russa da Ucrânia em 2022. A UE impôs um embargo ao petróleo bruto russo transportado por via marítima (dezembro de 2022) e aos produtos refinados (fevereiro de 2023). A participação da Rússia nas importações de petróleo bruto despencou de cerca de 25-29% em 2021 para apenas 2,2% em 2025 (e 1,4% no quarto trimestre).

Aqui temos um primeiro ponto importante. A UE importava da Rússia 29% do petróleo que consumia e este valor é MAIOR do que o petróleo que importa através de Ormuz. Quem estabeleceu as sanções ao petróleo russo na Europa, foi a própria UE e não os Estados Unidos.

Importações por País Exportador (Principais Fornecedores)

Os dados mais recentes da Eurostat (2025) mostram uma clara redistribuição das fontes. Os principais fornecedores de óleos de petróleo (incluindo crude) para a UE são:

– Estados Unidos: 15,1% (líder em 2025)
– Noruega: 14,4%
– Cazaquistão: 12,7%
– Líbia: cerca de 9%
– Arábia Saudita: 6,5–6,8%
– Nigéria: cerca de 5,8–5,9%
– Iraque: cerca de 5,2–5,8%
– Reino Unido: 4,8%
– Azerbaijão: 4,1%
– Guiana: 3,8%
– Argélia: 3,7%
– Brasil: 3,4%
– México: 2,2%

É PURA MATEMÁTICA!

Desta lista oficial que consta no site https://www.consilium.europa.eu/pt/infographics/where-does-the-eu-get-its-oil-from/ (para aqueles que duvidarem dela), APENAS 5,8% DO PETRÓLEO IMPORTADO PELA UE passa pelo Estreito de Ormuz, o petróleo iraquiano Retiramos o petróleo saudita desta conta, que chegaria a 12,6%, simplesmente porque os sauditas têm uma alternativa que está sendo utilizada e pode transportar 7 milhões de barris/dia, que é o oleoduto Petroline, em que os navios são reabastecidos no norte do Mar Vermelho, bem próximos ao Canal de Suez.

A primeira resposta está aqui: É UMA MENTIRA ABSOLUTA QUE A UE FICARÁ SEM PETRÓLEO DAQUI A TRÊS OU QUATRO SEMANAS, pois não depende do petróleo adquirido nos países do Golfo e que trafegue pelo Estreito de Ormuz.

Assim, respondemos à outra questão: a UE não está interessada em participar de operações militares no Estreito de Ormuz, porque aquilo lá não importa de fato para sua economia.

E assim respondemos à terceira questão: não é 5,8% das compras de petróleo que vai falir a Europa, remover os carros das ruas e os caminhões das estradas. Isso é simplesmente mentira dos arautos da teoria da conspiração. Estes 5,8% podem ser facilmente diluídos junto ao conjunto de fornecedores.

Você imaginava que a Noruega teria participação relevante na exportação mundial de petróleo?

Outros fornecedores relevantes incluem países do Norte da África, África Ocidental e América do Sul/Central. Em 2024, o Energy Institute estimou as importações totais de crude oil na Europa em 9,3 milhões de barris por dia (b/d), com os seguintes destaques:

– Estados Unidos: 1.921 mil b/d (cerca de 21% do total)

– Outros países da Comunidade de Estados Independentes (CIS, incluindo Cazaquistão e Azerbaijão): 1.622 mil b/d

– Norte da África: 1.159 mil b/d

– África Ocidental: 1.117 mil b/d

– Arábia Saudita: 774 mil b/d

– Iraque: 766 mil b/d

– Rússia: 593 mil b/d (cerca de 6% nesse dado regional, mas inferior na UE-27 devido ao embargo)

A participação combinada dos três principais fornecedores (EUA, Noruega e Cazaquistão) gira em torno de 42% em 2025, demonstrando maior diversificação em comparação com a era pré-2022, quando a Rússia dominava.

Observação: Algumas importações russas residuais (principalmente via oleoduto Druzhba, reativado na terceira semana de abril de 2026) persistem em países como Hungria e Eslováquia, graças a isenções temporárias, mas representam uma fração mínima do total da UE.

Importações por País Comprador (Principais Países da UE)

A UE não divulga com a mesma frequência um ranking detalhado por país comprador para cada fornecedor, mas os maiores importadores de petróleo bruto e produtos petrolíferos são tradicionalmente os países com maior capacidade de refino e consumo:

– Países Baixos (Holanda): Principal hub europeu graças ao porto de Roterdã. Um dos maiores importadores e reexportadores.

– Alemanha: Um dos maiores consumidores, com importações significativas (cerca de 84 milhões de toneladas de crude em 2024).

– Espanha: Alta capacidade de refino; frequentemente entre os top 3.

– Itália: Importa volumes expressivos, especialmente da Líbia (devido à proximidade).

– França: Outro grande importador.

Juntos, Alemanha, Espanha, Países Baixos, Itália e França respondem por cerca de dois terços das importações totais de crude oil da UE. Outros países relevantes incluem Bélgica, Polônia e Reino Unido (embora este último não faça mais parte da UE, é frequentemente incluído em análises regionais da “Europa”).

Os Países Baixos se destacam como destino principal em muitos fluxos devido ao seu papel como centro logístico e de armazenamento. A Alemanha e a Espanha também aparecem consistentemente como grandes importadores em dados da IEA e Eurostat.

Tendências e Contexto

– Redução geral da dependência: A UE tem conseguido substituir o petróleo russo quase barril por barril, mas sem reduzir significativamente o consumo total de petróleo. A diversificação aumentou a resiliência, embora ainda haja dependência de importações (a UE produz pouco petróleo internamente).

– Impacto econômico: O valor das importações caiu em 2025 devido a preços mais baixos do petróleo e menor volume, aliviando parcialmente a conta energética.

– Desafios futuros: A transição energética (REPowerEU) visa reduzir a dependência de fósseis, mas o petróleo ainda representa uma fatia importante. Fatores como tensões geopolíticas no Oriente Médio ou no Estreito de Ormuz podem afetar preços e fluxos (Arábia Saudita e Iraque são fornecedores).

Fontes Principais

– Eurostat: *EU imports of energy products – latest developments* (2026) e dataset nrg_ti_oil.

– Energy Institute / Visual Capitalist (dados de 2024 em barris/dia).

– Council of the EU e outras análises complementares.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem, arte baseada no gráfico do dia da União Europeia

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.