Aluno israelense preso de forma ridícula na Polônia
Um jurista amigo meu, Felix Soibelman, disse na época da acusação contra Musk por “fazer a saudação nazista” que em breve poderemos ser presos se fizermos sinal para o ônibus parar. Alias, sugiro que nunca mais façam. Deixem os outros passageiros fazerem. É mais seguro, dentro de uma sociedade estúpida.
O rapaz, da escola Ort Bialik de Israel, foi truculentamente abordado por membros poloneses da equipe de segurança do campo de concentração de Auswchtiz, que o viram fazer a saudação nazista, logo na entrada, sob o arco do portão. Mesmo menor de idade, foi levado em custódia, acompanhado por um professor e um guia do grupo, acusado, julgado e condenado, sumariamente, a pagar uma multa de 380 dólares.
Ficou detido por duas horas!
Aí começam as versões. Segundo ele e outros alunos, tinha levantado o braço para chamar outros colegas que estavam mais afastados. Não importa para quem quer ver errado. Não importa que a foto utilizada como “prova”, não prove nada e não mostre o braço esticado efetivando a saudação.
Devia ter uma placa à entrada de Auschwitz: “Aquele que aqui levantar o braço, perdei toda a esperança!”
Onde está o discurso e a prática nazista e antissemita nesta questão? Um garoto judeu levantar o braço, ou seguranças católicos poloneses prenderem um garoto judeu no campo de concentração de Auschwitz e o condenarem sumariamente à execução de uma multa? Não poderiam fuzilar, é claro, mas multar estava dentro de sua competência.
Outros alunos disseram que o jovem sim, estava fazendo a saudação nazista como forma de zombar dos nazistas, sendo judeu e livre em Auschwitz.
O réu-vítima e o professor que o acompanhou durante a execução sumária do processo declararam que não lhes foi permitido falar, explicar ou sequer se desculpar. O réu foi declarado culpado antes mesmo de ser apreendido. Os únicos direitos que lhe deram foi a obrigatoriedade de não falar e de pagar a multa.
É um caso bizarrícimo de total abuso de autoridade e total falta de consciência dos seguranças poloneses de Auschwitz.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem: do caso, publicada no X.