Cartunistas presos na Turquia por piada sem graça
Domingo na Turquia aconteceu uma situação lá entre eles, muçulmanos sunitas. Três cartunistas da revista Leman, um treco local na linha do treco Charlie Hebdo francês, foram presos.
O cartum que eles publicaram, e foi removido do ar pelas autoridades turcas está aí acima.
Esteticamente é um lixo. Parece algo feito por uma criança que mal sabe desenhar. Na Leman existem artes espetaculares. Esta é “extra ordinária”.
Está em turco, portanto, “ben” não é filho, como em hebraico. Então temos na língua turca o equivalente em árabe “Salam Aleikum”, paz para todos e “eu (sou) Mohamed (Maomé)”. A figura lembra a de um muçulmano.
E Shalom Aleichem “eu também, (sou) Moisés”. A figura lembra um judeu. Ambos mortos, no céu se cumprimentando. Na Terra, bombas e mísseis para todos os lados.
Está sendo escrito por aí que foram presos por terem colocado Maomé e Moisés judeu, não Moisés muçulmano, dando as mãos. Para quem desconhece o islã e prefere continuar desconhecendo, sem entender como 1,7 bilhões de pessoas enxergam um mundo diferente do nosso, Musa, é Moshé, Moisés, na visão islâmica, muito mais profeta deles que um profeta judeu que tirou o povo hebreu do Egito, a duras pragas.
Mas a questão é mais simples e central ao islã sunita: é proibido desenhar, ou pintar ou produzir de forma gráfica rostos do profeta, das pessoas que o cercavam e dos líderes islâmicos medievais e de antes da Idade Média.

Na literatura com iluminuras islâmicas da Idade Média, existem inúmeras gravuras dos tempos de Maomé. Todas com rostos em branco liso, sem qualquer detalhe. Para os xiitas é diferente e colocam outdoors gigantes com o rosto de Ali, quem assumiu o comando após a morte de Maomé e de onde se origina os “xiat Ali”, xiitas, seguidores de Ali. Resumindo: para os xitas deve se mostrar as faces, para os sunitas é proibido mostras as faces.
Se alguém lembrar, uma célula da Al Qaeda do Iémen trucidou cartunistas e funcionários da Charlie Hebdo, em Paris, por cartuns de Maomé com rosto.
Os editores da Leman também foram presos e parece que soltos após prestarem depoimentos. Em sua defesa, um deles disse que “entenderam errado”. Não é o profeta, mas um muçulmano genérico. Segundo ele, “existem 200 milhões de muçulmanos chamados Mohamed”. Não se arriscou a dizer que o nome judaico mais comum, seria Moisés, até porque não é. Quis mostrar estereótipos facilmente identificáveis de muçulmanos e judeus e quebrou a cara! Ops, desculpe: cara não pode! Correto?
Cerca de 400 pessoas atacaram e vandalizaram a sede da revista.
Quais são as manifestações das esquerdas marxistas ou trotskistas contra humoristas turcos muçulmanos na prisão? “Nenhumas…”
Se você quiser se informar ou se recordar sobre o caso da Charlie Hebdo, o que foi de fato publicado e como o islã sunita trata a questão das faces, citada acima, tem um artigo meu, enorme, do ano de 2006, 19 anos atrás… Amplamente ilustrado e muito explicado. https://www.angelfire.com/journal2/midiajudaica/especiais/maome_cartuns/maome_main.htm
(OBS: a antiga Mídia Judaica Independente, deixou de existir há muitos anos. Restou apenas este site de apoio na Angelfire. Tem outros artigos lá sobre a Amia, com lista completa caracterizada das vítimas fatais e a história dos Protocolos dos Sábios de Sião.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

