Entenda porque os drones estão sendo abatidos pelo Irã e Iêmen
Neste fim de semana, mais dois drones de fabricação chinesa, operados pela Arábia Saudita foram abatidos. Se fizermos uma soma rápida e imprecisa desde 28 de fevereiro, cerca de 60 grandes drones de vigilância movidos a hélice foram abatidos pelo Irã pelo Iêmen. A maioria, modelos americanos MQ-1 e MQ-9 que custam 30 milhões de dólares, fora os equipamentos eletrônicos embarcados. Mas também modelos chineses, operados pela Arábia Saudita e de Israel.
O que está acontecendo se Israel e EUA afirmaram várias vezes que destruíram os sistemas de artilharia antiaérea iranianos? A resposta é muito simples, divulgada no meio militar, mas ausente das mídias. Os ataques contra o Irã visaram os radares, lançadores e estoques de mísseis antiaéreos de médio e longo alcance, mísseis caros de fabricação russa e chinesa, capazes de abater aviões de combate. Só que, em nenhum dos momentos de batalha, seja em 2024, seja em 2026 o Irã conseguiu disparar sequer um destes.
A unidade de radar de uma bateria de S-300 ou S-400 é a arma. Os lançadores e mísseis são a munição. Eliminado o radar, os lançadores não conseguem operar pois os mísseis são guiados pelo caminhão da unidade de radar e comando. São alvos grandes e frágeis.
Os drones a hélice foram abatidos e vão continuar a serem abatidos por um míssil denominado 358 (na foto). Sempre dissemos aqui que os mísseis e drones iranianos são armas ótimas para o cenário para o qual foram projetadas e não fosse o escudo de defesa de Israel, que é impressionante, a história seria outra.
O 358 foi projetado apenas para abater este tipo de grande drone de vigilância e o faz om perfeição. E a um custo estimado de apenas 20 mil dólares. 20 mil para abater 30 milhões ou mais!
Não é um míssil antiaéreo convencional e não é guiado por radar. Possui uma série de sensores óticos chineses. É lançado por um primeiro estágio foguete de combustível sólido e depois voa com um pequeno e econômico motor a jato de fabricação holandesa. O país que recentemente baniu os produtos da Judeia e Samária fabrica o motor dos mísseis 358.
E o míssil não vai direto ao alvo. Ele é um “míssil de patrulha, de emboscada”, que orbita dentro de uma caixa virtual definida antes do lançamento. Pode voar entre 100 km e 160 km dentro desta caixa alterando sua velocidade de 500 a 735 km/h. Quando um drone desdes grandes entra na caixa, voando a cerca de 320 km/h, o 358 o “percebe”, acelera e o abate. A carga explosiva é de apenas 10 kg, numa ogiva com centenas de estilhaços pré-fragmentados, suficientes para causar danos fatais aos grandes drones, alvos muito frágeis. Todos os drones são descartáveis.
E estes grandes drones são tecnologia dos anos 1990 e que entraram em ação no ano de 2001. Ou seja, é uma tecnologia muito antiga para o campo de batalha atual. Talvez seja por isso que os EUA “não se importam” deles serem abatidos. Existem outros drones a jato e drones stealth que o inimigo nem vê e cumprem suas missões.
Como não usa radar ativo, nem é comandado do solo acompanhado por um radar, e o sinal térmico do pequeno motor a jato holandês e muito baixo, os drones de vigilância não percebem que há um 358 vindo para o abate.
Os cientistas iranianos pensaram muito fora da caixa e criaram um drone aéreo de emboscada que atua “dentro de uma caixa aérea virtual”, emboscada aérea que se imaginava impossível. Não parece existir tecnologia para proteger os drones contra o 358.
A questão neste momento é saber se o Iêmen está fabricando estes drones ou usa unidades que recebeu do Irã nos últimos anos. Se estiverem fabricando, com motores holandeses, sensores chineses e outros eletrônicos comprados no mercado, a pergunta óbvia é como isto chega até o Iêmen.
A matemática financeira inexata é simples: 1.200.000 dólares abateram 1.800.000.000 dólares!!!
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem, divulgação houthi.

