Não é verdade que Israel aceitou o número de 70.000 mortos na Faixa de Gaza
Não, as Forças de Defesa de Israel não aceitaram os números de baixas do Hamas em Gaza
Resumo:
– Manchetes afirmando que as Forças de Defesa de Israel “aceitaram” o número de 70.000 mortos divulgado pelo Hamas surgiram de um comentário anônimo em um briefing — não de dados oficiais — e foram posteriormente esclarecidas pelas Forças de Defesa de Israel, afirmando que essa não era a sua posição oficial. Mesmo assim, a narrativa se espalhou globalmente no dia 29 de janeiro.
– A primeira publicação foi pelo Haaretz (O Diário Palestino editado em Israel) aos 20 minutos do dia 29 (imagem abaixo). A partir daí, como o Haaretz que tem zero de credibilidade e é um jornal militante de esquerda, é tido pela mídia esquerdista mundial como a “fonte perfeita” para se informar sobre Israel, praticamente todas a mídias grandes publicaram e as mídias médias se pautaram pelas mídias grandes. Outras mídias israelenses se pautaram pelo que mídias internacionais publicaram. Isso deveria ser um caso de estudo para se entender como uma fake news é produzida e depois viaja com 100% de credibilidade dando voltas ao mundo.
– Vale lembrar que é o mesmo jornal que publicou fala do líder do “Democratas”, ex-líder do Meretz de que os soldados de Israel atiram em crianças palestinas por esporte e que os soldados de Israel são racistas porque NÃO estupram mulheres palestinas. A credibilidade deste lixo publicado deveria ser zero.
– Os números publicados pelo Hamas agrupam combatentes, civis, mortes naturais e mortes causadas pelo próprio Hamas, sem qualquer detalhamento — incluindo uma estimativa de cerca de 11.000 mortes naturais/ano, cerca de 1.000 erros e cerca de 4.000 mortes internas ou relacionadas a disparos acidentais (como os cerca de 1/3 dos misseis lançados pelos terrorista que caem dentro de Gaza, lembrar o caso do Hospital Al Ahli), que são rotineiramente atribuídas a Israel.
– A Faixa de Gaza é um local onde os milagres de Allah são visíveis. Com taxa de mortalidade anual normal de 11.000 pessoas, em dois anos e três meses já deveriam ter morrido de causas naturais mais de 22.000 civis. Não morreu NENHUM. Não há câncer, não há aneurismas, não há vírus, não há AVCs, não há mortalidade infantil. Apenas existem mortes causadas por Israel. E nenhuma mídia no mundo tem a coragem de dizer isso.
– A maioridade para os palestinos é aos 21 anos de idade. Assim, ministério da saúde de um país inexistente, assinala todos os mortos com 21 anos incompletos, como crianças e a mídia mundial e a esquerda mundial aceitam isso de braços abertos. Todos os terroristas, ou soldados do Hamas, como queira até 21 anos de idade abatidos em combate, são “crianças mortas”. Na lista do ministério da saúde de Gaza não existe sequer um membro do Hamas que tenha sido morto. Todos os 25.000 (incluindo os 1.600 mortos dentro de Israel no dia 7 de outubro de 2023). constam na lista como civis, mesmo que existem seus cartazes oficias de martírio em uniformes militares. É algo vergonhoso.
– A reconstrução dos dados mostra aproximadamente 25.000 combatentes do Hamas mortos e cerca de 36.000 civis — uma proporção de civis para combatentes de cerca de 1,5:1 —, o que refuta as alegações de massacre indiscriminado e revela como manchetes sobre baixas, sem análise detalhada, distorcem a realidade da guerra.
A Calúnia
A alegação se espalhou rapidamente nas redes sociais. Críticos anti-Israel conhecidos aproveitaram as manchetes como suposta prova de que Israel havia mentido durante toda a guerra sobre as baixas civis. Mehdi Hasan, por exemplo, tratou o número como uma justificativa – convenientemente ignorando que ele havia acusado Israel anteriormente de matar mais de 100.000 habitantes de Gaza, um número muito maior do que o que agora admite.
Piers Morgan também amplificou a alegação, republicando um link para a reportagem do Haaretz e declarando: “Por mais de dois anos, a maioria dos meus convidados pró Israel negou veementemente os números de baixas do Ministério da Saúde de Gaza e disse que eram extremamente exagerados. Agora, as Forças de Defesa de Israel admitiram que são precisos.” Isso aconteceu dias após receber Roger Waters ao vivo e se extasiar com a explicação do caquético antissemita de que as forças de segurança do Irã estavam apenas protegendo os comerciantes dos vândalos nas ruas.
Pouco depois, os militares israelenses emitiram uma espécie de esclarecimento. Respondendo diretamente a Morgan, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Nadav Shoshani, escreveu no X que “os detalhes publicados não refletem os dados oficiais das Forças de Defesa de Israel. Qualquer publicação ou reportagem sobre este assunto será divulgada por meio de canais oficiais e ordenados.” A declaração indicava que as Forças de Defesa de Israel não haviam tratado os números de baixas do Hamas como dados oficiais.
Nenhuma mídia publicou a postagem do porta-voz das FDI, inclusive as mídias de Israel. Repito: NENHUMA MÍDIA PUBLICOU O POST do porta-voz das FDI. Isso mostra uma falha terrível da forma como as FDI se comunicam com as mídias de Israel. Será que o Shoshani não pega o telefone e liga para um contato em cada empresa? Eu não custo a acreditar que de fato não o faça e deveria ter emitido uma segunda nota criticando todas as mídias israelenses que publicaram a fake news e não publicaram a posição oficial das FDI.
Toda a narrativa de que as Forças de Defesa de Israel apoiam os números do Hamas remonta a comentários atribuídos a uma fonte não identificada em uma reunião informal, não a um porta-voz autorizado ou especialista em dados de baixas, e que não deveriam ser tratados como validação oficial dos números do Hamas. Sequer se sabe se tal reunião existiu, pois a nota original do Haaretz não traz esta informação. Apenas diz que Israel aceitou e o restante do artigo fala apenas do Hamas e dos dados do Hamas. Portanto, o artigo original e a versão que viralizou são DIFERENTES.
No entanto, mesmo com essa falsa alegação estampada nas manchetes, ela obscureceu a questão muito mais substancial. A pergunta nunca foi se o número do Hamas era “aceito”. Não era. A pergunta é o que esse número realmente contém – quem foi morto, por quem e em que circunstâncias.
Por Trás dos Números
O exame forense mais abrangente dos números de baixas em Gaza foi conduzido por Salo Aizenberg, membro do conselho da HonestReporting, que analisou as listas de óbitos divulgadas pelo Ministério da Saúde de Gaza ao longo da guerra. A análise detalhada mais recente de Aizenberg sobre a alegação de 70.000 mortes pode ser encontrada na imagem acima e neste link: https://x.com/Aizenberg55/status/1998044573860319333
Resumindo as descobertas de Aizenberg: o Ministério da Saúde do Hamas relata 70.125 mortes, mas suas listas não fazem distinção entre civis e combatentes, nem entre mortes em guerra e mortes naturais, ou entre mortes causadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) e aquelas causadas pelo Hamas ou outros atores internos. Embora a ausência de identificação de combatentes seja frequentemente reconhecida na cobertura da mídia, as últimas categorias são amplamente ignoradas, como se as mortes naturais e a violência interna simplesmente tivessem deixado de existir durante os dois anos de guerra em Gaza.
Portanto, as mortes naturais estão embutidas no total. Gaza registrava uma média de aproximadamente 6.800 mortes naturais e infantis por ano antes da guerra. Esta taxa de mortalidade infantil não é considerada alta em termos mundiais. Em 2025, o Hamas reconheceu que algumas das mortes listadas eram naturais, mas nunca as separou. Uma estimativa conservadora coloca cerca de 11.000 mortes naturais dentro do número divulgado. Ainda persistem erros e anomalias, incluindo identificações incorretas, indivíduos mortos em conflitos anteriores e pacientes que deixaram Gaza para tratamento médico, mas que posteriormente foram dados como mortos. Esses casos representam cerca de 1.000 mortes.
Após a remoção de mortes naturais e erros residuais, aproximadamente 58.000 mortes permanecem plausivelmente relacionadas à guerra.
Mas boa parte destas mortes não foram causadas por Israel. Execuções documentadas pelo Hamas, violência interna, ataques a tiros durante tumultos e foguetes disparados acidentalmente representam cerca de 4.000 mortes que são rotineiramente atribuídas às Forças de Defesa de Israel (IDF).
Os próprios dados publicados pelo Hamas revelam ainda uma impressionante proporção de 3:1 entre homens em idade de combate e mulheres entre os mortos – forte evidência demográfica de extensas perdas de combatentes, em vez de assassinatos indiscriminados de civis.
As IDF estimam que aproximadamente 25.000 combatentes do Hamas e outros grupos terroristas foram mortos, um número consistente com os resultados no campo de batalha e com o recrutamento emergencial documentado pelo Hamas. Milhares de mortes de combatentes nunca apareceram nas listas do Hamas.
Três pontos importantes
1 – O número divulgado pelo Hamas engloba todas as mortes – combatentes, civis, mortes naturais e mortes internas – e as atribui a Israel.
2 – Aproximadamente 25.000 dos mortos eram combatentes, e milhares de outras mortes não foram causadas pelo exército de Israel.
3 – A proporção de mortes de civis para combatentes é de cerca de 1,5:1, o que significa que aproximadamente um civil e meio morreu para cada combatente – um número que reflete perdas substanciais de combatentes e é baixo para os padrões da guerra urbana moderna.
Este artigo é basicamente uma tradução de https://honestreporting.com/no-the-idf-did-not-accept-hamas-gaza-casualty-figures/ com adições de José Roitberg

