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Netanyahu declara guerra aos soldados que “denunciaram” o IDF no filme NAZA!

O primeiro-ministro exige investigação criminal urgente e pede a caça aos rostos anônimos que acusaram Israel de “matança industrial” em Gaza!

Benjamin Netanyahu não perdoou. Neste domingo (11 de outubro de 2026), o primeiro-ministro mandou uma carta explosiva para a Procuradora-Geral Gali Baharav-Miara, o chefe do Estado-Maior do IDF, tenente-general Eyal Zamir, e o diretor do Shin Bet, David Zini.

A ordem é clara e sem rodeios:
“Identifiquem imediatamente todos os soldados que apareceram no filme calunioso. Abram investigação criminal e processem-nos por difamação, exposição de segredos de Estado e danos aos interesses de segurança e diplomáticos de Israel!”

O alvo? O documentário “NAZA” (sigla militar em hebraico para “dano colateral”), que estreou com ovação de pé no Festival de Veneza e ganhou o Prêmio Especial do Júri. O filme mostra 24 pessoas com rostos ocultos e vozes alteradas por IA — segundo os realizadores, soldados (muitos de unidades de inteligência) — que relatam uma “matança em escala industrial” em Gaza, com sistema de mira alimentado por inteligência artificial e autorização para ataques que poderiam matar até 500 civis de uma só vez (Algo que nunca aconteceu).

O IDF já respondeu com um documento de 17 páginas chamando tudo de “distorcido, enganoso e desonesto”. Negou categoricamente qualquer autorização automática para matar dezenas ou centenas de civis e afirmou que nenhum ataque jamais matou ou foi planejado para matar 500 pessoas.

Mas Netanyahu foi além. Chamou o filme de “libelo falso, enganoso e programático” que “difama o Estado de Israel e as Forças de Defesa” e causa “dano grave à imagem internacional do país”. E alertou: há risco real de que os envolvidos tenham revelado informações ultrassecretas de uma unidade de inteligência altamente sensível, que não foram usadas no documentário como exibido.

O filme, coproduzido pelo jornal britânico The Guardian e dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, já está sendo exibido em mais de 50 países. Em Israel, no entanto, continua proibido nas salas. Apoiadores do governo já ameaçaram os realizadores e até protestaram em frente à casa dos pais de Szor gritando “pena de morte para traidores”.

Netanyahu já tinha defendido a retirada da cidadania israelense dos cineastas. Precisa de uma lei nova que permita isso. Agora, a ofensiva mudou de alvo: os soldados anônimos que falaram, se é que existem.

A batalha entre o governo e o documentário que abalou um salão antissemita Veneza acabou de entrar em uma nova e explosiva fase.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem: montagem de Bibi Netanyahu a apoiadores italianos antissemitas na porta do Festival de San Remo.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.