O Mito do Genocídio em Gaza
As acusações contra Israel de que estaria cometendo genocídio em Gaza têm circulado bastante, especialmente após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Organizações como a ONU afirmaram que os 2,2 milhões de moradores de Gaza estavam à beira da fome em 2024 e 2025, e houve denúncias de que Israel estaria mirando hospitais e escolas. Só que essas acusações não resistem a uma análise mais cuidadosa, tanto pelo lado legal quanto pelos fatos. Vamos descomplicar isso.
O que é genocídio, afinal?
Segundo a Convenção de Genocídio de 1948 e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, genocídio é um crime com intenções bem específicas: destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, apenas por ser esse grupo, por este grupo existir. Para configurar genocídio, Israel teria que estar atacando os palestinos de Gaza simplesmente por serem palestinos, com o objetivo de acabar com eles. Mas é isso que está acontecendo? Vamos aos fatos.
A intenção de Israel não é destruir os palestinos
Israel não está mirando os palestinos “por serem palestinos”. O alvo é o Hamas, grupo terrorista que invadiu Israel em 7 de outubro de 2023, matando e estuprando mais de 1.200 pessoas e sequestrando 251 reféns. A resposta militar de Israel é contra essa organização, não contra a população de Gaza como um todo.
Se Israel quisesse cometer genocídio, não faria sentido tomar atitudes como:
- Avisar antes de ataques: Israel repetidamente emite alertas para que civis saiam de áreas perigosas antes de bombardeios. Qual exército na história fez isso?
- Permitir ajuda humanitária: Milhares de toneladas de alimentos e suprimentos entram em Gaza durante o conflito.
- Vacinar a população: Em agosto de 2024, Israel facilitou a vacinação contra pólio para 500 mil gazenses. Isso parece intenção de destruir um povo?
Os números não sustentam a acusação
Segundo o Hamas, cerca de 56 mil pessoas morreram na guerra, sem diferenciar civis de combatentes. Israel estima que pelo menos 20 mil eram membros do Hamas. Mesmo aceitando os números do Hamas (que costumam ser inflados), isso significa que, no máximo, 36 mil civis morreram — cerca de 1,6% da população de 2,2 milhões de Gaza.
A Convenção de Genocídio diz que “em parte” significa uma destruição tão grande que ameace a sobrevivência do grupo como um todo. Mas 1,6% não chega nem perto disso. Tribunais internacionais já decidiram que, para ser genocídio, a destruição precisa ser “substancial” e comprometer a existência do grupo. Não é o caso aqui.
Raphael Lemkin, jurista que criou o termo “genocídio” e ajudou a escrever a Convenção, disse em 1950 que a destruição parcial precisa ser de “natureza substancial”. O Congresso dos EUA, ao adotar a Convenção, definiu “parte substancial” como algo que destruiria o grupo como uma entidade viável. Os números de Gaza estão longe disso.
Quem é o verdadeiro culpado pelo sofrimento?
A população de Gaza está sofrendo? Sem dúvida. Mas a culpa disso recai sobre o Hamas. Foi o Hamas que começou a guerra com o ataque de 7 de outubro. É o Hamas que mantém reféns israelenses e se recusa a se render, prolongando o conflito. E é o Hamas que desvia ajuda humanitária e até atira contra sua própria população quando ela tenta buscar uma vida melhor.
Conclusão: genocídio? Não é o caso.
As acusações de genocídio contra Israel não têm base legal nem factual. Israel está em guerra contra o Hamas, não contra os palestinos. As ações de Israel, como avisar civis, permitir ajuda e até facilitar vacinações, mostram que não há intenção de destruir a população de Gaza. A tragédia existe, mas culpar Israel por genocídio é distorcer a realidade.
Baseado em coluna publicada no jornal The Times of Isrel, por Steven E. Zipperstein que é ex-procurador federal dos EUA e professor na UCLA, onde também dirige o Centro Younes e Soraya Nazarian para Estudos de Israel. As opiniões expressas são dele próprio.
Imagem: captura de tela de vídeo de palestra do professor Zipperstein em 2023.

