IsraelTecnologiaÚltimas notícias

Projeto de Lei de Defesa Cibernética avança na Knesset

A Knesset aprovou em primeira leitura o Projeto de Lei Nacional de Defesa Cibernética, que cria um novo marco regulatório para proteger Israel no mundo digital.

A legislação estabelece requisitos obrigatórios de segurança e gestão de riscos para organizações essenciais e provedores de serviços digitais, com o objetivo de garantir o funcionamento de infraestruturas críticas mesmo em caso de ataques cibernéticos.

Entre os principais pontos: obrigatoriedade de notificação de incidentes graves, possibilidade de instruções de emergência e criação de um sistema de supervisão com unidades setoriais nos ministérios, apoiadas pela Diretoria Nacional de Cibersegurança.

O diretor-geral da Diretoria Nacional de Cibersegurança, Yossi Karadi, classificou a aprovação como “um marco histórico na área de defesa cibernética em Israel”.

O projeto ainda precisa passar por novas leituras para virar lei.

Principais ameaças cibernéticas a Israel (atualizado 2026)

Israel é um dos países mais visados por ciberataques no mundo, devido à sua posição geopolítica e avanços tecnológicos. Em 2025, a Diretoria Nacional de Cibersegurança (INCD) registrou mais de 26 mil incidentes — um aumento de 55% em relação ao ano anterior.

1. Irã e grupos proxy (principal ameaça)
Estado iraniano e proxies: Grupos como Handala (ligado ao Ministério da Inteligência iraniano), APT33, APT34 (OilRig), MuddyWater e CyberAv3ngers são os mais ativos. Ataques incluem DDoS, vazamentos de dados, ransomware, desfiguração de sites, espionagem e operações de influência psicológica. Após escaladas militares (como os ataques de 2025-2026), houve um aumento de até 700% nos ataques contra Israel. Foco em infraestrutura crítica (energia, água, hospitais, transporte) e setores financeiro, governamental e de serviços digitais.

2. Hezbollah e outros atores apoiados pelo Irã
O Hezbollah intensificou operações cibernéticas coordenadas com o Irã, especialmente desde o conflito de Gaza. Ataques combinados com operações de influência para semear medo e desinformação.

3. Hacktivismo pró-palestino e anti-Israel
Dezenas de grupos hacktivistas realizam ataques coordenados de baixa sofisticação, mas de alto impacto psicológico (vazamentos, ameaças públicas e campanhas de mídia).

4. Vetores de ataque mais comuns
– Phishing: Representa cerca de 52% dos incidentes reportados. Phishing (pronunciado: fishing) é um ataque que tenta roubar seu dinheiro ou a sua identidade fazendo com que você revele informações pessoais, tais como números de cartão de crédito, informações bancárias ou senhas em sites que fingem ser legítimos.
– Engenharia social em massa (campanhas atingindo milhares de israelenses).
– Ataques a cadeias de suprimentos e sistemas de TI/OT (tecnologia operacional).
– Operações de influência e vazamento de dados para enfraquecer a resiliência pública.

5.  Outras ameaças emergentes
– Uso crescente de IA para acelerar ataques (previsão para ao longo de 2026).
– Ameaças a aplicativos civis, hospitais e infraestrutura essencial.
– Oportunismo criminoso durante escaladas geopolíticas.

Contexto atual (junho 2026): Com as tensões recentes entre Israel, Irã e EUA, o risco permanece elevado. A INCD e o Shin Bet relatam ter frustrado centenas de ataques iranianos nos últimos meses, mas a Diretoria Nacional de Cibersegurança alerta para uma possível “guerra cibernética impulsionada por IA” no futuro próximo.

Israel responde com forte capacidade defensiva (INCD), inteligência cibernética ofensiva e parcerias internacionais, mas o volume e a persistência das ameaças iranianas continuam sendo o maior desafio.

Imagem ilustrativa gerada por IA. A grande questão é se o Capitão é o Super Bit ou o Superb It…

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.