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New York Times meio que reconhece que criança do Hamas tem doença genética

Após repercutir a imagem de uma criança supostamente sofrendo de fome extrema em Gaza, o New York Times publicou uma correção nesta noite, depois que foi revelado que se tratava, na verdade, de uma doença genética rara.

A correção só foi possível graças à intervenção do consulado de Israel em Nova York. O cônsul-geral de Israel na cidade, Ofir Akunis, declarou: “É lamentável que a mídia internacional continue caindo na propaganda vil do Hamas. Eles publicam primeiro e checam depois — se é que checam. A correção do New York Times é apenas o começo. Continuaremos lutando incansavelmente pela verdade e pelos fatos, e vamos destruir a propaganda de horror do Hamas por todos os meios”.

Mas foi uma correção pífia com pouquíssima circulação emitida na conta do X do jornal. Não na conta de notícias, mas na conta de “relações públicas – RP, como pode ser visto na imagem acima. Quem verifica o que a RP no NY Times tem a dizer? Por incrível que pareça, a conta RP tem 89.000 seguidores. Já a conta normal de notícias é seguida por 55 milhões de pessoas.

Mas, o curioso é que se sabe já há mais de um ano que existem, pelo menos, dois garotos em Gaza com esta doença genética e são igualmente explorados para fins de propaganda de guerra. As fotos foram ambientadas, tiradas e vendidas por um fotógrafo da agência oficial de notícias da Turquia, a Anadolu… Isso é informação pública. É lógico que o NYT e todas as outras mídias também sabem. Só que vai contra a narrativa demonizadora de Israel vigente nas redações.

E o pior é o fato de várias mídias terem publicado as fotos oficiais de Israel, as que estão neste post, primeiro sem declarar que são fotos vindas de Israel e não do Hamas. E segundo sem dizer que não se trata de um “antes e depois”, de como o menino era praticamente normal e de como ele está hoje, cadavérico. É exatamente o contrário: de como ele era antes, cadavérico, e de como está hoje, dentro da normalidade, vivendo sob tratamento na Itália, após ter sido retirado por Israel de Gaza, junto com a família dele, no dia 12 de junho de 2025. Pouco mais de um mês e o garoto melhorou muito.

Erros graves da divulgação do governo de Israel

O primeiro erro foi não ter noticiado a retirada de Osama al-Rakab, o garoto propaganda número um do Hamas (coitado, ele nem sabe o que está sendo feito com ele e ninguém critica a exposição de menores de idade em fotos de propaganda de guerra), da Faixa de Gaza e o levado para a Itália. Isto deveria ter sido manchete de primeira página, uma ação humanitária.

O segundo erro, bobo mais grave é a posição das fotos (as da divulgação original do governo de Israel estão neste post). Em hebraico se escreve da direita para a esquerda. Então, colocaram a foto do “antes” à direita e do “depois” à esquerda, sendo absolutamente normal… em hebraico. Para os outros países que escrevem da esquerda para a direita, a compreensão natural é invertida. Jamais, me deparei com uma questão destas, e neste caso é absolutamente fundamental entender que a foto dele do lado esquerdo, com o aventalzinho médico verde, é a foto ATUAL dele, melhor, na Itália, enquanto a foto da direita é antiga dele em péssimas condições em Gaza.

A manchete deveria ser: “Israel salva a vida de garoto palestino com rara doença genética.”

Entendeu? As fotos que vêm sendo divulgadas pelas mídias, com este garoto, sobre a fome em Gaza sequer são atuais.

Chega a ser surpreendente o NYT se retratar, mas…

Na mesma edição, o jornal afirma que não existe qualquer confirmação de que o Hamas roube a mão armada a ajuda humanitária da ONU e que o que recebem de graça seja revendido. Para o NYT, todos os vídeos publicados mostrando as picapes dos Hamas escoltando caminhões em alta velocidade, com homens armados do Hamas nos caminhões, por vezes, semi descarregados, não são confirmação de nada.

No domingo, foi publicada uma foto de uma lata de carne ensopada comprada num mercado de rua em Gaza. Era da ajuda humanitária enviada pela UEA – União dos Emirados Árabes, e lançada de aviões em grandes pacotes com paraquedas. Até aí tudo normal. Mas no rótulo estava escrito: “Produto de Venda Proibida”, ou seja, produto doado. Dizem por aí que o Hamas já faturou 500 milhões de dólares roubando e vendendo produtos gratuitos que entraram pela ONU na Faixa de Gaza.

Quando se vê aquelas hordas humanas atacando caminhões da ONU em Gaza, não se trata de pessoas famintas atrás de comida, mas de pessoas tentando roubar os produtos para revender. E a narrativa é a mais perversa possível contra Israel.

O GHF, desde que  começou a operar, já distribuiu 100 milhões de refeições (não de pacotes de alimentos, mas de pacotes com refeições completas), e isso, dentro da narrativa, é o genocídio pela fome: distribuir comida é matar as pessoas de fome. Esse número, não inclui tudo o que a ONU já distribuiu. Em relatos recentes, só pela ONU, desde o início da guerra, entraram 93.000 caminhões com alimentos e produtos médicos na Faixa de Gaza, o que, por si só, daria para alimentar toda a população por mais de dois anos.

Dias atrás, um jornalista brasileiro afirmou que Israel impede a ONU de entrar em Gaza. Ele se recusa a assistir aos vídeos com os veículos da ONU escoltando caminhões de ajuda. Não viu os vídeos dos veículos e funcionários da ONU recebendo os reféns israelenses, ao serem libertados pelo Hamas. Não quer saber nem reclama que nem a ONU, nem a Cruz Vermelha Internacional jamais puderam contatar os reféns no cativeiro. Mas usar a grande mídia para mentir que Israel impede a ONU de entrar em Gaza, isso é muito simples e fácil.

Qualquer um que vê crianças esqueléticas, muitas delas em fotos mais antigas durante a Guerra da Síria e Guerra do Iémen, conflitos devastadores entre muçulmanos, e nas mesmas fotos vê adultos normais, bem alimentados e até mesmo gordos, deveria perceber que existe algo errado ali. Como assim os adultos se alimentam e seus filhos não? Qualquer um que vê dezenas de homens carregando nas costas, sacos de farinha roubados de caminhões da ONU, por dois, três ou quatro quilômetros, deveria entender que não se trata de famintos ou pessoas à míngua. Você já tentou colocar um saco de 30 kg sobre os ombros e caminhar dois quilômetros com ele? Ninguém que está faminto e fraco consegue fazer isso, muito pelo contrário: é preciso estar forte, bem alimentado e em excelente forma física para conseguir realizar tal esforço.

O The New York Times: nunca questione o que dizem fontes israelenses anônimas e sempre acredite na palavra do Hamas. E praticamente nunca leva em consideração o que diz o governo de Israel.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

 

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.