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Deputados israelenses aprovam em primeira votação lei para dissolver o Knesset

Deputados israelenses aprovam em primeira votação lei para dissolver o Knesset e antecipar eleições para setembro

Em uma votação praticamente unânime, o Parlamento israelense (Knesset) deu o primeiro passo, na madrugada desta terça-feira, para encerrar sua legislatura atual e convocar eleições antecipadas.

Por 106 votos a 0, os deputados aprovaram em primeira leitura um projeto de lei apresentado pela própria coalisão de governo para dissolver o Knesset. O texto ainda precisa passar por mais duas votações para virar lei, mas o caminho já está aberto e isso vai acontecer.

O líder do governo na Casa, o deputado Ofir Katz (Likud), não definiu ainda a data exata do pleito. Ele indicou apenas que as eleições devem ocorrer entre 8 de setembro e 27 de outubro. A data final será inserida no texto antes das próximas votações. De qualquer forma, a lei eleitoral israelense exige que a votação aconteça no máximo até 27 de outubro, quando seria a eleição normal, não antecipada.

“Completamos quatro anos no poder… praticamente chegamos até o fim”, disse Katz após a aprovação, comemorando o período da coalisão.

A manobra do pedido da coalizão para dissolver o parlamento é simplesmente para controlar a data da eleição, apenas isso. Agindo assim, impede que as várias oposições (entraram 13 pedidos de dissolução) definam a data do pleito.

O comitê eleitoral deixou mais clara sua posição e declarou que precisa de 83 dias para todos os procedimentos de montagem da eleição e dos locais de votação. Diferente de outros países, não existe cédula eleitoral, e os eleitores colocam um “papelzinho” que fica junto a urna, com a sigla eleitoral do partido, dentro de um envelope. Portanto a impressão destes “votos” é mais simples e rápida. Com novos partidos coligados, siglas mudaram.

Motivo da crise: o serviço militar dos haredim

O principal estopim para a dissolução veio dos partidos ultraortodoxos (haredim), especialmente o United Torah Judaism (UTJ). Eles decidiram romper com o governo após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitir que não há votos suficientes para aprovar a lei que mantém a isenção de serviço militar para estudantes de yeshivás (escolas religiosas).

Sentindo-se traídos, os haredim ameaçaram derrubar o governo, o que levou a coalizão a antecipar o movimento e controlar o processo de dissolução.

Netanyahu teria pedido aos líderes ultra ortodoxos que adiassem a discussão sobre o serviço militar para depois das eleições, mas o recado não foi bem recebido.

Neste domingo grupos de jovens mais radicais entre os hareidim bloquearam os trilhos do trem de alta velocidade entre Tel Aviv e Jerusalém e os principais cruzamentos da capital durante o horário do rush. Quanto à ferrovia, um bando de uns 30 jovens ficaram em pé sobre os trilhos. Já em Jerusalém alguns jovens decidiram deitar debaixo das rodas da frentes de ônibus e a polícia teve trabalho para retirá-los. Por sorte, nenhum foi atropelado.

Sempre precisamos informar que a lei atual, que não foi criada pelo governo atual e está colocada de forma IMPOSITIVA pela Suprema Corte não significa que os hareidim VÃO SERVIR AO EXÉRCITO. Significa que eles passam a ser obrigados a se alistar como qualquer outro judeu em Israel. Se alistar não significa entrar no exército. Existem exames médicos, físicos, provas por escrito, adequação do biotipo e intelecto para uma função militar, dispensa dos que não passam por estes exames. Entre os soldados, a menor parte é de tropas de combate e a maior parte é dos que estão por trás, na logística, intendência, inteligência, planejamento etc. Portanto, existem inúmeras posições dentro de qualquer exército que não significam soldados de combate. Além disso existe o serviço civil em Israel. E isso nunca é deixado claro na mídia israelense.

Dias atrás, Bibi declarou abertamente que quer que os hareidim entrem nas Forças de Defesa de Israel como hareidim e saiam depois como hareidim, tentando mitigar o maior receio dos rabinos dos ramos ortodoxos de que os seus jovens abandonem a religião. Basta ver o ramo religioso sionista, que sempre serviu o exército e nunca deixou de ser religioso.

Oposição comemora o fim do governo

O líder da oposição, Yair Lapid (Yesh Atid), celebrou o avanço da lei como o começo do fim de “um dos piores governos da história de Israel”.

Lapid criticou duramente Netanyahu, afirmando que o atual executivo fracassou em Líbano, Gaza e Irã, permitiu o aumento recorde da criminalidade violenta e levou o prestígio internacional de Israel ao nível mais baixo de todos os tempos. Mas é um idiota, antipatriótico que desde o 7 de outubro vem tentando derrubar o governo. Devemos imaginar qual teria sido a reação militar de Israel com Bennet e Lapid no comando…

Lapid ainda fez um apelo para que o campo centro-direita se una em torno de uma lista conjunta, defendendo o ex-premiê Naftali Bennett como possível líder da chapa “Together” (juntos). Isso tem baixíssima probabilidade de acontecer.

E agora?

Mesmo após a dissolução, o Knesset atual ainda poderá votar leis até a formação do novo Parlamento. A coalizão pretende aproveitar esse período para avançar projetos polêmicos, como a redução de poderes do procurador-geral e o maior controle sobre a mídia pública.

As eleições antecipadas devem complicar esses planos, já que o tempo é curto e muitos projetos podem ficar pela metade.

No momento, o cenário que as pesquisas apontam é o mesmo atual. Só teria 62 cadeiras para formar um governo a coalização atual. A junção do antigo Avodá, herdeiro dos fundadores de Israel com o Meretz, o “PSOL” israelense vem dando apenas 8 cadeiras. A grande pergunta que ninguém faz lá é porque a esquerda judaica israelense evaporou, lembrando que o Meretz que deixou de existir em Israel e não obteve o mínimo de votos para ter cadeiras no parlamento atual, ainda existe no Brasil e noutros países da Diáspora.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem: foto da sessão de hoje que deu o placar de 106 a zero, oficial de divulgação do Knesset.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.