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Hezbollah: A decisão de ir à guerra foi correta

Naim Qassem, em uma entrevista no domingo a noite (26/out) à rede Al-Manar, do Líbano, afiliada ao Hezbollah:

“A decisão de iniciar uma guerra em apoio a Gaza foi apropriada. Tomaríamos a mesma decisão novamente, mesmo em retrospectiva.”

“Nossas táticas agora são diferentes das de 2006–2023 — naquela época, nossa dissuasão vinha de exibir nossa força superior. Agora não temos força superior. A força que temos é a que temos.”

“Estamos agora na defensiva. Prontos para defender, não para iniciar uma guerra — mas, se uma for lançada contra nós, lutaremos até o último dos nossos homens e mulheres.”

“Somos ‘a resistência’ e continuaremos a atuar como uma ‘força de resistência’, mesmo que tudo o que nos reste sejam paus…”

OBS Menorah: Quem se lembra do Hezbollah possuir 100.000 mísseis para transformar Israel num inferno? Os fatos históricos são muito claros. O Hezbollah não conseguiu disparar sequer um míssil de média ou longa distância durante toda a guerra. Limitou-se a mísseis sem qualquer tipo de guiagem de curta distância, feitos para ataques contra grandes áreas, e não contra alvos determinados. Impôs um elevado grau de destruição à cidade de Metula, a mais ao norte de Israel, destruição esta que só ficou conhecida após a guerra. Lançou dezenas de drones que ou foram abatidos por métodos tradicionais ou pelo canhão a laser em fase de testes operacionais (ao menos 30 drones foram abatidos por esta arma de energia, e não de projétil cinético).

Hoje, cata os cacos e tenta se recompor sem o apoio de suas forças e das forças do Irã do outro lado da fronteira na Síria. Israel continua eliminando comandantes do Hezbollah e depósitos de mísseis e de munições. O primeiro-ministro libanês quer o Hezbollah desarmado até 31 de dezembro e isso, provavelmente, não irá acontecer.

O fato mais novo desta fala do secretário-geral do Hezbollah é declarar que mudaram de postura ofensiva para defensiva, pois não pode declarar que mudaram de ofensiva para acuados. Existe futuro político para o Hezbollah no Líbano. Futuro militar não existe. É opção deles.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.