Décimo dia de protestos no Irã
Os protestos no Irã estão ganhando força, com manifestações se tornando um evento diário, inclusive na capital. A intensidade dos protestos aumenta principalmente à noite, quando os manifestantes se sentem mais à vontade para agir de forma mais agressiva contra as forças do regime. O décimo dia de protestos no Irã foi caracterizado por aumento de violência de ambos os lados e adesão de mais cidades. Os gritos nas ruas são “Morte à Guarda Revolucionária, morte a Khamenei, Este é o ano do sangue!”
A onda de protestos no Irã está ganhando força, com manifestações se tornando um evento diário. A intensidade dos protestos aumenta principalmente à noite, quando os manifestantes se sentem mais à vontade para agir de forma mais agressiva contra as forças do regime.
A situação econômica é o principal fator que desencadeou os protestos. O governo do Irã não tem meios de resolver o problema e, segundo o próprio governo, os preços de bens básicos devem aumentar significativamente em breve.
O príncipe exilado Reza Pahlavi acredita que os protestos em curso no país representam uma “oportunidade de ouro” para uma mudança de regime. Ele afirma que não há necessidade de uma intervenção militar dos EUA para acabar com a teocracia iraniana.
O Irã está se preparando para os dias críticos, com o exército e a Guarda Revolucionária realizando exercícios quase diariamente. Todas as unidades do exército e da Guarda Revolucionária estão em alerta, com medo de um ataque.
Mais de 250 policiais e 53 milicianos Basij foram feridos pelos manifestantes (número divulgado no dia 5/jan). Mais de 37 manifestantes foram mortos à bala. Em algumas cidades menores, todas as forças do governo foram expulsas ou fugiram.
A situação econômica é o principal fator que desencadeou os protestos. O governo do Irã não tem meios de resolver o problema e, segundo o próprio governo, os preços de bens básicos devem aumentar significativamente em breve.
O príncipe exilado Reza Pahlavi acredita que os protestos em curso no país representam uma “oportunidade de ouro” para uma mudança de regime. Ele afirma que não há necessidade de uma intervenção militar dos EUA para acabar com a teocracia iraniana.
Todavia, o príncipe “imagina” que ser carregado nos ombros do povo com uma volta à monarquia. E pode estar completamente errado. Antes da revolução xiita de 1979, a principal acusação popular contra seu pai, o Xá Reza Pahlavi, era de corrupção generalizada no governo.
Em algumas ocasiões, filmadas em vídeo e divulgadas, populares desarmados tentaram invadir unidades da polícia, Basij e Guarda Revolucionária, para obter armas e foram repelidos a tiros, o que é correto, num cenário conflagrado destes. Até hoje, décimo dia, é como se não existisse o exército iraniano. Nenhuma palavra, nenhum vídeo. Em princípio se imaginava a Guarda Revolucionária, que é uma força armada moderna e completa, com formação ideológica, como as SS de Hitler, sendo oposta pelo Exército regular, que não teria o compromisso ideológico, mas patriótico. Até agora, nada.
Se não houver deserção de policiais, de Basij, e entrada em ação ao lado da população do exército iraniano, não haverá deposição do governo dos aiatolás.
O Irã está se preparando para os dias críticos, com o exército e a Guarda Revolucionária realizando exercícios quase diariamente. Todas as unidades do exército e da Guarda Revolucionária estão em alerta, com medo de um ataque.
OBS.: quando você ouve notícias sobre “o bazar” existe um problema grave de tradução por desconhecimento. Existe o “grande bazar” em Teerã, e dezenas de outros não tão grandes. Mas em farsi “bazar” é comércio e “bazari” é comerciante. Então, quando se lê sobre a “revolta do bazar”, trata-se da revolta do setor comercial como um todo, e não apenas de um local específico.
Existem duas versões sobre invasão de alguns hospitais por tropas da Guarda Revolucionária Iraniana. A dos manifestantes diz que os soldados invadiram para matar e/ou prender manifestantes feridos que estavam sendo tratados. Não existe qualquer comprovação desta alegação. A do governo diz que as tropas invadiram os hospitais porque manifestantes se esconderam neles e trancaram e barricaram portas, sendo necessário invadir para retira-los e proteger os pacientes. Também não existe qualquer comprovação desta alegação. Não sabemos o que aconteceu dentro dos hospitais.
Estima-se que já tenham sido presas mais de 3.000 pessoas, não necessariamente manifestantes, pois há informações de ordens para prender quem estiver na rua. O governo dos aiatolás já publicou que os manifestantes são agentes do Mossad e não cidadãos iranianos. Seria engraçado se não fosse uma afirmação antissemita clássica e trágica: quem está contra os aiatolás é porque é judeu, ou é sionista, ou está sendo pago por judeus ou sionistas. Não existem opositores no Irã, segundo os aiatolás.
As últimas notícias antes da publicação deste artigo davam conta de vários prédios do governo incendiados em várias partes do Irã.
Que em breve as moças iranianas possam voltar a usar calças compridas, minissaias e decotes nas ruas sem medo de serem presas, violentadas e mortas pelo regime. Que em breve os homens possam cortar seus cabelos como quiserem e não nos nove cortes autorizados pelos aiatolás. Que em breve a comunidade LGBT possa viver sem medo de terminar balançando pelo pescoço, pendendo de um guindaste em praça pública. Que em breve não exista mais um governo que determine quais cores de roupas são permitidas e quais cores de roupas levam o cidadão para o cárcere.
Imagem: 12 soldados da Guarda Revolucionária, totalmente equipados, com escudos e cassetetes, partem para cima de dois manifestantes e os imprensam contra um muro.

