Novo protocolo das FDI para soldados hareidim
O Exército de Israel (IDF) aprovou nesta terça-feira um novo protocolo para ajudar soldados hareidim (ultra-ortodoxos) a manterem sua religiosidade durante todo o serviço militar.
O objetivo principal é facilitar o alistamento de mais homens ultra-ortodoxos, já que o Exército está enfrentando uma falta significativa de pessoal por causa da guerra em Gaza e outras frentes. O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, afirmou que aumentar o número de recrutas haredim é “uma necessidade operacional essencial”.
O novo regulamento cria três caminhos especiais de serviço militar:
- Magen (“escudo”) → O soldado ultra-ortodoxo serve em um grupo só de homens dentro de uma unidade que também tem mulheres (geralmente em funções não-combatentes, como funções de inteligência, por exemplo).
- Herev (“espada”) → Toda a estrutura é separada por gênero. Exemplos: o batalhão Netzah Yehuda (da Brigada Kfir) ou as unidades de técnicos da Força Aérea para haredim. Homens totalmente separados de mulheres. Os comandantes normalmente seguem um estilo de vida religioso.
- David → Unidade e base inteiramente masculinas, com estilo de vida religioso. Atualmente só existe a nova Brigada Hasmoneana. Novas unidades precisam de aprovação especial.
Além disso, os soldados haredim terão direito a:
- Tempo para orações
- Alimentação kosher rigorosa
- Fazer uma declaração de lealdade ao Exército em vez de juramento tradicional (muitos ortodoxos consideram juramentos apenas dentro da esfera religiosa sagrada)
O Exército garantiu que o serviço miliar das mulheres não será prejudicado por essas mudanças.
Hoje também foi anunciada a troca de comando da Brigada Hasmoneana. O novo comandante é o coronel Shemer Raviv, que substitui o coronel Avinoam Emunah (que foi promovido e agora vai assessorar o chefe do Estado-Maior sobre assuntos haredim).
No momento, cerca de 80 mil homens ultra-ortodoxos entre 18 e 24 anos estão em idade de servir, mas a grande maioria não se alista. O Exército diz precisar urgentemente de 12 mil novos recrutas, principalmente combatentes.
Dias atrás o exército revelou que o contingente de Hareidim que não se alista, mesmo com lei obrigatória, é 80% dos que não se alistam. Portanto, para espanto normal, há milhares de judeus não ortodoxos que também não se alistam e este é um tema não tratado publicamente. Será que estes também estão sujeitos à prisão?
Para o serviço militar existe uma questão que precisamos entender quanto ao público hareidi. Na vida normal do dia-a-dia, não há contato entre homens e mulheres, rapazes e moças, meninos e meninas. Muitos rabinos deste setor tem verdadeiro temor de que haja soldados hareidim num mesmo caminhão, ou blindado que soldados das FDI. Pior ainda: existe a total não aceitação de receber instruções militares ou ordens de mulheres. Com o protocolo atual o Estado de Israel entende esta particularidade e determina que isto não acontecerá.
Existe algo que os artigos e comentaristas israelenses NUNCA publicam. A lei é obrigação do ALISTAMENTO MILITAR e não do serviço militar. Nem todos os alistados terão capacidade física ou mental para se tornarem soldados. Isso é normal em qualquer país. Se alistar não é entrar no exército. É iniciar uma fase de testes, provas e exames para verificar se o jovem PODE entrar no exército. Existem inúmeras funções não combatentes nas forças armadas onde os hareidim podem sobressair. Eu não deixo de imaginar todas as cozinhas militares das FDI operadas por hareidim que vão prezar pela kashrut, como nenhuns outros. Isso é apenas um exemplo. Depois, cada cozinheiro militar hareidi, após 3 anos de serviço militar seria um excelente cozinheiro kosher no mercado civil.
Existe ainda em Israel o Serviço Civil, para onde hareidim e outras pessoas podem ir e cumprir seus deveres legais.
O pano de fundo político é complicado: o Supremo Tribunal decidiu que as isenções automáticas para estudantes de yeshivá são inconstitucionais. Os partidos ultra-ortodoxos estão pressionando por uma nova lei que mantenha a maior parte deles fora do serviço, e uma proposta recente está sendo muito criticada por ter muitas brechas e não aumentar de fato o alistamento.
Imagem: soldados hareidim do Batalhão Netza Yehuda em cerimônia de dedicação de um novo sefer Torá da unidade de combate. Foto oficial das FDI.

