Existiu investigação forense na ilha de Epstein e em outras propriedades dele?
No domingo, foram liberados mais 3,5 milhões de documentos do “Arquivo Epstein” nos EUA. Portanto, são nada menos que 9,5 milhões de documentos. Um documento pode ser uma informação ou conter várias.
Existem características muito estranhas. As informações curtas mais bombásticas e devastadoras vêm assinaladas com um código do FBI, sendo de “informante de identidade protegida”. Ou seja, não se sabe quem informou ou sequer se tal informante existe. Óbvio que se pode inventar qualquer coisa e atribuir a informante de identidade protegida. Se houvesse um código, onde o próprio FBI pudesse verificar tal informante, seria mais tranquilo.
Nestes casos, nenhuma informação é utilizada, e são as piores delas utilizadas pelos antissemitas para demonizar ainda mais todos os judeus, não apenas Epstein. Não existe data da informação, data da análise da informação, e resultado da análise: se foi considerada improcedente, procedente e/ou se gerou o pedido de uma investigação.
Outras coisas absurdas da demonização são quanto a erros de digitação ou de OCR (reconhecimento ótico de caracteres) O mais devastador veio logo nos primeiros dias. Uma linha numa ordem de pagamento de 11.400 dólares, onde o valor por extenso estava correto, mas o numeral era 11:40:80:00 (algo que não existe), trazia Bank ID: e o nome do banco. Só que entre os 19 erros de OCR do documento, saiu Baal ID: e o nome do banco. Rapidamente, todos os espectros antissemitas publicaram que Epstein tinha uma conta com o nome do Deus Baal. Em instantes, os judeus passaram a ser cultuadores de Baal. Uma semana depois, o Irã estava queimando estátuas de Baal com bandeiras de Israel em praça pública.
Nem o texto do Tanach nem o do Velho Testamento católico adiantam Vou escrever em CAPS: OS JUDEUS, A TRIBO DE JUDAH, ATRAVÉS DO PROFETA JEREMIAS (YEREMIAHU), COMBATEU O CULTO A BAAL, DESTRUIU SUAS ESTÁTUAS E LIMOU A PRÁTICA QUE HAVIA, NA ÉPOCA DOS REIS. Combatemos Baal e essa corja racista vem dizer que cultuamos Baal!!!
Outro dado bancário com o código LES se transformou numa prova de que Epstein pagava a um famoso empresário judeu.
Eu tenho lido por aí, muita gente bem-intencionada e muito mal-intencionada, comparando o caso atual com os Protocolos dos Sábios de Sião, um texto completamente falso criado pela Okrana, polícia secreta do Czar Russo, para ferrar os judeus. Desqualificados como Monark, que está mais para Mobillete Calói Dobrável, gritaram no microfone para sua legião de idiotas seguidores: “ERA TUDO VERDADE!!!” Os protocolos estavam certos. Um lixo.
A demonização dos judeus nos protocolos foi considerada na época como comprovando que “era tudo verdade”, tudo que a Igreja Ortodoxa Russa lançou contra os judeus durante séculos era verdade. Influenciadores racistas e perversos do tipo do Monark, no final da segunda década do século 21, estão repetindo as frases da última década do século 19, imaginando terem descoberto a verdade. Será que eles sabem quando aconteceu o século 19? Acho pouco provável.
Em minha opinião, os Arquivos Epstein não têm nada a ver com as calúnias de definir que os judeus querem dominar o mundo dos Protocolos, sem citar um nome sequer. O que vemos agora é algo muito diferente e muito mais perverso, onde qualquer nome que aparece em 9 milhões de documentos se torna imediatamente um satanista, pedófilo, canibal, cultuador de Baal. Isso é muito mais radical que os Protocolos. Não interessa em que o nome foi citado: é culpado. Direito de defesa para “cultuadores de Ball” não existe!
Hoje mesmo li uma troca de e-mails onde está escrito que numa palestra numa universidade inglesa um professor disse que Hitler foi patrocinado pelos Rothschild para matar os outros judeus. É o título. Ninguém vai ler o texto. Eu li. E o tal professor disse que, quando Hitler estava na miséria, provavelmente logo após a Primeira Guerra Mundial, ele viveu num albergue para população de rua que era PATROCINADO PELOS ROTHSCHILD, por uma família “Epstein” e por mais uma família judaica!
Entenderam? Ao invés de o professor safado dizer que as famílias judias ricas estavam dando cama e comida para soldados alemães empobrecidos após a guerra, fazendo o que o judaísmo mais preza, como “justiça social”, o racista diz que isso foi patrocinar Hitler para matar judeus e os racistinhas antissemitas atuais repetem. Todos eles continuam afirmando que Rockefeller era judeu. E isso é muito bizarro e errado.
As acusações mais alucinadas que estão sendo divulgadas, do satanismo dos judeus, do movimento Chabad dominar a Casa Branca e o Kremlim e de Epstein ser agente do Mossad, vieram de um norte-americano, nazista mesmo, revisionista do Holocausto, preso pelo FBI e cumprindo pena. Então Alguém pode levar em conta acusações demonizadoras de um nazista revisionista do Holocausto? Outra diz que Jefrey Epstein é nome falso e que ele é russo, agente da KGB. Poderiam se decidir que vão mentir que ele é agente do Mossad ou da KGB.
Antes que o leitor imagine que de fato pode ser um dos dois, saiba que a esquerda radical no Brasil, firmou em alto e bom som, gravou e publicou, num evento na UERJ no ano passado (2025) que todos os membros das federações israelitas e da CONIB são agentes do Mossad espiões de Israel. Então essa acusação é “normal” na seara antissemita.
E estes racistas e antissemitas atuais apontam cada nome judeu que aparece no Arquivo Epstein, como “JUDEU”, só lhes falta poderem carimbar um jota vermelho. Mas nenhum nome que não seja judeu tem a sua religião apontada pelos racistas. Não há católicos, anglicanos, evangélicos, batistas, muçulmanos etc. entre os nomes: só judeus são apontados.
E como todos os influencers e youtubers estão roucos de dizer que “os judeus” iam para a ilha de Epstein para além das atividades de pedofilia, exercer o canibalismo, com textos dizendo que comiam fezes dos intestinos de bebês, comiam rins, fígado, pulmões e corações de crianças, eu comecei a pensar se tinha existido uma análise forense da tal ilha.
E A RESPOSTA ME SURPREENDEU
A ilha de Epstein passou por uma investigação forense, estilo CSI, em busca de evidências de sangue, sêmen e restos humanos?
A resposta é o que eu imaginava. Resumindo: NÃO! E isso não faz sentido num caso em que se afirma que era um antro de orgias satânicas canibais.
A ilha de Little St. James, pertencente a Jeffrey Epstein, foi alvo de uma invasão do FBI em agosto de 2019, logo após sua morte, como parte da investigação federal sobre tráfico sexual e abuso de menores. Note que o FBI nunca foi lá antes de ele morrer. Não houve mandato para investigar as denúncias, provavelmente por terem sido consideradas improcedentes.
Durante a operação, agentes coletaram uma “quantidade significativa de material”, incluindo mais de 300 gigabytes de dados digitais e evidências físicas, como mesas de massagem, fotografias, documentos, discos rígidos e itens pessoais.
Além disso, em 2020, autoridades das Ilhas Virgens Americanas realizaram inspeções e capturaram imagens e vídeos do interior da propriedade, liberados publicamente em 2025 para transparência na investigação.
No entanto, não há relatos públicos detalhados de uma investigação forense no estilo CSI especificamente em busca de evidências biológicas como sangue, sêmen ou restos humanos.
A lista de evidências divulgada pelo Departamento de Justiça inclui itens físicos e digitais, mas não menciona amostras biológicas ou análises de DNA para esses fins.
Há rumores e alegações não verificadas, como uma ordem de compra de 330 galões de ácido sulfúrico em 2018 (possivelmente para destruir evidências), e vídeos falsos circulando online sobre supostos restos humanos no porão, mas nada disso foi confirmado por investigações oficiais.
A ênfase da investigação parece ter sido em provas documentais e digitais para corroborar abusos, sem detalhes divulgados sobre buscas forenses biológicas.
Você, leitor, acha plausível que um local que é acusado de ser um centro de sexo ilegal e canibalismo não tenha sido investigado para vestígios de sangue, de fluidos humanos e principalmente restos mortais? Nem a ilha foi investigada, nem a fazenda, nem propriedade alguma em nome dele.
Recado para os antissemitas: chega dessa p… de CULPA DE COLETIVA DOS JUDEUS !!! O Vaticano já a removeu em 1964!!! Vocês continuam pregando uma visão que hoje é contrária ao cânone católico. Se Epstein é culpado e tudo indica que é culpem ele e culpem cada um que for igualmente culpado. Mas não é admissível culpar os judeus por crimes que um judeu cometeu.
É tudo narrativa, até o momento.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem ilustrativa sobre o tema feita com IA.

