Guerra com IrãIsraelÚltimas notícias

Combates entre Hezbollah e Israel nos últimos dias: escalada no sul do Líbano

Combates entre Hezbollah e Israel nos últimos dias: escalada no sul do Líbano em meio à guerra com o Irã ( informações atualizadas até o dia 17 de março de 2026)

Beirute/Tel Aviv – Enquanto o Irã diminui muito sua capacidade de lançar mísseis balísticos de longo alcance, o Hezbollah voltou a intensificar os ataques contra Israel, desencadeando uma nova fase de combates terrestres e ataques aéreos no sul do Líbano, em Beirute, Sidom e no vale de Bekaa. Nas últimas duas semanas (desde o início de março de 2026), o grupo xiita lançou centenas de foguetes e drones em coordenação com Teerã, enquanto o Exército israelense (IDF) expandiu operações terrestres para criar uma “zona-tampão” mais profunda.

Lançamentos de mísseis e drones contra Israel

Ataque coordenado mais pesado: Em 11-13 de março, o Hezbollah disparou cerca de 200 foguetes e 20 drones em poucas horas, em operação integrada com mísseis iranianos. Foi o maior ataque do grupo desde o cessar-fogo de novembro de 2024. Mas 80 destes mísseis caiu dentro do território libanês. Quase todos os outros foram abatidos. A surpresa foi o uso em escala de mísseis Farj-110, que são mísseis não guiados e imprecisos, mas com alcance de 200 a 300 km, disparados contra Tel Aviv, Naharia, o Monte Carmel, Safed e outras regiões mais para dentro de Israel.

Outros lançamentos recentes: Mais de 150 mísseis e 30 drones em apenas 3 horas (11 de março) e 25 ataques reivindicados pelo Hezbollah em 13 de março (incluindo alvos em Nahariya, Kiryat Shmona e bases do IDF).

Total semanal: O IDF informou que, em uma única semana, o Hezbollah lançou mais de 800 foguetes e drones.

Absolutamente todos os drones foram abatidos.

Quantos não foram abatidos?

A maioria foi interceptada pelos sistemas Iron Dome, David’s Sling e Arrow. No entanto, vários projéteis atravessaram ou caíram como fragmentos:
– Impactos confirmados em Nahariya (16 de março) e outras localidades do norte, causando incêndios e danos em residências.
– Pelo menos 3 feridos em Nahariya em um único ataque, mas pro inalação de fumaça do incêndio iniciado pelo combustível de um carro estacionado atintigido.
– Desde o início da escalada (fevereiro/março 2026), 12 mortos e 247 feridos em Israel por foguetes de Hezbollah e Irã combinados. Dos 12 mortos dois são confirmados em acidentes procurando abrigo. Um senhor de 102 anos de idade que bateu com a cabeça no chão e uma menina de 17 anos que foi atropeladas. Algumas outras mortes são atribuídas a acidentes de trânsito durante as sirenes de alarme. Em relação ao feridos, este número de 247 reflete os atingidos por estilhaços da explosão de um míssil, de uma pequena bomba de apenas 2,5 kg de explosivos das ogivas de fragmentação e por cacos de vidro lançados por explosões. Existem mais de outras 1.500 pessoas, listadas como feridas, mas por quedas procurando abrigo e principalmente tratadas por ansiedade e não por ferimento físico.

O número é muito, mas muito pequeno mesmo. Antes do início desta guerra, Israel se preparou para milhares de mortos, para caos no atendimento médico de emergência e para o corte de luz em todo o país e absolutamente nada disto aconteceu. O grande temor justificado, dos mísseis hipersônicos iranianos, que voam a mais de 3,5 km por segundo, não aconteceu. Apenas quatro impactaram Tel Aviv. Não se sabe até o dia 17 se o Irã disparou mais de 4 e consequentemente foram abatidos. Os miliares iranianos afirmavam que iriam disparar 1.000 mísseis hipersônicos contra Israel.

As ogivas cluster ou múltiplas são a arma mais estúpida utilizada nesta guerra. Cada ogiva, dependendo do tamanho do míssil, dispersa entre 20 e 80 bombas pequenas de 2,5 kg de explosivos, equivalente a um disparo de morteiro médio de infantaria, sem a possibilidade de atingir qualquer alvo, pois se lançam de 7.000 metros de altitude e se espalham por 200 km quadrados. Muitas sequer explodem e a maioria cai em jardins e no meio das ruas, algumas caem sobre carros estacionados que se incendeiam e os influencers antissemitas publicam “grande incêndio após impacto de míssil do Irã”, quando é um carro pegando fogo.

Todos o mísseis, seja do Irã seja do Hezbollah que vão cair em área aberta não são interceptados e os mesmos influencers, deliram mostrando “forte impacto contra a palestina ocupada”…

Enquanto isso, Israel já lançou mais de 11.500 bombas e mísseis de precisão contra o Irã, a maioria com 900 kg de explosivos e os EUA mais de 7.500 inclusive dezenas de enormes penetradoras de bunkers com 13,5 toneladas, capazes de pergfurar 60 metros de concreto reforçado de bunker, o equivalente a um prédio de andares.

E assim os estúpidos nas mídias literalmente se derretem num espasmo de felicidade quando uma bomba de 2,5 kg arrebenta um pedacinho de asfalto de Israel e jamais vão entender que existem já 19.000 crateras enormes de bombas do Irã.

Lado libanês/Hezbollah:
– Ministério da Saúde do Líbano: 850 mortos e mais de 2.100 feridos desde o reinício dos combates. Outras fontes falam em até 886 mortos.
– O IDF afirma ter matado mais de 380 combatentes do Hezbollah em ataques aéreos e terrestres.
– Deslocados: mais de 1 milhão de libaneses (quase 1/5 da população), praticamente todos membros ou familiares de membros do Hezbollah xiita.

Avanço israelense no sul do Líbano

O IDF iniciou uma “operação terrestre direcionada” em 16 de março e já controla mais de uma dúzia de localidades.
– Tropas das divisões 91ª, 36ª e 146ª avançam rumo ao rio Litani (4 a 30 km da fronteira).
– Cercaram Khiyam e avançam para Bint Jbeil (cerca de 4 km da fronteira).
– Estimativa israelense: até **10% do território libanês** pode virar zona-tampão despovoada enquanto o Hezbollah representar ameaça. Mais de 20 mil soldados envolvidos, com reforços (incluindo a 98ª Divisão de Paraquedistas).
– Objetivo declarado: destruir infraestrutura do Hezbollah e criar “defesa avançada” para proteger o norte de Israel.]

 Os 16 tanques Merkava atingidos: é verdade?

Não há confirmação independente.

O Hezbollah e contas pró-Resistência Islâmica nas redes sociais afirmam que, “desde o início da guerra”, o grupo destruiu 16 tanques Merkava, um APC e 3 bulldozers. Essas alegações circulam em posts no X e canais do grupo, mas:

– O IDF não reconhece perdas dessa magnitude.
– Fontes israelenses e ocidentais não reportam 16 tanques destruídos nos combates recentes.
– O número parece replicar reivindicações antigas (inclusive da guerra de 2006) ou propaganda. Até o momento, trata-se de afirmação unilateral do Hezbollah, sem verificação por imagens, relatórios da ONU ou mídia independente.

Pelo lado israelense dá-se conta de 3 tanques atingidos e com danos externos, mas sem ferimentos na tripulação. Um tanque atolou, o que é comum naquele terreno pois o Merkava é um tanque enorme de 58 toneladas. Um buldozer foi enviado para resgatar o tanque e foi atingido por um míssil antitanque, matando seu dois tripulantes. A blindagem dos buldozers não os protegem contra armas antitanque e o Hezbollah possui milhares delas, tendo utilizado até para atacar diretamente áreas residenciais civis do lado israelense da fronteira. O alcance máximo é de 4 km.

Contexto e perspectivas

Os combates atuais são parte da guerra Irã-Israel-EUA iniciada em fevereiro de 2026. O Hezbollah agiu em “solidariedade” após a morte do aiatolá Khamenei. Analistas veem risco de escalada maior se Israel avançar além do rio Litani ou se o Hezbollah usar mísseis de longo alcance contra Tel Aviv.
Enquanto isso, o Líbano registra a pior crise humanitária desde 2006, com mais de 1 milhão de deslocados e infraestrutura destruída.

O leitor precisa estar atento por que remover o Hezbollah do sul do Rio Latani não é uma solução estratégica correta. O míssil Grad, de projeto soviético dos anos 1960 é o que o Hezbollah mais possui. Seu poder de destruição é baixo e o alcance é de até 52 km dependendo do modelo. Estes mísseis são os lançados desde qualquer lugar ao sul do Litani e tem como alvo qualquer lugar do território de Israel, sem pontaria para absolutamente nada específico. Os mísseis Farj -110 são disparados desde o norte do rio Litani até 200 km ao norte da linha do rio. Portanto, ocupar o terreno ao sul do Litani, em nada influencia o disparo dos mísseis de melhor qualidade e maior alcance que estão ao norte do rio Litani. O Hezbollah possuía, ninguém sabe se ainda possui, até mísseis Scud, que lançados do extremo norte do Líbano poderiam atingir até o Cairo. Então sul do rio Litani não resolve a ameaça.

A situação evolui hora a hora. Fontes oficiais de ambos os lados apresentam números divergentes; o quadro acima reflete relatos cruzados de IDF, Ministério da Saúde libanês, mídia internacional e think tanks (ISW, FDD) até 17 de março de 2026.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem tropas do IDF operando no sul do Líbano, foto de divulgação IDF.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.