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Chefe da aviação faz alerta: Ben Gurion está funcionando como base militar

O diretor da Autoridade de Aviação Civil de Israel, Shmuel Zakai, enviou um recado bem direto à ministra dos Transportes, Miri Regev: a presença maciça de aviões militares americanos no Aeroporto Ben Gurion está prejudicando seriamente a aviação civil do país.

Segundo Zakai, o uso crescente do aeroporto para fins militares está apertando o espaço das companhias aéreas israelenses, atrasando o retorno das empresas estrangeiras e podendo fazer as passagens ficarem mais caras neste verão.

Durante uma audiência no Comitê de Economia da Knesset, o CEO da Israir, Uri Sirkis, deu um exemplo prático: normalmente a companhia mantém 17 aviões estacionados em Ben Gurion, mas hoje só tem autorização para deixar 4.

Zakai foi ainda mais direto: “Hoje Israel não tem nenhum aeroporto internacional funcionando em capacidade plena. Na prática, Ben Gurion virou um aeródromo militar, com atividade civil bem limitada.”

Ele pediu duas medidas ao governo:

  • Transferir os aviões americanos para outras bases militares;
  • Criar uma equipe especial para ajudar as companhias aéreas a cobrir os custos extras causados pela situação.

O aeroporto mais importante de Israel está tão ocupado com aviões militares americanos que mal sobra espaço para os voos civis — e isso já está afetando companhias, passageiros e preços.

Ben Gurion virando “base militar americana”: o que isso está custando para Israel?

A forte presença de aviões militares americanos (principalmente de reabastecimento aéreo) no Aeroporto Ben Gurion está gerando um impacto econômico real na aviação civil e, consequentemente, em vários setores da economia israelense.

Principais impactos diretos:

  1. Menos voos e menos capacidade
    • Companhias israelenses estão com espaço extremamente limitado. A Israir, por exemplo, normalmente usa 17 aviões no aeroporto, mas agora só consegue deixar 4.
    • Aviões estão sendo estacionados em Chipre e Grécia, gerando custos extras de estacionamento, combustível, tripulações e logística.
  2. Passagens mais caras no verão
    • Com menos oferta de voos e alta demanda (principalmente no verão), os preços sobem naturalmente.
    • As companhias já avisam que esses custos extras serão repassados ao passageiro.
  3. Dificuldade para companhias estrangeiras voltarem
    • Muitas empresas aéreas internacionais ainda hesitam em voltar plenamente. Isso reduz concorrência, o que também pressiona os preços para cima.
  4. Risco maior para as companhias menores
    • Israir, Arkia e Air Haifa são as mais afetadas. Elas dependem muito de Ben Gurion e têm menos condições de absorver custos extras.

Impactos indiretos na economia:

  • Turismo: O aeroporto é a principal porta de entrada de turistas. Menos voos e passagens caras podem reduzir a chegada de visitantes, prejudicando hotéis, restaurantes, guias e comércio em geral.
  • Exportações e importações: Ben Gurion também movimenta carga. Restrições afetam o fluxo de mercadorias.
  • Empregos: A aviação emprega milhares de pessoas diretamente (tripulantes, pessoal de terra, segurança, etc.). Redução prolongada de operações pode gerar demissões ou redução de jornada.
  • Crescimento geral: A aviação é um setor estratégico para Israel. Qualquer estrangulamento aqui afeta a imagem de “normalidade” do país e a confiança de investidores e turistas.

Resumo simples:

O governo prioriza o apoio militar americano (importante para a segurança), mas isso está criando um custo econômico colateral significativo. O chefe da aviação civil está pedindo duas coisas práticas:

  • Transferir os aviões americanos para outra base (como Ramon ou Netzarim);
  • Ajuda financeira para as companhias cobrirem os custos extras.

Conclusão: Se a situação se prolongar por mais semanas ou meses, Israel pode enfrentar preços mais altos de passagens, menos turistas e pressão financeira nas empresas aéreas — especialmente num momento em que o país tenta voltar ao normal após os conflitos recentes.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.