Dois muçulmanos que atacaram ambulâncias em Londres foram presos
Dois homens foram presos pela polícia britânica nesta quarta-feira (25 de março de 2026) por causa do ataque incendiário que destruiu quatro ambulâncias da comunidade judaica em Londres.
O caso aconteceu na madrugada de segunda-feira, em Golders Green, bairro do norte da capital britânica com forte presença judaica. As ambulâncias estavam estacionadas ao lado de uma sinagoga quando foram incendiadas. O ataque está sendo tratado como crime de ódio antissemita e está nas mãos da unidade de contraterrorismo. As ambulâncias da Hatzala atendem judeus e não judeus nas situações de emergências médicas. Não é um serviço exclusivo para judeus.
Os detidos têm 47 e 45 anos. Eles foram presos em endereços no centro e no noroeste de Londres, onde a polícia fez buscas. Segundo os investigadores, pelo menos três pessoas participaram do ataque, filmado pelas câmeras de segurança — por isso, um terceiro suspeito ainda estaria foragido.
Um grupo islamista pouco conhecido, chamado Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya (HAYI), assumiu a autoria do incêndio por meio de uma mensagem no Telegram. O mesmo grupo já reivindicou ataques semelhantes na Bélgica e na Holanda. Especialistas em monitoramento de extremismo apontam que ele tem ligação com o Irã.
A organização atingida foi a Hatzala, uma entidade voluntária judaica fundada em 1979 que presta atendimento médico de emergência gratuito tanto para judeus quanto para não judeus na região. Três das cinco ambulâncias foram completamente destruídas, e a quarta ficou danificada.
A comandante da unidade antiterrorismo de Londres, Helen Flanagan, classificou as prisões como um “avanço importante” na investigação, mas deixou claro que o caso segue aberto e ativo. “Vamos prender todos os envolvidos”, afirmou.
O chefe da Polícia Metropolitana, Mark Rowley, já havia dito que a polícia estava analisando todas as pistas, inclusive a possível conexão com o Irã.
Esse ataque acontece em meio a uma onda preocupante de incidentes antissemitas no Reino Unido. Em outubro de 2025, durante o Yom Kippur, um ataque a uma sinagoga em Manchester deixou dois mortos e vários feridos. No mês passado, dois homens foram condenados à prisão perpétua por planejar um atentado a tiros contra uma reunião judaica, inspirado pelo Estado Islâmico. E na semana passada, dois iranianos foram levados ao tribunal acusados de espionar a comunidade judaica londrina a serviço de Teerã.
O caso reforça o clima de insegurança que muitas famílias judias vêm sentindo na Inglaterra nos últimos tempos.
Uma consideração
As imagens do ataque terrorista foram filmadas por uma câmera de segurança adjacente. O local era um estacionamento conhecido para seis ambulâncias da Hatzala e naquele momento havia quatro. O prejuízo com três perdas totais é de 468 mil libras (o custo de uma ambulância de emergência com todos os equipamentos na Inglaterra é de 156 mil libras) o equivalente a 3.280.000,00 reais (valores aproximados segundo pesquisa do preço de uma ambulância destas hoje). O custo do ataque foi 10 litros de gasolina e fósforos.

Desde novembro do ano passado vários ataques incendiando carros defronte a instituições judaicas aconteceram na Europa. Na Austrália isso vem acontecendo desde janeiro de 2024. Já escrevemos que este é o ataque mais simples, mais rápido, mais efetivo e que independe de treinamento, organização, planejamento elaborado ou fundos para realizar. Imaginávamos que em março de 2025 este tipo de ataque estaria ainda mais generalizado. Basta ver os vários incêndios nos EUA a carros da Tesla quando Elon Musk estava no governo.
O mais importante neste caso, pelo lado dos perpetradores é que o grupo terrorista xiita que se imagina ser filiado ao Hezbollah e/ou Irã assumiu os ataques. No dia 24 o Ministério da Diáspora em Israel emitiu um longo relatório sobre o Harakat
Ashab al-Yamin al-Islamia, afirmando que se trata, basicamente, do Hezbollah no Iraque, não no Líbano. Os outros ataques recentes que o grupo assumiu foram: explosão pequena na sinagoga de Liege na Bélgica (dia 9), tentativa de incêndio em sinagoga em Roterdã, na Holanda (dia 13), explosão do lado de fora de escola judaica em Amsterdã, na Holanda (dia 14), explosão do lado de fora do prédio do World Trade Center em Amsterdã (dia 15) tendo como alvo o Bank of New York Mellon, ataque ás ambulâncias do serviço de emergência da comunidade judaica em Londres, e a um carro aleatório no barro judaico de Amsterdã (ambos no dia 23).
Em princípio pode-se imaginar que este grupo é o único que atendeu a fatwa (determinação clerical islâmica) para todos os muçulmanos do mundo atacarem interesses americanos e judaicos. A prisão dos dois elementos vai rapidamente levar ao terceiro e se o grupo se comunica pela Internet, provavelmente o da Holanda vai rapidamente cair também.
Pelo lado judaico é preciso fazer uma crítica. Como é possível que no meio de uma guerra contra o islã radical, iniciada em 7 de outubro de 2023, o estacionamento de ambulâncias da Hatzala seja 100% aberto para a rua? Como pode não ter um alambrado alto com um portão elétrico que o motorista da ambulância acione quando for entrar para uma ação de resgate? Havendo socorristas de plantão, poderia até ficar aberto. Se a noite os veículos ficam largados lá, deveria ficar fechado. Provavelmente a “estratégia de porta arrombada” vai funcionar e o próximo estacionamento terá alambrado.
Existe uma regra: o terrorista sempre vai para o alvo mais fácil e menos protegido.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem principal retirada da postagem feita pelo Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya sobre o atentado. É curioso que eles tinham uma câmera com ângulo melhor do que todas as filmagens divulgadas.

