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Lei chocante libera milhares de haredim de servirem no Exército

ESCÂNDALO NO KNESSET: Lei chocante libera milhares de haredim de servirem no Exército e legitima a fúria dos “esquivadores de alistamento”!

Em uma votação polêmica que chocou o país, o Knesset aprovou nesta terça-feira, por 58 a 54, uma lei apoiada pela coalizão que proíbe temporariamente a prisão e o processo de ultraortodoxos (haredim) que fogem do serviço militar. Essa medida escandalosa não só legitima a não-alistamento em massa dos haredim como praticamente paralisa o recrutamento deles para o IDF por pelo menos os próximos meses – em pleno período de guerra multifrontal!

A lei, parte de uma blitz legislativa de última hora centrada nas exigências dos partidos ultraortodoxos, concede imunidade a dezenas de milhares de esquivadores de alistamento até o final de janeiro de 2027. Ela se estende inclusive aos que se tornarem elegíveis após a entrada em vigor, eliminando completamente a ameaça de prisão e tornando muito mais fácil recusar o serviço. Além disso, suspende todos os processos criminais em andamento contra quem já estava sendo perseguido pela justiça. A lei foi aprovada em três leituras consecutivas na mesma sessão.

O Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, já havia classificado a proposta como “inconcebível”, afirmando que ela é “claramente inconsistente com as necessidades do IDF” e representa uma “isenção em massa de processos judiciais”. Estima-se que cerca de 72 mil homens haredim estavam sujeitos a prisão antes da aprovação da lei. A medida gerou fúria entre reservistas, assessores jurídicos do Knesset e grande parte da população israelense.

Reações explosivas e traições internas

A deputada Sharren Haskel, do New Hope e vice-ministra das Relações Exteriores, renunciou em protesto logo após a votação, denunciando a lei como um ataque direto àqueles que servem e à segurança do Estado. Vários outros parlamentares da coalizão romperam fileiras e votaram contra, incluindo o MK Moshe Solomon (Sionismo Religioso), Yuli Edelstein e Dan Illouz (Likud), que inclusive anunciaram saída do partido por causa disso.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu compareceu parcialmente ao debate, foi vaiado com gritos de “Vergonha!” e “Saia!”, mas abandonou o plenário antes da votação e não participou. O ministro da Defesa, Israel Katz, também votou a favor e recebeu o mesmo tratamento. Um parlamentar da oposição chegou a chamar Netanyahu de “traidor” durante a chamada de nomes.

Líderes da oposição não pouparam críticas: Yair Lapid (Yesh Atid) acusou o governo de cuspir na cara dos soldados; Gadi Eisenkot falou em enfraquecimento deliberado do IDF em meio à guerra; Yair Golan chamou de “um dos maiores momentos de desgraça na história do Knesset”; e Naftali Bennett rotulou como “momento vergonhoso e anti-sionista”. Avigdor Liberman foi ainda mais duro, dizendo que é mais fácil recrutar Ahmadinejad do que haredim.

Petições ao Supremo e ameaça de revolta

Minutos após a aprovação, o Movimento por um Governo de Qualidade, Yesh Atid e Yisrael Beytenu protocolaram petições ao Supremo Tribunal contra a lei, acusando o governo de promover evasão em massa e violar o princípio da igualdade no compartilhamento do fardo do país.

Do outro lado, líderes haredim celebraram efusivamente. Aryeh Deri (Shas) chamou de fim da “perseguição” aos estudantes de yeshivá, enquanto Moshe Gafni (Judaísmo Unido da Torá) garantiu que cumpriram a promessa de acabar com as prisões. Meir Porush ameaçou que qualquer intervenção do tribunal provocaria “uma rebelião civil em escala nunca vista” entre os 1,5 milhão de ultraortodoxos.

Conflito de interesses e barganhas políticas

Durante o debate, a assessora jurídica do Knesset, Sagit Afik, obrigou sete parlamentares ultraortodoxos a declararem conflito de interesses, pois têm parentes próximos que seriam beneficiados diretamente pela lei.

Tudo faz parte de um acordo maior entre Netanyahu e os partidos haredim: eles apoiam pautas da coalizão (como enfraquecimento do procurador-geral e investigação do 7 de outubro controlada pelo governo) em troca da proteção aos estudantes de yeshivá. A lei vem após decisão unânime do Supremo em 2024 que determinou o recrutamento obrigatório dos haredim. O IDF afirma urgentemente precisar de 12 mil novos recrutas.

Os religiosos muçulmanos nossos inimigos sempre vão a frente para serem recrutados e se oferecerem para pegar em armas para o martírio matando judeus, enquanto os hareidim não aceitam servir às Forças de Defesa e acreditam que o que salva Israel é a reza e não as armas.

Em meio ao caos, uma grande reforma de transporte público foi abandonada por oposição haredim (preocupados com ônibus no Shabat), e assessores jurídicos alertaram que algumas votações no Comitê de Finanças foram inválidas por irregularidades processuais.

Enquanto soldados e reservistas carregam o peso da guerra há anos, o Knesset aprova uma lei que divide ainda mais os cidadãos israelenses. O país assiste, atônito, a mais um capítulo dessa crise que ameaça a própria coesão social e a segurança nacional.

Impactos principais nas FDI (Forças de Defesa de Israel):

1. Congelamento imediato do recrutamento haredi

A lei paralisa praticamente todo o alistamento de ultraortodoxos por pelo menos sete meses (até o final de janeiro de 2027). Cerca de 72 mil homens haredim elegíveis para o serviço (18-24 anos) ficam protegidos contra prisão ou processo, o que remove qualquer incentivo real para se alistarem nesse período.

2. Piora da crise de efetivo

O IDF já alertou repetidamente para uma escassez grave de mão de obra em meio à guerra em múltiplas frentes. O Exército precisa urgentemente de cerca de 12 mil novos recrutas. A lei elimina uma fonte potencial importante de soldados, agravando o problema de forma significativa.

3. Crítica direta da liderança militar

O chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, classificou a proposta como “inconcebível” e “claramente inconsistente com as necessidades do IDF”, descrevendo-a como uma “isenção em massa de processos”.

4. Sobrecarga sobre quem já serve

Reservistas e soldados em serviço ativo continuarão carregando um fardo desproporcional por mais tempo. A lei é vista pela oposição e reservistas como um “abandono do IDF” e um enfraquecimento direto da força militar israelense em momento crítico.

5. Efeitos de longo prazo

Legitima a não-alistamento em massa dos haredim, o que dificulta soluções estruturais futuras para a integração dessa comunidade no serviço militar. Pode aumentar a tensão interna nas Forças Armadas e entre a sociedade israelense (secular/religioso-sionista vs. Haredi). Fortalece o precedente de que considerações políticas podem prevalecer sobre necessidades operacionais da defesa.

Enquanto o país está em guerra, o Knesset aprovou uma lei que, na prática, diz ao IDF “vocês que se virem” em relação a uma grande fatia da população em idade militar. Isso agrava imediatamente a falta de soldados e aumenta o esgotamento dos que já estão combatendo.

Como funciona (ou não funciona) o serviço militar para os haredim (ultraortodoxos) em Israel:

1. Obrigatoriedade geral em Israel

O serviço militar é obrigatório para a maioria dos cidadãos israelenses judeus:
Homens: normalmente 32 meses (a lei recente estendeu de 30 para 32).
Mulheres: 24 meses.

Haredim (ultraortodoxos) historicamente tinham uma isenção de fato baseada no princípio Torato Umanuto (“a Torá é sua profissão”). Enquanto estudassem em tempo integral em yeshivás (escolas religiosas), recebiam adiamento ou isenção do serviço.

2. Mudança em 2024 – Fim da isenção automática

Em junho de 2024, o Supremo Tribunal decidiu por unanimidade que não existe mais base legal para isentar os haredim em massa. Est decisão foi contrária a visão do governo atual que não a queria em prática. Ou seja, os juízes criaram o mais sério ponto de atrito na sociedade israelense para abalar o governo. Desde então, o IDF começou a enviar ordens de alistamento para milhares de homens haredim. Teoricamente, todos os homens haredim entre 18 e ~26/27 anos são obrigados a se alistar, assim como os outros israelenses.

3. Como é o processo na prática (até a lei de hoje)

Recebe a ordem de alistamento (draft notice).
Comparece ao centro de recrutamento do IDF.
Passa por avaliações médicas, psicológicas e de aptidão.
Pode escolher trilhas especiais (“tracks”) criadas pelo IDF para haredim:
Unidades separadas ou semi-separadas (para preservar a observância religiosa: kosher rigoroso, horários de oração, sem contato desnecessário com mulheres, etc.).
Programas com ênfase em estudo religioso combinado com serviço militar.
Funções técnicas, administrativas ou de combate adaptadas.

Na realidade, a adesão é muito baixa:

De dezenas de milhares de ordens enviadas, apenas alguns milhares comparecem.
A grande maioria continua estudando em yeshivá e ignora as convocações.

4. Situação atual (após a lei de 14/07/2026)

A lei recém-aprovada congela as prisões e processos contra quem não se alista até janeiro de 2027 (pelo menos 7 meses). Na prática, remove o principal mecanismo de pressão (ameaça de prisão), tornando o alistamento quase voluntário nesse período. Os haredim que querem servir podem continuar usando as trilhas especiais, mas a grande maioria não tem intenção.

5. Por que a resistência?

Os líderes haredim veem o estudo da Torá como a maior proteção espiritual de Israel. Temem assimilação cultural no Exército (contato com secularismo, mulheres, etc.). Muitos acreditam que o serviço prejudica o estilo de vida ultraortodoxo.

Objetivo das trilhas especiais

O IDF criou programas adaptados para atrair ultraortodoxos que querem servir, mas desejam manter o estilo de vida religioso rigoroso. O foco é minimizar o contato com a cultura secular e preservar a observância religiosa.

Principais características comuns a quase todas as trilhas haredim:

Ambiente “casher” e religioso:
Alimentação kosher estrita supervisionada.
Tempo garantido para orações três vezes ao dia.
Proibições rigorosas de conteúdo impróprio (internet, televisão, etc.).
Separados ou com contato mínimo com soldados mulheres na maioria das atividades.

Estrutura mista:
Parte do dia/semana dedicada ao treinamento militar.
Outra parte dedicada ao estudo religioso (Torá), com rabinos e yeshivá dentro ou perto da base.

Duração: Geralmente o serviço completo (32 meses para homens), mas alguns programas podem ter ajustes.

Principais trilhas especiais existentes:

Netzah Yehuda (antiga Batalhão 97)
Uma das mais conhecidas.
Unidade de combate exclusivamente masculina e haredi.
Foco em infantaria.
Muitos graduados servem em missões operacionais.

Trilhas de “Hesder” adaptadas ou “Shiluv”
Combinam estudo em yeshivá com serviço militar.
O soldado alterna períodos intensivos de estudo religioso com períodos de serviço ativo.

Unidades tecnológicas e de inteligência
Programas para haredim com bom perfil técnico.
Áreas como cibernética, programação, drones e inteligência.
Menos exposição física e mais compatível com quem prefere evitar combate direto.

Trilhas administrativas e de apoio
Funções em logística, recursos humanos, manutenção, etc.
Mais “leves” e com maior ênfase religiosa.

Novos programas de 2025-2026
As FDI expandiram a capacidade de absorção e criaram mais vagas em unidades “puras” ou semi-puras haredim. A partir de julho de 2026, o Exército declarou que consegue absorver todos os haredim que quiserem se alistar sem limitação.

Números recentes (2026)

Em ciclos de recrutamento de abril-maio/2026: 433 haredim se alistaram, sendo 272 em unidades de combate (recorde relativo). Apesar do aumento percentual, o total ainda é muito pequeno comparado aos 72-80 mil elegíveis.

Vantagens oferecidas pelo IDF

Salário militar + bônus por alistamento.
Cursos profissionais úteis para o mercado de trabalho após o serviço.
Status social crescente dentro de parte da comunidade haredi (especialmente entre os mais jovens e moderados).

Desafios e críticas

Muitos líderes haredim radicais rejeitam qualquer forma de serviço e consideram quem serve como “saído do caminho”. Dentro do IDF, há tensão entre manter os padrões religiosos e as necessidades operacionais. A taxa de desistência e evasão ainda é alta.

As trilhas especiais são uma tentativa do IDF de tornar o serviço militar compatível com a vida ultraortodoxa, criando bolhas religiosas dentro do Exército. Elas funcionam para uma minoria crescente, mas ainda não resolvem o problema de escala que o Exército precisa (12-17 mil soldados faltando).

Consideração final do autor

Os incentivos para os hareidim se alistarem deveriam ser maiores. Uma pesada campanha publicitária tocando o coração deles deveria já ter existido e sabemos que nunca vai acontecer. Durante a Primeira Guerra Mundial, as campanhas de pôsteres de alistamento militar nos EUA foram com algumas dezenas de artes diferentes, dirigidas de forma geral. Na Segunda Guerra Mundial , foram várias dezenas de artes, voltadas para nichos específicos, para mulheres, para trabalhadores especializados. Nunca vou esquecer da principal campanha de recrutamento feminino: “Fora das posições de combate existem 210 trabalhos especializados que as mulheres podem fazer. Aliste-se e libere um homem para a batalha”. Nada neste sentido foi realizado em Israel.

Precisamos entender também a visão religiosa dos hareidim e não podemos afirmar que “eles estão errados”. Eles podem dizer que todos nós estamos errados, mas não somos como eles.

Observando a evolução do campo de batalha, está muito claro que o futuro e médio prazo é de IAs e drones até que o ser humano não esteja mais na frente de batalha. O número de soldados vai cair drasticamente em todos os exércitos tecnológicos. Os soldados de exércitos menos tecnológicos serão simplesmente massacrados no campo de batalha e já vemos isso na Guerra da Ucrânia, onde as baixas entre as tropas russas já passaram de 1.420.000 homens. Cerxa de 800 são mortos diariamente, nos últimos 12 meses, apenas por drones ucranianos. E se saber que em breve, os drones sequer precisarão de operadores humanos.

Outra preocupação terrível é demográfica, pois também se sabe que em 25 anos o percentual da população hareidi em Israel será muito maior que o atual, portanto, percentualmente faltarão ainda mais soldados. Em algum momento no futuro, talvez 50, talvez 100 anos, a população hareidi será maior que o restante da população e se forem necessários soldados, eles não existirão enquanto o número de soldados de nossos vizinhos e inimigos vai aumentar numa taxa ainda maior que a da população hareidi.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.