Aoun diz a Trump que Líbano vai encerrar hostilidades com Israel para sempre
Washington – O presidente libanês Joseph Aoun declarou, nesta terça-feira (21), durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, que o Líbano encerrará “para sempre” a hostilidade com Israel e pediu apoio americano para desarmar o Hezbollah.
Aoun, o primeiro presidente libanês a ser convidado para Washington desde 2009, afirmou que o acordo de diretrizes mediado pelos EUA, assinado em 26 de junho, tem como objetivo final “encerrar o estado de hostilidade entre o Líbano e Israel para sempre”. “Esta será a sua herança. Juntos, seremos capazes de alcançar este objetivo”, disse ele a Trump.
Trump, por sua vez, manifestou disposição para ajudar o Líbano, que descreveu como um país “muito maltratado” e “duramente atingido” por décadas. “Vamos ajudá-lo. Vamos ajudá-lo muito”, afirmou o presidente americano. Ele se disse aberto a dialogar diretamente com o Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, caso o governo libanês solicite. “Eu falaria com o Hezbollah. Eu falo com todo mundo”, declarou.
O encontro ocorreu poucas horas após o primeiro teste prático do plano de retirada gradual israelense do sul do Líbano. Tropas libanesas se deslocaram para a cidade de Zawtar al-Gharbiya, a primeira área da qual as Forças de Defesa de Israel (IDF) se retiraram como parte do “piloto” apoiado pelos EUA. O objetivo é permitir que o Exército Libanês (LAF) assuma o controle da região, condicionada ao desarmamento do Hezbollah.
Incidente na fronteira
A transferência não ocorreu sem tensão. O Exército Libanês acusou as forças israelenses de dispararem contra suas tropas. A IDF afirmou que foram “tiros de advertência” disparados para o alto, depois que soldados libaneses e maquinaria pesada avançaram cerca de 150 metros para dentro da zona-tampão controlada por Israel, violando os entendimentos. Não houve feridos. Os soldados libaneses recuaram após o incidente.
Trump, questionado sobre o episódio durante a coletiva com Aoun, disse que investigaria o caso antes de se manifestar. Sobre uma possível retirada completa de Israel do Líbano, o presidente americano foi evasivo, limitando-se a dizer que Israel “está no processo” de reposicionar suas forças.
Contexto do acordo
O acordo de diretrizes prevê a retirada faseada de tropas israelenses do sul do Líbano em troca do desarmamento do Hezbollah na região. Os dois países não mantêm relações diplomáticas formais e tecnicamente estão em estado de guerra desde a fundação de Israel, em 1948. Aoun, ex-comandante do Exército, enfatizou a importância de fortalecer as Forças Armadas Libanesas. “Sem o LAF, tudo entrará em colapso”, alertou, lembrando o vácuo de poder que levou à guerra civil em 1975.
O presidente libanês elogiou Trump como um “grande presidente”, o que arrancou um sorriso do americano. “Ele sabe como me conquistar”, brincou Trump.
O conflito recente foi deflagrado em março de 2026, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, dias após ataques americanos e israelenses contra o regime iraniano. Mais de 4.300 pessoas morreram no Líbano desde então, segundo autoridades libanesas.
A reunião marca um momento diplomático significativo em meio aos esforços para estabilizar a fronteira israelo-libanesa e reduzir a influência do Hezbollah no sul do país.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem: frame de vídeo oficial do canal do Presidente Trump no Truth Social

