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Bibi afirmou que não o acordaram em 7 de outubro!

Netanyahu afirma que autoridades de defesa o deixaram dormir deliberadamente na manhã do ataque de 7 de outubro

O primeiro-ministro Bibi Netanyahu fez uma afirmação grave durante uma live no Instagram: altos oficiais do Exército israelense e das forças de defesa teriam deliberadamente optado por não acordá-lo na manhã do massacre perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

Segundo Netanyahu, a razão teria sido calculada: “eles sabiam que, como primeiro-ministro de Israel, eu teria dado imediatamente a ordem de colocar todo o Exército em alerta.”

A declaração representa uma escalada significativa em relação às afirmações anteriores do premiê. Antes, Netanyahu sugeria apenas que os acontecimentos teriam sido diferentes caso tivesse sido acordado a tempo. Agora, pela primeira vez, ele acusa diretamente os oficiais de defesa de tê-lo mantido propositalmente desinformado.

Netanyahu detalhou o que teria feito se tivesse sido alertado: acordaria todas as comunidades do sul, acionaria todos os coordenadores de segurança, ordenaria à Força Aérea que estivesse pronta para atacar qualquer pessoa que se aproximasse da cerca de Gaza — e poderia, inclusive, ter cancelado o festival de música Nova.

O primeiro-ministro apontou nominalmente o então chefe do Shin Bet (serviço de inteligência interna), Ronen Bar, acusando-o de querer manter um estado de prontidão discreto e de nível intermediário, evitando ações militares amplas por receio de provocar uma escalada com o Hamas.

As declarações de Netanyahu no Instagram repetem o que ele havia dito horas antes no Canal 14, e também em um podcast no dia anterior — cujo trecho ele repostou em sua conta no X.

O episódio ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla da família Netanyahu para reescrever a narrativa sobre as falhas do 7 de outubro. Sua esposa, Sara Netanyahu, deu uma entrevista na qual levantou, sem provas, a teoria de que o líder da oposição Yair Golan — líder do partido Os Democratas — teria tido conhecimento prévio do ataque. Golan reagiu com indignação, ameaçando processá-la por difamação em R$ 4,5 milhões (cerca de US$ 825 mil) caso ela não se retrate. Sara recusou o pedido de desculpas, classificando as acusações de Golan como “mentiras absurdas”.

O correspondente político do Canal 12 avaliou que essas declarações parecem ser movimentos deliberados da família Netanyahu para reformular a narrativa em torno das falhas do 7 de outubro, às vésperas das eleições.

Evidentemente vemos a oposição acusando Bibi, nada diferente do vinha fazendo já desde antes de 7 de outubro e a situação entendo a explicação.

Ainda não está clara a responsabilidade pelo 7 de outubro? Todos preferem esquecer que além de Ronen Bar, do chefe do Estado Maior, dos generais da aérea de informações militares e comandantes de unidades do sul de Israel que receberam alertas às 6h30 e DECIDIRAM NÃO AGIR, todos pediram demissão ou foram demitidos.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.