A cidade humanitária em Rafah: maluquice ou possibilidade?
Ministro da Defesa: Israel está se esforçando para estabelecer uma cidade humanitária em Rafah, para onde todos os residentes da Faixa de Gaza serão transferidos. Sua criação ocorrerá durante o cessar-fogo.
A cidade humanitária em Rafah – é assim que Israel planeja “o dia seguinte” em Gaza. Na ilustração, a área em azul claro onde deverá ser a cidade humanitária.
• O comando militar, por determinação do governo, está formulando um plano para estabelecer uma grande cidade no sul da Faixa de Gaza, na área entre a Rota Filadélfia e a Rota Morag. A cidade deverá incluir infraestrutura humanitária e servir como local central de concentração para a população de Gaza.
• De acordo com o esboço, toda a ajuda que entrar na Faixa — comida, água, remédios e combustível — será canalizada exclusivamente para essa cidade. O objetivo: concentrar a maioria dos residentes da Faixa em um só lugar e separar a população dos focos de terror do Hamas. ### Mantivemos a redação original e, de fato, o comunicado oficial usa o termo “concentrar”. Não podemos imaginar por que o porta-voz do governo, do ministério da defesa ou sabemos lá quem redigiu isso, usou este termo. Deveria ser “reunir” e jamais “concentrar”. Smotrich já tinha utilizado este termo no mês de abril.
É de encomenda para todos os sistemas antissemitas, sejam muçulmanos, sejam da esquerda marxista ou judaica, começarem a gritar que Israel está criando um campo de concentração gigante em Gaza. Já vimos, nas últimas duas semanas, os kaplanistas em Tel Aviv com um novo lema: afirmam que Bibi está praticando uma “seleção” dos reféns que vão viver e dos reféns que vão morrer. “Seleção ou Selektia” era ação das tropas da Alemanha Nazista, à chegada dos trens trazendo judeus, principalmente para Auschwitz, selecionando os que iam para trabalho escravo e os que iam diretamente para as câmaras de gás.
A saber, doentes, acima de 50 anos, abaixo de 16 anos, pessoas fracas ou com deficiência física, mulheres com filhos pequenos, iam direto para a fila da execução. A esquerda, principalmente a judaica, não tem vergonha alguma de lançar termos do Holocausto, como pecha aos governantes de Israel, e vai usar os campos de concentração. Genocídio já foi tão empregado que já se tornou lugar comum, e de acordo com o STJ brasileiro, o termo é legítimo, enquadrado como “crítica política”, sem que possa ser atribuído qualquer crime relacionado com racismo contra as partes agredidas, ou crime de injúria grave contra a parte emissora.
Em que pese a esquerda mundial sempre acusar Israel de ter criado um campo de concentração em Gaza (toda a Faixa de Gaza) desde o ano de 2005, quando Ariel Sharon retirou todos os judeus de lá. Sem nenhum judeu lá, a Faixa era ocupada pelos judeus. Com 34 hospitais, hotéis, mansões com piscinas, shopping centers, escolas, fábricas de mísseis, de explosivos, de minas terrestres e eivado de armas de infantaria e milhões de cartuchos de munição, com mais de 100.000 trabalhadores entrando e saindo de Israel todos os dias, era um campo de concentração.
Talvez seja por isso que alguns setores do governo israelense não estão freando o uso do termo. De fato, não vai impactar lá em Israel, mas aqui fora.
• Em uma fase seguinte, Israel pretende incentivar a “migração voluntária” dos residentes de Gaza dessa cidade para terceiros países. Segundo alguns relatos, contatos iniciais já foram feitos com diversos países ao redor do mundo. ### Quando a Jordânia expulsou os judeus da Cidade Velha de Jerusalém em 28 de maio de 1948, não foi limpeza étnica. Quando a Jordânia expulsou os judeus de Hebron, não foi limpeza étnica. Quando a Jordânia dinamitou 54 sinagogas, entre grandes e pequenas, na Cisjordânia, não foi limpeza étnica.
Quando o Egito removeu a cidadania de todos os judeus, confiscou todas as suas propriedades (privadas e comunitárias, inclusive os cemitérios), todo o dinheiro das contas bancárias e os expulsou do país, podendo carregar uma mala pequena e tendo ainda joias, relógios e dinheiro, roubados à mão armada pelos soldados e policiais egípcios antes dos embarques em navios, não foi limpeza étnica. Quando a Líbia expulsou todos os judeus, não foi limpeza étnica. Hoje, quando o Irã está terminando de expulsar 900.000 refugiados afegãos (que fugiram do regime talibã) de volta para o Afeganistão, não foi limpeza étnica (imagine o que vai acontecer com eles lá).
Mas quando Israel começar a implementar a migração voluntária subsidiada de moradores muçulmanos da Faixa de Gaza, meio mundo vai se levantar e apontar o dedo: LIMPEZA ÉTNICA. Pois, na visão católica tradicional, os judeus têm apenas o direito de vagar pela Terra sem descanso, como punição por terem matado Deus, não têm direito a um Estado, mas têm o direito de serem expulsos de qualquer lugar. Os judeus não têm o direito de expulsar ninguém. Na visão muçulmana, nenhum infiel tem direito algum sobre eles, enquanto eles podem fazer o que bem entenderem contra os infiéis.
• O primeiro-ministro Netanyahu ordenou o avanço da iniciativa, mas atualmente ela está atrasada devido a certas restrições. As Forças de Defesa de Israel continuam se preparando para a implementação do modelo, que pode mudar a realidade civil na Faixa.
• Ainda não existe a mínima ideia de quem vai governar esta cidade humanitária. O general Zini, chefe das forças armadas, deixou bem claro que não é uma tarefa do exército governar ninguém, mas parte do gabinete parece estar ordenando que o faça.
• O sistema de defesa vê essa iniciativa como um componente-chave para o período pós-conflito, mas está claro que, uma vez implementada, ela provocará duras críticas internacionais.
• Este projeto visa separar a população palestina da Faixa de Gaza, que quer a paz, dos terroristas do Hamas e da população palestina que apoia o Hamas. Não existe qualquer possibilidade de o Hamas permitir isso, sem que dispare ainda mais contra sua própria população, colocando a culpa em Israel. Poucas semanas atrás, tinha surgido a hipótese, que parece ter sido adotada, de fornecer toda a ajuda humanitária apenas dentro de uma zona protegida e 100% controlada por Israel, com zero presença do Hamas.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

