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PT coloca a pessoa mais espúria do mundo judaico no púlpito do Congresso Nacional

No dia 4/jul, as mídias judaicas estalaram com o link “Rabino pede o fim do Estado de Israel em sessão do PT no Congresso”, evento ocorrido no dia 2/jul e noticiado pelo Contrafatos de forma muito jornalística e perfeitamente caracterizada.

Então comecei a ler nos posts (vou deixar sem aspas…). Não é rabino! Não é judeu! É falso! Que horror! Como é que pode! E principalmente: quem é este sujeito. Então minha ficha desgastada caiu mais uma vez.

Todas as pessoas que questionaram quem seria o sujeito NÃO LERAM O ARTIGO e reagiram apenas pelo título. No texto, estava certinho. Isto demonstra dois pontos que jornalistas sérios como eu discutem, pelo menos, há 40 anos. Aliás, durante meu curso na UFRJ eu recebi, orgulhoso, uma nota zero por um trabalho de classe meu denominado “O jornal que não é lido”, baseado em mais de 100 abordagens de leitores que realizei no metrô e no centro do Rio de Janeiro. Mesmo na época pré-internet, o que valia era o título: todos liam. Praticamente todos os títulos em letras maiores e em negrito eram lidos por todos os leitores. Os títulos sem estar em negrito e com letras menores, não necessariamente. E do título ao texto, poucos passavam. Exceto no caderno de esportes, este sim, o mais consumido dos jornais.

Com o jornal digital, entre ler um título e clicar para ler o artigo é necessário um forte poder de decisão, quando o leitor considera a “perda de tempo” de clicar e ler, já que o título lhe dá toda a informação que julga necessária.

E os jornais, revistas, jornalistas e mídias profissionais SEMPRE SOUBERAM DISTO. Trabalham com isso e, muitas vezes, colocam uma mensagem no título, contraditada pelo texto do artigo. Hoje é ainda pior, pois existem IAs para a criação de títulos para “pontuar melhor”, isto é, que estejam mais de acordo com o que as pessoas estão procurando no Google no momento, por exemplo. E sempre a opção será pelo que pontue melhor, e não pelo que seja o eticamente correto.

Mas vamos à sessão solene estapafúrdia convocada pela bancada do PT, encabeçada, segundo o Contrafatos, pelos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Lindbergh Farias (PT-RJ), que chegou à política como presidente da UNE, e lá consegue se manter. Foi uma reação do partido do governo à aprovação pelo Senado, do dia 12 de abril como o Dia da Amizade Brasil-Israel. O PT não é amigo de Israel, ponto. A sessão solene foi uma reação inteligente e dentro das quatro linhas (termo que detesto).

Quem é o tal rabino?

Ysroel David Weiss, 77, norte-americano, é porta-voz do Naturei Karta (vou explicar mais abaixo). Se você é judeu e não sabe o que é o Naturei Karta, fique sabendo que o antissionismo judaico é e sempre foi um tema varrido das escolas judaicas e da educação informal judaica para “poupar nossas crianças de experiências traumáticas”.

Até uns 15 anos atrás ou pouco mais, o Holocausto também não era abordado nas escolas pelo mesmo motivo. Creio que a Inquisição não é abordada até hoje. Nossos educadores “acham” que falar para jovens de 15 a 18 anos sobre judeus sendo roubados pela Igreja, queimados em praça pública, sendo torturados e mortos com chumbo derretido vertido sobre seus vários orifícios ou empalados vivos em estacas é algo traumatizante para jovens que assistem The Walking Dead e seus splits zumbificados.

Se você não é judeu, não tinha como saber mesmo e a surpresa é justa. Mas Naturei Karta não é novidade alguma e não deveria ser, pois foi criado em Jerusalém, no ano de 1938, persistindo com a mesma agenda e o mesmo discurso desde maio de 1948 quando o Estado de Israel declarou sua independência.

Seu nome, em aramaico, significa “Guardiões da Cidade”. Não pessoas que protegem Jerusalém como poderia parecer. É uma ilação a um tipo de sistema que existia na Idade Média, nos castelos e cidades fortificadas europeias, em que uma tropa de guardiões fazia a primeira proteção do lado de fora das muralhas, sem nunca entrar na cidade. Ou seja, guardiões que não fazem parte do que guardam ou protegem.

Em 1938 ele era o núcleo duro de outro movimento, o Agudat Israel (União por Israel), criado em 1912 na Polônia. Não é o mesmo Agudat que hoje faz parte do governo israelense na coalizão UTJ (Judaísmo Unido pela Torá). São homônimos. Em 1912, grupos minoritários dos hassidim (místicos ortodoxos judeus) poloneses decidiram criar uma instituição política para se opor ao sionismo político criado por Theodor Herzl (já falecido) e centrado no Congresso Sionista Mundial. O antissionismo judaico religioso é tão antigo quanto o sionismo político. Enquanto a ida de ícones do pensamento judaico para a Terra Prometida pode ser traçada desde 1492, com a expulsão dos judeus da Espanha, a ida de 50.000 deles para a Turquia e de lá os principais rabinos e cabalistas foram para Tzfat (Safed) com autorização expressa do sultão turco que não os permitiu irem para Jerusalém o destino solicitado. Por isso, afirmei acima, que a presença em Brasília de um sujeito inconveniente como Weiss, oriundo de uma cartilha de 113 anos não deveria causar surpresa nenhuma.

O antissionismo místico judaico sempre foi e sempre será antagônico ao pensamento sionista. Ele prega que Israel só pode ser criado misticamente por intervenção divina APÓS a chegada do Messias, e que a ação humana e política estaria “contra a vontade de Deus”. O Naturei Karta afirma que “os verdadeiros judeus não são sionistas”, apenas eles, uns 40.000 são os judeus verdadeiros e todos nós não somos judeus. Os outros 600.000 da esquerda judaica norte-americana que são antissionistas, não se classificam como judeus, pelo Naturei Karta, por outras questões mais básicas.

O que nos dá o direito de afirmar que eles é que não são judeus por pretenderem ter a exclusividade da interpretação do que seriam os caminhos de Deus. Não lhes passa pela cabeça que o ser humano não compreende Deus e que Deus escreve pelas linhas que quer. Não necessariamente as veremos. A maior parte dos ortodoxos sionistas vê, nas tortuosidades e empecilhos vencidos para a criação do Estado de Israel, exatamente a intervenção divina. A grande maioria dos hassidim, místicos judaicos, contemporâneos são sionistas.

Weiss esteve no Rio de Janeiro durante a reunião do G20 e apoiou a pífia manifestação do PCO, na Cinelândia, contra Israel e a favor do Hamas. Onde ele vai, fantasiado de ortodoxo com chale palestino, atrai a atenção e obtém mídia. Óbvio que o repórter de rua vê um judeu apoiando os terroristas do Hamas e isso é notícia. Weiss já esteve em Teerã várias vezes apoiando politicamente os aiatolás em sua sanha de destruir Israel. Abraçou Mahmoud Ahmadinejad, o promotor dos eventos “Um Mundo Sem Sionismo”. Ser contra o governo de Israel e contra a política de Israel é discurso político legítimo. Ser a favor da destruição do Estado de Israel, junto com seus habitantes judeus e não judeus, é antissemitismo.

O discurso do Naturei Karta pela destruição de Israel é direto, e não indireto, como em “Do Rio ao Mar”, gritado em coro pelos petistas e outros durante a sessão do Congresso Nacional. Basicamente os mesmos deputados que desde 2014 já estendiam faixa lá dentro afirmando que Israel era Genocida. O que aconteceu em 2014? Pesquise, mas nada comparado a guerra atual.

Este movimento judaico místico horroroso é especificamente antissemita e sempre foi, mesmo durante as décadas em que se limitava a um punhado destes sujeitos e das crianças deles, empunhando cartazes nas ruas de Nova Iorque. A maior parte do estabelishment judaico os considerava “folclóricos” e não “inimigos”, o que de fato o são. São os únicos judeus para os quais os antissemitas de todos os espectros se ajoelham, pois provam que o discurso antissemita contra Israel é válido e “apoiado por rabinos”.

Agora Weiss, no Brasil pela reunião do G20 passou de uma figura estranha na Cinelândia para o status de doutor rabino, o “bom judeu”, encagalhado no púlpito do Congresso Nacional pelo partido que governa o Brasil. É impressionante como ser judeu contra os judeus, ser judeu contra Israel, abre portas e carteiras.

No dia 7 de julho, não por devido ao evento no Congresso Nacional, o governo israelense proibiu a entrada de Weiss em Israel, o que deveria ter sido acompanhado pela proibição da entrada de qualquer membro do Naturei Karta e com a expulsão dos que lá vivem, principalmente em Mea Shearim, militando ativamente pela destruição do Estado de Israel, principalmente os que não têm cidadania israelense. Mas isso não vai acontecer.

E neste mesmo dia, David Weiss esteve novamente no Rio de Janeiro, participando de nova manifestação na Cinelândia, contra Israel. Sempre muito a vontade entre seus companheiros antissemitas, sejam empunhando bandeiras palestinas, iranianas ou vestindo uma camiseta com enorme foice e martelo da UJC – União da Juventude Comunista (UJC)

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem, em 7/jul/2025 na Cinelândia – RJ – foto de Tânia Rêgo/Agência Brasil

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.