Chefe dos serviços de inteligência da Austrália alerta sobre antissemitismo
O chefe dos serviços de inteligência da Austrália fez um alerta forte: o antissemitismo que ficou “solto” depois do 7 de outubro de 2023 acabou se tornando algo “normal” no país — e isso abriu caminho para mais violência.
Mike Burgess, diretor-geral da ASIO (a agência de inteligência australiana), deu esse depoimento nesta segunda-feira durante a Comissão Real que investiga o terrível ataque terrorista em Bondi Beach, em dezembro de 2025, onde 15 pessoas foram mortas num evento de Chanucá.
Segundo ele, após o massacre do Hamas em Israel, muita gente na Austrália comemorou o ataque antes mesmo de Israel responder. “Vimos pessoas celebrando o ato terrorista do Hamas”, contou. Esse tipo de comportamento, que não foi confrontado, acabou sendo normalizado e deu “mais permissão” para atos de violência contra judeus.
Burgess explicou que, no final de 2023, já havia um aumento claro de ameaças e intimidações contra a comunidade judaica, especialmente nos estados de Nova Gales do Sul, Victoria e Queensland. A partir de 2024, a coisa ficou ainda mais grave: passaram de ameaças para ataques diretos contra pessoas, empresas e sinagogas — incluindo vandalismo, pichações e incêndios criminosos.
A agência também concluiu que a Guarda Revolucionária do Irã esteve por trás de dois ataques antissemitas (um restaurante kosher em Sydney e a sinagoga Adass Israel em Melbourne). Por causa disso, o embaixador iraniano foi expulso em agosto de 2025. Burgess acredita que o Irã pode ter envolvimento em mais casos, mas ainda não conseguiram provar com total certeza. “Eles usam redes de proxies e agentes para fazer o trabalho sujo”, disse.
Essa onda de antissemitismo foi um dos motivos que levaram a ASIO a elevar o nível de ameaça terrorista nacional para “provável” em agosto de 2024.
Sobre o ataque de Bondi
A Comissão também ouviu detalhes sobre a falha de segurança no evento. Apesar de ser um grande evento de Chanucá com cerca de mil pessoas, a polícia colocou apenas quatro policiais no local. O evento recebeu a menor prioridade possível de segurança, mesmo com o nível de ameaça terrorista no país está colocado como “provável”.
Em apenas 29 segundos de tiros, 10 pessoas já haviam sido mortas. Os dois atiradores (pai e filho) eram inspirados pelo Estado Islâmico e levaram bandeiras do ISIS. O ataque durou menos de oito minutos até a polícia reagir.
O advogado da Comissão, Richard Lancaster, deixou claro que não havia nenhuma inteligência prévia específica avisando sobre o ataque — foi uma surpresa. Mesmo assim, a comunidade judaica havia pedido reforço policial e não recebeu.
Resumindo o recado do chefe da espionagem australiana: quando o ódio fica sem resposta, ele não desaparece. Ele cresce, se normaliza e, infelizmente, vira violência.

