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Entenda o princípio teológico do caos que rege os aiatolás

O princípio teológico do caos que rege os aiatolás é algo que nenhuma grande mídia vai ter coragem de publicar pois torna o entendimento da possibilidade do fim da guerra, impossível.

O mundo está chapado na ameaça de Trump sobre o que vai acontecer na terça-feira, dia 7 de abril após as 20 horas no horário de Washington, três e meia da manhã do dia 8 em Teerã.

Hoje, dia 6, Trump disse que os EUA poderiam conquistar o Irã “em uma noite”!!! Será? É improvável. Hoje também, o Irã rejeitou a proposta de cessar fogo de 45 dias mediada pelo Paquistão. E vai rejeitar todas as propostas pela paz. Não é uma questão geopolítica.

Tente entender. Eu sei que não é fácil e que a mídia com viés de esquerda vai mastigar isso e cuspir fora, pois vai contra a narrativa implementada.

Os xiitas, como um todo, acreditam que seu décimo-segundo líder, no século 12, “se escondeu” aso 5 ou 6 anos de idade (há divergências), não indicando um sucessor. Ou seja, o garoto não morreu. Está vivo e escondido até os dias de hoje pois é o Messias deles. Não descarte a crença dos outros. No judaísmo temos personagens importantes desaparecidos como Moisés e o profeta Elias (Elyahu). No cristianismo, Jesus após ressuscitar também desaparece. Os xiitas tem o décimo segundo iman.

Decorre que nos textos xiitas o garoto Messias volta num momento de “maior caos” e é exatamente isso que os aiatolás que restaram (não se noticia o nome de nenhum, percebeu) e a Guarda Revolucionária que é uma SS teológica iraniana, não só acreditam como implementam. Todos os iranianos com menos de 57 anos cresceram e foram educados com esta crença.

Diferente dos xiitas no mundo inteiro, a maior minoria das 14 vertentes do islã, os aiatolás controlam a imensa maioria no Irã e são o que se define por “aceleracionistas’, que acreditam que devem agir abertamente para que o Messias volte. No Talmud judaico, para o vinda do Messias como os judeus acreditam, existe uma definição afirmando que agir abertamente para a chegada do Messias, faz com que ela seja adianta. O aceleracionismo é proibido pelo Talmud, mesmo que alguns ramos judaicos o pratiquem, Está absolutamente entendido que afirma que “queremos Messias agora!” não é aceleracionismo.

Os sunitas tem uma crença diferente. O Messias nascerá como um ser humano normal e ainda não nasceu, senão, todos saberiam. Assim, enquanto os xiitas pretendem a revelação de um Messias que chegou no século 12 e está entre nós, os sunitas esperam ainda o nascimento do Messias. São crenças absolutamente excludentes.

O Estado Islâmico representa o aceleracionismo sunita e publicou isso em suas revistas circuladas em inglês na Europa e em árabe no Oriente Médio. O objetivo era criar o caos e ampliar o caos para Allah intervir e fazer o Messias nascer.

Caos em árabe é Fitna. Na história consagrada do Islã já aconteceram 5 Fitnas, a primeira delas após a morte de Maomé, quando se dividem entre o que hoje são os sunitas (ainda não existia a Suna naquele momento) e os xiitas (seguidores de Ali, o cunhado de Maomé). Houve momentos em que existiam 3 califas sunitas disputando o poder em regiões geográficas diferentes. A guerra do Afeganistão entre sunitas e depois talibãs, contra a União Soviética foi caos. A Guerra Irã x Iraque com um milhão de mortos, foi caos. O ataque de 7 de outubro contra Israel e a destruição consequente da Faixa de Gaza, faz parte do caos e nem Allah interviu, nem o Messias se revelou ou apareceu. Em nenhuma Fitna desde o século 7.

Não importa se você não acredita nisso. Eles acreditam, matam, escravizam, estupram, sequestram, torturam etc. Porque são formas de incrementar os caos.

QUANTO CAOS É NECESSÁRIO?

Esta é a grande questão do momento. Para o Estado Islâmico, deveria ter ficado claro que o morticínio que causaram entre muçulmanos sunitas e xiitas na Síria e no Iraque NÃO FOI SUFICIENTE. É preciso mais. Antes, para a Al Qaeda, o caos gerado pelo ataque às Torres Gemeas e Pentágono nos EUA, em 2001, NÃO FOI SUFICIENTE. É preciso mais. E ambos os grupos meio que se acomodaram gerando pequenos caos localizados, não sendo mais capazes de criar o caos geral.

Qualquer observador da guerra atual percebe que o CAOS atual é muito maior do que o Estado Islâmico implementou. Imagine-se um general iraniano, que planeja as ações pelas lições militares da academia, pelo manual, pelos ensinamento de Sun Tzu e também pelo aceleracionismo? A cada dia que acorda verifica que o décimo segundo iman não se revelou, e isto lhe diz que o caos é pouco e precisa aumentar.

Pensando assim, sem qualquer fator geopolítico ou econômico envolvido, manter o estreiro de Ormuz parcialmente fechado aumenta o caos. Ameaçar fechar o estreito de Bab el-Manbed (pelos houtis xiitas) aumenta o caos. Atacar todos os países árabes sunitas vizinhos do Oriente Médio, aumenta o caos, inclusive o ataque aos seus ex aliados, Catar e Oman. Tudo que é bombardeado e destruído no Irã, aumenta o caos. Todos os iranianos mortos, sejam civis, sejam militares, sejam paramilitares, são mártires, foram para o Paraíso, farão com que seus pais escapem dos “Tormentos do Túmulo” e ainda poderão escolher outros parentes que receberam o ingresso ao Paraíso, o ticket do Paradise, portanto sua mortes não são lamentadas, são comemoradas!

E o caos pode ser muito aumentado por ações iranianas. Eles podem atacar todas as usinas de dessalinização dos países sunitas do Golfo tornando-os inabitáveis. A quantidade de água necessária, aparentemente não poderá ser trazida em aviões e muito menos em navios com o Ormuz sob a mira das armas.

O Irã pode atacar petroleiros carregados, criar um derramamento de óleo de proporções corânicas no Golfo Pérsico, eliminando a vida marinha. O óleo na água, forçaria o fechamento das usinas de dessalinização, sem que elas precisassem ser atacadas. Isso geraria um nível de caos ainda maior.

E em última instância, o Irã poderiam explodir a cúpula do reator nuclear de Busher e criar uma condição de derretimento do núcleo como aconteceu na Ucrânia, em Chernobil, culpando Israel pelo ataque. Se isso acontecer o Kwait, o Catar e talvez até Riad tenham que ser abandonadas devido ao fallout radioativo. Isso se sabe há décadas, mas o porta-voz militar iraniano falou isso abertamente na TV, dias atrás. E talvez este seja o caos maior a ser implementado. Como não podem atacar Israel com uma arma nuclear, vão atacar os árabes sunitas seus vizinhos como uma arma radioativa. É preciso torcer para isso não acontecer.

EUA e Israel precisam terminar o serviço antes que isso aconteça. E é muito preocupante que os quase 190 funcionários russos que operam a usina nuclear já a abandonaram nestes últimos dias.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.