No do Dia da Lembrança do Holocausto: ainda há 111 mil sobreviventes em Israel
Enquanto Israel se preparava para mais um Dia da Lembrança do Holocausto (Yom HaShoá), que começou na segunda-feira à noite, os números atualizados mostram uma realidade ao mesmo tempo impressionante e melancólica: no início de 2026, vivem em Israel 111 mil sobreviventes do Holocausto.
Todos eles têm pelo menos 80 anos. E mais de um quarto (28%, mais de 31.000) já passaram dos 90 anos. São, em sua grande maioria, mulheres: representam 63% do total.
No ano passado, em janeiro de 2025, o número era de 123 mil. A diminuição é inevitável e constante. O tempo, infelizmente, não para. Em um ano, só em Israel faleceram 22.000 sobreviventes do Holocausto, uma média de 60 por dia.
Entre esses sobreviventes, quase metade (49,3%) é viúva ou viúvo. Ainda assim, existem cerca de 9.300 casais formados por dois sobreviventes do Holocausto — casais que construíram uma vida juntos depois de terem passado pelo inferno.
De onde eles vêm?
Cerca de 60% nasceram na Europa, com um grande contingente vindo da antiga União Soviética (36% do total). A maioria desses chegou a Israel nos anos 90, após o colapso do regime soviético. Outros 37% são originários da Ásia e da África — especialmente de Marrocos (16,9%) e do Iraque (10,9%), incluindo aqueles que sofreram com os pogroms e as leis antissemitas nos países árabes e muçulmanos durante a era nazista.
Apenas 6% chegaram à Palestina ainda no período do Mandato Britânico, antes da criação do Estado de Israel em 1948. Depois da independência, veio a grande onda: 30% dos sobreviventes que estão vivos hoje chegaram entre 1948 e 1951.
No Rio de Janeiro ainda estão entre nós, 20 sobreviventes do Holocausto.
Onde vivem hoje?
As cidades com maior concentração são:
– Haifa (7.500)
– Jerusalém (7.100)
– Tel Aviv (6.000)
– Ashdod (5.500)
– Netanya (5.400)
Um povo que ainda não se recuperou
Os dados do Escritório Central de Estatísticas de Israel também trazem um dado duro: a população judaica mundial ainda não voltou ao patamar de antes da Shoá. Em 1939, havia 16,6 milhões de judeus no mundo. Hoje, são 15,8 milhões. Cerca de 6 milhões foram assassinados pelos nazistas.
Enquanto isso, Israel hoje abriga 7,2 milhões de judeus — quase 45% de todos os judeus do planeta. Em 1939, apenas 3% viviam na Palestina do Mandato Britânico.
O peso do tempo
Cada ano que passa, o número de sobreviventes diminui. E com eles vão embora as últimas vozes que podem contar, em primeira pessoa, o que realmente aconteceu. Educadores do Holocausto alertam: fica cada vez mais difícil transmitir a memória e as lições da Shoá para as novas gerações quando as testemunhas oculares estão desaparecendo.
Mesmo assim, o Estado de Israel continua cuidando deles, e a sociedade israelense para, literalmente, duas vezes por ano (no Dia da Lembrança do Holocausto e no Dia da Lembrança dos Soldados) ao som das sirenes para honrar a memória.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem: sobrevivente de Auschwitz Jerzy Kamieniecki, mostra a tatuagem de prisioneiro. Foto de Eduard Schnack CC 4.0.

